As autoridades estão tomando precauções e usando roupas de proteção durante a evacuação dos passageiros do navio MV Hondius. Reuters via BBC Autoridades afirmam que estão levando muito a sério o surto de hantavírus verificado em um navio de cruzeiro transportando passageiros de várias partes do mundo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Três passageiros morreram a bordo ou depois de viajarem no navio, que saiu da Argentina um mês atrás. Quatro outros foram evacuados do navio para tratamento médico. Uma enorme operação está em curso para rastrear pessoas potencialmente expostas ao vírus, que já tomaram voos para suas casas em diversos países, como o Reino Unido, África do Sul, Holanda, Estados Unidos e Suíça. Não há registro de brasileiros a bordo, segundo a Oceanwide Expeditions, empresa operadora do cruzeiro. Os especialistas em saúde destacam que o risco para a população em geral é baixo. Mas até que ponto devemos nos preocupar? OMS confirma 5 casos de hantavírus em cruzeiro; risco de surto segue baixo 'Não é covid' Em uma atualização na quinta-feira (7/5), a médica Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS) salientou que não se trata do início de uma nova pandemia: "Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente." Ao contrário de doenças como o sarampo, altamente contagiosas e de fácil propagação, a cepa andina do hantavírus, responsável pelo surto, não é tão infecciosa. A transmissão entre seres humanos é possível, mas o risco de infecções globais permanece baixo, segundo a OMS. Ainda não se sabe ao certo como o surto começou. O hantavírus costuma ser transmitido por roedores. As pessoas se infectam respirando ar contaminado com partículas do vírus, provenientes da urina, fezes ou saliva dos animais. LEIA MAIS: Hantavírus em alta na Argentina pode indicar origem do surto em navio; entenda Pacientes que não estavam em cruzeiro têm suspeita de hantavírus O cruzeiro vinha visitando áreas selvagens remotas. Por isso, um dos passageiros pode ter entrado em contato com o vírus durante essas escalas ou antes de embarcar no navio. Especialistas já observaram a propagação da cepa andina entre pacientes humanos em surtos anteriores, por meio de contato muito próximo. E eles acreditam que algumas das infecções a bordo do MV Hondius possam ter sido causadas por transmissão entre as pessoas. Mesmo os navios de cruzeiro de luxo têm condições de habitação restritas ou limitadas, com as pessoas compartilhando cabines e áreas de alimentação. Estes são locais onde as infecções podem ter se espalhado. Até o momento, foram confirmados cinco casos de hantavírus contraídos durante o surto no navio de cruzeiro, segundo a OMS. Outros casos deverão surgir, devido ao período de incubação do vírus, que é de seis semanas. Mas uma importante autoridade de saúde fez questão de destacar: "Quero ser categórico aqui... este não é o início de uma pandemia de covid." As pessoas podem contrair o vírus de alguém com quem passem tempo prolongado, em grande proximidade física. As três mortes incluem uma mulher holandesa que desembarcou do MV Hondius durante sua escala na ilha de Santa Helena, no dia 24 de abril. Ela compartilhava a cabine com seu marido, que morreu anteriormente a bordo no dia 11. Mas não se sabe até o momento se ele é um dos casos confirmados de hantavírus. O hantavírus não se propaga no mundo externo, através do contato social, como em espaços públicos, lojas, ambientes de trabalho e escolas, segundo a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA na sigla em inglês). Como o hantavírus pode ser transmitido para seres humanos Elaboração BBC Os sintomas normalmente aparecem entre duas e quatro semanas após a exposição ao vírus, mas podem ocorrer mais de um mês depois. As pessoas ou "contatos" que podem ter sido expostas à infecção, seja no navio, no hospital ou em qualquer um dos voos tomados pelos passageiros, serão monitoradas. O trabalho de rastreamento de contatos em andamento tem sido "um esforço hercúleo", segundo o oficial de ciências chefe da UKHSA, Robin May. Ele declarou à BBC que este trabalho "irá continuar... por algum tempo". Eventuais passageiros britânicos que retornarem do navio de cruzeiro deverão permanecer isolados no Reino Unido por precaução por 45 dias, segundo a UKHSA. Já para a população em geral, não envolvida diretamente neste navio de cruzeiro, "o risco, aqui, é realmente insignificante", explica May. As pessoas infectadas com a cepa andina podem ter sintomas similares à gripe, como febre, cansaço e dores musculares. Elas também podem sofrer dificuldades respiratórias, dores de estômago, náuseas