Após greve, Alesp aprova projeto para absorver funcionários da CPTM afetados pela concessão das linhas 11, 12 e 13

Piemonte Escrito em 19/08/2026


Houve uma briga entre passageiros e seguranças da CPTM. Uma mulher que aguardava transporte ajudou a separar os envolvidos. Reprodução/TV Globo A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou nesta terça-feira (18) o projeto de lei que autoriza a transferência de empregados da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) afetados pela concessão de linhas à iniciativa privada para órgãos e entidades da administração pública direta ou indireta do estado. A proposta, de autoria do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi enviada ao Legislativo após acordo que encerrou a greve dos ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade no início de agosto. A aprovação do projeto era uma das principais reivindicações da categoria durante a paralisação. Agora, o texto segue a sanção de Tarcísio. Durante a votação na Alesp, o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL), que havia apresentado proposta semelhante em 2025, agradeceu aos trabalhadores pela mobilização. "Quero agradecer aos ferroviários do estado de São Paulo por me darem, e para todo mundo, uma lição que eu tinha lido nos livros de história de que quando a classe trabalhadora decide, ela que escolhe", afirmou. O que prevê o projeto Na prática, o projeto autoriza a absorção de empregados da CPTM que atuam nas linhas concedidas à iniciativa privada por órgãos e entidades da administração pública estadual. A versão encaminhada pelo governo incluiu também os trabalhadores da Linha 10-Turquesa, que permanece sob gestão da CPTM, no caso de uma desestatização futura. Segundo os números apresentados na audiência, a Linha 10 reúne 2.171 empregados, enquanto as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade somam 2.477 trabalhadores. Na ocasião, a CPTM informou que todos os empregados permaneceriam vinculados aos quadros da companhia e que, futuramente, poderiam ser absorvidos por outros órgãos e entidades da administração pública, conforme previsto no projeto. A paralisação foi encerrada depois que os trabalhadores aprovaram, em assembleia, a proposta apresentada durante audiência de conciliação — dos 157 funcionários que participaram da votação, 131 votaram pelo encerramento da greve e 26 foram contrários. Pela ata da audiência, além do envio do projeto à Alesp, ficou definido que os termos do acordo seriam incorporados ao acordo coletivo de trabalho, a ser juntado ao processo até esta quarta-feira (19), data em que foi marcada uma nova audiência. Contexto da concessão As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram concedidas pelo governo paulista ao grupo Comporte Participações, controlador da concessionária Trivia Trens. O contrato prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões em obras, modernização da infraestrutura e ampliação da capacidade do sistema. A concessionária assumiu integralmente a operação das três linhas em 21 de julho. Nos dias seguintes, porém, passageiros enfrentaram falhas operacionais, atrasos e um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira. Diante dos problemas, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM reassumisse temporariamente a operação das três linhas por 90 dias, enquanto a concessionária realiza ajustes. Foi justamente no período de retorno provisório da estatal à operação que ocorreu a greve dos ferroviários. Além de contestar o processo de concessão das linhas à iniciativa privada, o Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil reivindicava garantias formais para os empregados da CPTM diante das mudanças na gestão do serviço. Fila para acessar o metrô em Itaquera no segundo dia de paralisação de trens da CPTM em SP Hermínio Bernardo/TV Globo CPTM diz que menos de 3% dos maquinistas compareceram ao trabalho no 2° dia de greve