Ataques de tubarão: canal submarino, água turva e maré cheia ajudam a explicar risco no litoral de Pernambuco

Piemonte Escrito em 09/06/2026


Detalhes exclusivos sobre os ataques de tubarão no litoral de Pernambuco, que deixaram um menino e uma jovem gravemente feridos. O litoral de Pernambuco, um dos destinos turísticos mais procurados do país, concentra também uma estatística preocupante: é a região com maior número de ataques de tubarão no Brasil nas últimas décadas. Desde 1992, foram registrados 84 casos, com 27 mortes, muitos deles em um trecho específico entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. Nos últimos dias, dois novos incidentes em menos de 24 horas reacenderam o alerta. As vítimas — um menino de 11 anos e uma jovem de 19 — sofreram amputações após serem atacadas em praias da região metropolitana. Apesar da gravidade, ambos sobreviveram graças ao atendimento rápido de pessoas que estavam no local. Especialistas explicam que a recorrência dos ataques não é aleatória. Um conjunto de fatores naturais ajuda a entender por que o risco é maior nessa faixa do litoral pernambucano. Dois ataques em menos de 24h: veja detalhes exclusivos sobre incidentes com tubarão no litoral de Pernambuco Detalhes exclusivos sobre os ataques de tubarão no litoral de Pernambuco, que deixaram um menino e uma jovem gravemente feridos. Reprodução/TV Globo Canal submarino funciona como “rota” de tubarões Um dos principais elementos é a existência de um canal natural profundo, paralelo à costa e próximo à faixa de areia. Esse canal funciona como uma espécie de “via expressa” para os tubarões, aproximando-os da área frequentada por banhistas. As espécies mais comuns nos ataques são o tubarão-tigre e o cabeça-chata, conhecidos pelo comportamento mais agressivo. Eles utilizam esse corredor para se deslocar e acabam entrando em zonas rasas, aumentando a probabilidade de encontros com humanos. Água turva dificulta identificação das presas Outro fator determinante é a condição da água. No litoral de Recife e região, o mar costuma ser turvo, especialmente em períodos de chuva. Essa baixa visibilidade prejudica a capacidade de os tubarões identificarem corretamente suas presas. Segundo pesquisadores, muitos ataques são, na verdade, “mordidas investigativas”. O animal confunde o ser humano com uma presa habitual, como peixes ou outros animais marinhos, e ataca para testar. Ao perceber que não se trata de alimento, geralmente solta a vítima. Maré cheia e condições climáticas aumentam o risco As condições ambientais também influenciam diretamente a ocorrência dos incidentes. Estudos apontam que os ataques são mais frequentes em dias nublados, com água turva e durante períodos de maré alta ou cheia. Nessas situações, o nível do mar sobe e avança sobre a faixa de areia, aproximando ainda mais os banhistas da área de circulação dos tubarões. A combinação desses fatores cria um cenário de maior risco, especialmente na zona de arrebentação. Monitoramento e prevenção ainda são desafios Apesar do histórico de ataques, o monitoramento dos tubarões na região ficou interrompido por mais de uma década e só recentemente começou a ser retomado. A nova fase prevê a captura de cerca de 60 animais, que receberão transmissores para acompanhamento de deslocamentos e comportamento. Além disso, especialistas defendem o uso de tecnologias já aplicadas em outros países. Entre elas estão barreiras eletromagnéticas, capazes de afastar os tubarões, e sistemas de vigilância com drones — embora a eficácia destes seja limitada pela baixa transparência da água local. Hoje, há trechos do litoral onde a entrada no mar é proibida, enquanto outras áreas contam apenas com placas de alerta — nem sempre respeitadas por banhistas. Detalhes exclusivos sobre os ataques de tubarão no litoral de Pernambuco, que deixaram um menino e uma jovem gravemente feridos. Reprodução/TV Globo Convivência com o risco Para pesquisadores, eliminar os tubarões não é solução. O desafio está em equilibrar o uso do litoral com a preservação ambiental e a segurança das pessoas. A orientação é que banhistas respeitem as sinalizações e evitem entrar no mar em condições de maior risco, como água turva, maré cheia e períodos chuvosos. A combinação de informação, tecnologia e conscientização é apontada como o caminho mais eficaz para reduzir novos ataques. Detalhes exclusivos sobre os ataques de tubarão no litoral de Pernambuco, que deixaram um menino e uma jovem gravemente feridos. Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.