e vômitos ou diarreia. Existem testes para diagnosticar a infecção, mas não há tratamento específico, embora a assistência médica hospitalar possa aumentar a chance de sobrevivência. O tratamento é sintomático. Onde os passageiros do navio de cruzeiro estão sendo monitorados ou recebendo tratamento. Elaboração BBC A UKHSA declarou que as autoridades estão trabalhando para coordenar a chegada de cidadãos britânicos do MV Hondius ao Reino Unido. A vice-diretora de infecções emergentes e epidemias da UKHSA, Meera Chand, declarou que "é importante tranquilizar as pessoas de que o risco para a população em geral permanece muito baixo". "Estamos rastreando todas as pessoas que possam ter estado em contato com o navio ou com os pacientes de hantavírus, para limitar o risco de continuidade da transmissão." No momento, o MV Hondius está navegando em direção às ilhas Canárias, depois de ter ficado ancorado por três dias na região de Cabo Verde. O plano é que os passageiros restantes e a tripulação sigam de avião para os seus países. Autoridades locais de saúde visitaram o navio e avaliaram a situação. Os passageiros foram isolados a bordo e o navio foi limpo profundamente por profissionais, antes da evacuação planejada. LEIA MAIS: 'Não levaram o problema a sério suficiente', diz passageiro de cruzeiro com hantavírus OMS confirma cinco casos de hantavírus em cruzeiro; três pessoas a bordo morreram A Oceanwide Expeditions, operadora do navio, declarou na quinta-feira (7/5) que nenhuma das pessoas a bordo ainda exibe sintomas. Segundo a empresa, 30 passageiros, sete deles britânicos, desembarcaram quando o navio atracou em Santa Helena no dia 24 de abril. Todos eles estão sendo monitorados desde então. A UKHSA afirmou que dois cidadãos britânicos que desembarcaram do navio em Santa Helena entraram em contato com as autoridades de saúde quando souberam dos casos, depois de voarem para casa de Joanesburgo, na África do Sul. Eles não apresentam sintomas, mas se isolaram voluntariamente no Reino Unido. A UKHSA também declarou que os outros cinco britânicos que desembarcaram em Santa Helena ainda não retornaram ao Reino Unido. Nos Estados Unidos, autoridades de saúde da Geórgia e do Arizona confirmaram à BBC que estão monitorando três passageiros que retornaram ao país após o desembarque. Até o momento, nenhum deles apresenta sintomas. Qual a situação no Chile? A síndrome pulmonar por hantavírus foi reconhecida pela primeira vez em 1993, nos Estados Unidos. O Chile registrou o primeiro caso no país em 1995 e a doença exige notificação imediata e obrigatória no país. A transmissão ocorre por meio da inalação do vírus presente no ar, proveniente das fezes, urina e saliva de roedores portadores. Por isso, as pessoas que moram na zona rural são as que correm maior risco. Outras possíveis vias de transmissão são a mucosa conjuntival, nasal ou bucal, por contato com as mãos contaminadas com o vírus. Em 2026, o Chile registrou 39 casos até o dia 6 de maio. Houve 13 mortes, segundo o Ministério da Saúde do país, o que representa um índice de mortalidade de 33%. VEJA TAMBÉM: VÍDEO: OMS confirma 5 casos de hantavírus em cruzeiro; risco de surto segue baixo Os casos foram verificados na Região Metropolitana de Santiago, O'Higgins, Maule, Ñuble, Biobío, La Araucanía, Los Ríos, Los Lagos e Aysén. Não foram registrados contágios na região de Magallanes. A mortalidade da infecção pode estar relacionada a fatores próprios de cada paciente e à rapidez do diagnóstico. Isso reforça a importância de consultar um médico o mais rápido possível, frente a qualquer sintoma compatível. Em caso de febre, dores musculares ou dificuldade para respirar, com antecedentes de exposição em zonas rurais, silvestres ou trabalho ao ar livre, deve-se consultar imediatamente o médico e informar o local visitado. O Ministério da Saúde do Chile mantém vigente um alerta epidemiológico desde janeiro deste ano, reforçando a vigilância para que todas as equipes de saúde do país alertem rapidamente sobre os casos, além de intensificar a comunicação de risco. A cepa andina é o único agente etiológico confirmado de hantavírus humano no Chile. Seu portador é o rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus), uma espécie que habita desde o deserto do Atacama, no norte, até o estreito de Magalhães, no sul do Chile, e também é encontrado na Argentina. Diferentemente de outros hantavírus, a cepa andina pode ser excepcionalmente transmitida entre as pessoas, mediante contato próximo e prolongado. No Chile, o último caso deste tipo documentado data de 2019 e foi uma situação pontual e controlada.
