Deolane processou banco após irmã ser impedida de sacar R$ 1 milhão por suspeita de lavagem

Piemonte Escrito em 22/05/2026


Polícia prende Deolane Bezerra em São Paulo O relatório da Polícia Civil de São Paulo sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro entre a advogada e influenciadora Deolane Bezzera e o Primeiro Comando da Capital (PCC) detalha o episódio de quando Dayanne Bezerra Santos, irmã de Deolane, tentou sacar R$ 1 milhão em espécie em uma agência bancária do Itaú, mas teve a operação barrada por suspeita de irregularidade. Após o episódio, Deolane processou o banco na Justiça. Nesta quinta-feira (21), uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil prendeu Deolane Bezerra em casa, na cidade de Barueri, na Grande SP. Também havia um mandado de prisão contra Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), considerado o chefe da facção, que já está preso, além de parentes dele. O caso ocorreu no dia 24 de novembro de 2023. Segundo os investigadores, os funcionários da instituição financeira barraram o saque devido à "atipicidade de uma operação daquela natureza", levantando desconfiança de que o ato configurasse lavagem de dinheiro. Na ocasião, Dayanne justificou que o montante seria utilizado para a aquisição de um imóvel. O banco chegou a oferecer a realização do pagamento por meio de transferência eletrônica, o que garantiria a rastreabilidade do recurso, mas a irmã de Deolane recusou a alternativa, consta no relatório. Diante do episódio, o Banco Itaú concedeu a Deolane e seus familiares um prazo até o dia 14 de janeiro para o encerramento definitivo de suas contas na instituição. Informações colhidas pela polícia junto à imprensa indicam que, na época, Deolane possuía cerca de R$ 10 milhões investidos no banco. E a negativa do saque levou a influenciadora a mover uma ação cível contra a instituição. A influenciadora e advogada Deolane Bezerra chega ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), na região central de São Paulo, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026. A operação do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil de São Paulo prendeu Deolane Bezerra sob suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público suspeita que a influenciadora tinha ligação com um esquema de lavagem de dinheiro estruturado por meio de uma transportadora de valores do interior de São Paulo controlado pela facção Leco Viana/The News 2/Estadão Conteúdo A citação de Dayanne no relatório reforça a tese dos investigadores de que o núcleo familiar de Deolane utiliza movimentações financeiras complexas para ocultar a origem de recursos. O relatório aponta o que considera uma incompatibilidade entre os valores declarados por Deolane no Imposto de Renda e a movimentação financeira identificada pelos investigadores. Dona de mansões e carros de luxo: quem é Deolane Bezerra Quem são os alvos da operação que prendeu Deolane e mira Marcola e parentes Veja a cronologia da operação que prendeu Deolane Bezerra Deolane Bezerra atuava como 'caixa do crime organizado', diz investigação Segundo a polícia, a influenciadora movimentou R$ 7.665.194,62 em créditos efetivos, enquanto declarou R$ 577.945,46 no Imposto de Renda, diferença apontada no documento em R$ 6.534.289,15. O documento aponta que tanto Dayanne quanto a mãe, Solange Bezerra, apresentam movimentações mensais na ordem de milhões de reais, o que seria, segundo a polícia, em "aparente dissintonia com as rendas formalmente declaradas". Dayanne Bezerra é sócia de Deolane na empresa Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, apontada no inquérito como o principal veículo de um esquema de lavagem de capitais. Ainda no relatório consta que, em ocasiões anteriores, a defesa de Deolane Bezerra e seus familiares negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas, afirmando que o patrimônio da família é fruto de atividades profissionais lícitas e de sua atuação nas redes sociais. Em postagens citadas pelo relatório, Deolane chegou a ironizar as suspeitas de ligação com o crime organizado. Procurado, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, disse que está se "inteirando dos fatos". O g1 tenta contato com a defesa de Dayanne. Operação e prisão Operação mira influenciadora Deolane Bezerra e família de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC Reprodução Segundo a investigação, o esquema de lavagem envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), controlada pela cúpula da facção criminosa, considerada a maior do país. A transportadora repassava recursos para outras contas, com o objetivo de dificultar o rastreamento de dinheiro. Duas dessas contas estão em nome de Deolane. Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20). Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa dela, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela. Também foi preso Everton de Souza (vulgo Player), indicado como operador financeiro da organização. Outros alvos da Operação Vérnix incluem o irmão de Marcola, Alejandro Camacho, e os sobrinhos dele, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, que está em Madri. No total, foram seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entenda a ligação entre Deolane Bezerra e Marcola, que levou à prisão da influenciadora O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, também afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais não foi localizada pela reportagem. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, que é considerado um filho de criação por Deolane, e um contador também foram alvos de busca e apreensão. Everton de Souza (vulgo Player) aparece nas mensagens interceptadas durante a investigação dando orientações sobre distribuição de dinheiro da transportadora de cargas controlada pela família de Marcola e indicando contas de destino, por isso, é indicado como operador financeiro da organização. Outros alvo de prisão era Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola e apontado como o destinatário do dinheiro lavado da família e que estaria na Bolívia. Marcola e Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre a nova ordem de prisão preventiva. Também foi determinado o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados. Entenda a ligação entre Deolane e Marcola, chefe do PCC, segundo a polícia