Além desta atmosfera dos bailes blacks, a Banda do Poder ganha incremento: um naipe de metais com sax, trompete e trombone, que são responsáveis por resgatar a sonoridade da época. Sob a direção musical do mister Wilson Prateado, é possível observar a presença de soul, jazz, R&B alinhados com o tradicional pagode de Thiaguinho.
Nesta primeira parte do álbum, o público vai conferir feats com Sandra Sá, Gaab e Sampa Crew. A segunda parte do disco vai apresentar colaborações com Negra Li e Walmir Borges. Por sua vez, o filme-musical terá ainda a atuação de Cris Vianna, Mumuzinho e Patty de Jesus.
Um álbum que bebe de referências musicais como Tim Maia, Cassiano, Wilson Simonal e promove encontro de gerações. “Bem Black” vai além de um swingue maravilhoso para dançar, é para escutar com calma, se sentir representado e celebrar a black music brasileira falando de amor.
(Veja a seguir detalhes de cada uma das 11 faixas)
FAIXA A FAIXA
O abre-alas de “Bem Black” é a faixa “Conversa gostosa”, que apresenta um personagem vivendo a paz de já ter encontrado a pessoa certa para sua vida. Essa certeza vai muito além de um beijo gostoso ou um “corpo de dar água na boca”. O mais importante é que, quando há conversa (gostosa), o casal vai além. Juntos.
“Oh só, vida, já vi que é você
Não há outra pessoa pra me entender
E, se você me deixar, vai ser só fisicamente
Permanecerá na minha mente”, diz a letra.
Nada mais justo que, em um álbum de balanço, ter uma faixa intitulada “Me balançou”. Uma verdadeira declaração de amor suingada. A faixa é a trilha sonora de um amor avassalador, aqueles encontros de química perfeita. E a letra decreta: amor que balançou desde a primeira, precisa ser pra toda vida.
“Amor, vai dizer que a gente não combina?
Se não foi amor
O que a gente fez?
Você me balançou
Te quero pra toda vida”
Em “Ai ai ai amor”, encontramos relatos de uma amor poderoso, que chega arder de tanta paixão. A letra faz sobreposições de declarações românticas e desejos carnais.
“Ai, ai, ai, amor
Felicidade é ter só nós dois
Naquele ai, ai, ai, amor
Uma, duas, três, sem cansar, vem”.
A faixa-título do álbum traduz perfeitamente a tônica de “Bem Balck”. Quando a letra fala por si só, não há mais palavras para descrever.
“Vem somar e revolucionar
Nada vai nos parar
Nem vem brincar com fogo
Vem viver, fazer acontecer
Já chega de perder, vamo virar o jogo
(...)
Tá no peito, tá no passo,
tá na pele, tá no abraço
Bem Black... Bem black...
Quando a gente luta junto, esquece”, diz a letra.
O luto de um término pode arrancar todas as esperanças de uma pessoa que acabou de se decepcionar. Mas, Sampa Crew e Thiaguinho mostram em “Vai me ver feliz” que o amor próprio pode ser a resposta para entender que seu melhor momento é o agora - quando chega a hora de se aventurar.
“Vai me ver feliz
Sorrindo na chuva sem dizer nada
Vai me ver feliz
Dançando na rua de madrugada
(...)
Ganhei tanto ao te perder
Você não imagina o quanto
No caminho do sofrer
Achei paz dentro do pranto
Brilhei na escuridão”
A regravação de “Olhos coloridos” é a cereja do bolo de um álbum que faz um mergulho profundo na tradição musical negra brasileira. Nesta versão da canção, a rainha da música preta brasileira, Sandra Sá, expõe com maestria porque é uma das vozes mais marcantes da música. A realeza participa de Bem Balck como forma de coroar um trabalho tão cuidadoso que nos é dado como presente.
Se em outros tempos a figura do “malandro” foi cantada por Elza Soares, Bezerra da Silva e Wilson Simonal, desta vez, Thiaguinho revisita o universo da “pilantragem”. “Da nossa maneira” é uma faixa que traz uma versão peculiar do malandro. Um pilantra percebe que as coisas mudaram, já que no apartamento tem o perfume dela e a saída vai ser assumir o romance porque o casal passou da “fase do talvez”. Um malandro apaixonado. Quem diria!
Em “Amo isso que a gente tem”, dueto com Gaab, o eu-lírico está decidido a resgatar um antigo romance “não é culpa mais de ninguém, eu amo isso que a gente tem”. A letra expõe um amor arrependido, louco para estar junto novamente.
“Já te perdoei, não foi legal.
Ouvi que você está tão mal.
(…)
Você foi curtir, foi sair, foi viver, foi querer ser feliz
Eu me iludi, me arrependi, aprendi
Só queria alguém pra me chamar de meu
(…)
Não é culpa mais de ninguém
Eu amo isso que a gente tem
Eu amo muito tudo isso que a gente tem”.
A faixa seguinte une em um medley duas canções clássicas da música brasileira: “Primavera” e “Coleção”. Uma faixa de homenagens. Thiaguinho traz releituras de duas canções que são clássicas no gosto do público. A eterna “Primavera” de Tim Maia e “Coleção” de Cassiano falam de amor e reforçam que a música preta é seminal na música brasileira. Se Tim Maia aqui estivesse para ouvir “Bem Black”, ele usaria sua clássica frase: “Aí que é o barato”.
Caminhando para o fim, “A rua não tá fácil” é uma faixa que retrata a vida dos solteiros, avisando que a “pista está salgada”. Melhor que se arriscar com experiências ruins, é ficar com seu amor.
No encerramento, “Entra no clima” descreve aquelas relações que pegam fogo. O clima é tão quente que, por vezes, tem bate-boca. Contudo, todas as questões são resolvidas tirando a roupa. Sobe a temperatura no encerramento da primeira parte de “Bem Black”.