Devemos nos preocupar com o hantavírus que já matou 3 pessoas a bordo de navio?
Piemonte Escrito em 08/05/2026
As autoridades estão tomando precauções e usando roupas de proteção durante a evacuação dos passageiros do navio MV Hondius. Reuters via BBC Autoridades afirmam que estão levando muito a sério o surto de hantavírus verificado em um navio de cruzeiro transportando passageiros de várias partes do mundo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Três passageiros morreram a bordo ou depois de viajarem no navio, que saiu da Argentina um mês atrás. Quatro outros foram evacuados do navio para tratamento médico. Uma enorme operação está em curso para rastrear pessoas potencialmente expostas ao vírus, que já tomaram voos para suas casas em diversos países, como o Reino Unido, África do Sul, Holanda, Estados Unidos e Suíça. Não há registro de brasileiros a bordo, segundo a Oceanwide Expeditions, empresa operadora do cruzeiro. Os especialistas em saúde destacam que o risco para a população em geral é baixo. Mas até que ponto devemos nos preocupar? OMS confirma 5 casos de hantavírus em cruzeiro; risco de surto segue baixo 'Não é covid' Em uma atualização na quinta-feira (7/5), a médica Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS) salientou que não se trata do início de uma nova pandemia: "Isso não é covid, não é influenza, e se propaga de forma muito, muito diferente." Ao contrário de doenças como o sarampo, altamente contagiosas e de fácil propagação, a cepa andina do hantavírus, responsável pelo surto, não é tão infecciosa. A transmissão entre seres humanos é possível, mas o risco de infecções globais permanece baixo, segundo a OMS. Ainda não se sabe ao certo como o surto começou. O hantavírus costuma ser transmitido por roedores. As pessoas se infectam respirando ar contaminado com partículas do vírus, provenientes da urina, fezes ou saliva dos animais. LEIA MAIS: Hantavírus em alta na Argentina pode indicar origem do surto em navio; entenda Pacientes que não estavam em cruzeiro têm suspeita de hantavírus O cruzeiro vinha visitando áreas selvagens remotas. Por isso, um dos passageiros pode ter entrado em contato com o vírus durante essas escalas ou antes de embarcar no navio. Especialistas já observaram a propagação da cepa andina entre pacientes humanos em surtos anteriores, por meio de contato muito próximo. E eles acreditam que algumas das infecções a bordo do MV Hondius possam ter sido causadas por transmissão entre as pessoas. Mesmo os navios de cruzeiro de luxo têm condições de habitação restritas ou limitadas, com as pessoas compartilhando cabines e áreas de alimentação. Estes são locais onde as infecções podem ter se espalhado. Até o momento, foram confirmados cinco casos de hantavírus contraídos durante o surto no navio de cruzeiro, segundo a OMS. Outros casos deverão surgir, devido ao período de incubação do vírus, que é de seis semanas. Mas uma importante autoridade de saúde fez questão de destacar: "Quero ser categórico aqui... este não é o início de uma pandemia de covid." As pessoas podem contrair o vírus de alguém com quem passem tempo prolongado, em grande proximidade física. As três mortes incluem uma mulher holandesa que desembarcou do MV Hondius durante sua escala na ilha de Santa Helena, no dia 24 de abril. Ela compartilhava a cabine com seu marido, que morreu anteriormente a bordo no dia 11. Mas não se sabe até o momento se ele é um dos casos confirmados de hantavírus. O hantavírus não se propaga no mundo externo, através do contato social, como em espaços públicos, lojas, ambientes de trabalho e escolas, segundo a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA na sigla em inglês). Como o hantavírus pode ser transmitido para seres humanos Elaboração BBC Os sintomas normalmente aparecem entre duas e quatro semanas após a exposição ao vírus, mas podem ocorrer mais de um mês depois. As pessoas ou "contatos" que podem ter sido expostas à infecção, seja no navio, no hospital ou em qualquer um dos voos tomados pelos passageiros, serão monitoradas. O trabalho de rastreamento de contatos em andamento tem sido "um esforço hercúleo", segundo o oficial de ciências chefe da UKHSA, Robin May. Ele declarou à BBC que este trabalho "irá continuar... por algum tempo". Eventuais passageiros britânicos que retornarem do navio de cruzeiro deverão permanecer isolados no Reino Unido por precaução por 45 dias, segundo a UKHSA. Já para a população em geral, não envolvida diretamente neste navio de cruzeiro, "o risco, aqui, é realmente insignificante", explica May. As pessoas infectadas com a cepa andina podem ter sintomas similares à gripe, como febre, cansaço e dores musculares. Elas também podem sofrer dificuldades respiratórias, dores de estômago, náuseas e vômitos ou diarreia. Existem testes para diagnosticar a infecção, mas não há tratamento específico, embora a assistência médica hospitalar possa aumentar a chance de sobrevivência. O tratamento é sintomático. Onde os passageiros do navio de cruzeiro estão sendo monitorados ou recebendo tratamento. Elaboração BBC A UKHSA declarou que as autoridades estão trabalhando para coordenar a chegada de cidadãos britânicos do MV Hondius ao Reino Unido. A vice-diretora de infecções emergentes e epidemias da UKHSA, Meera Chand, declarou que "é importante tranquilizar as pessoas de que o risco para a população em geral permanece muito baixo". "Estamos rastreando todas as pessoas que possam ter estado em contato com o navio ou com os pacientes de hantavírus, para limitar o risco de continuidade da transmissão." No momento, o MV Hondius está navegando em direção às ilhas Canárias, depois de ter ficado ancorado por três dias na região de Cabo Verde. O plano é que os passageiros restantes e a tripulação sigam de avião para os seus países. Autoridades locais de saúde visitaram o navio e avaliaram a situação. Os passageiros foram isolados a bordo e o navio foi limpo profundamente por profissionais, antes da evacuação planejada. LEIA MAIS: 'Não levaram o problema a sério suficiente', diz passageiro de cruzeiro com hantavírus OMS confirma cinco casos de hantavírus em cruzeiro; três pessoas a bordo morreram A Oceanwide Expeditions, operadora do navio, declarou na quinta-feira (7/5) que nenhuma das pessoas a bordo ainda exibe sintomas. Segundo a empresa, 30 passageiros, sete deles britânicos, desembarcaram quando o navio atracou em Santa Helena no dia 24 de abril. Todos eles estão sendo monitorados desde então. A UKHSA afirmou que dois cidadãos britânicos que desembarcaram do navio em Santa Helena entraram em contato com as autoridades de saúde quando souberam dos casos, depois de voarem para casa de Joanesburgo, na África do Sul. Eles não apresentam sintomas, mas se isolaram voluntariamente no Reino Unido. A UKHSA também declarou que os outros cinco britânicos que desembarcaram em Santa Helena ainda não retornaram ao Reino Unido. Nos Estados Unidos, autoridades de saúde da Geórgia e do Arizona confirmaram à BBC que estão monitorando três passageiros que retornaram ao país após o desembarque. Até o momento, nenhum deles apresenta sintomas. Qual a situação no Chile? A síndrome pulmonar por hantavírus foi reconhecida pela primeira vez em 1993, nos Estados Unidos. O Chile registrou o primeiro caso no país em 1995 e a doença exige notificação imediata e obrigatória no país. A transmissão ocorre por meio da inalação do vírus presente no ar, proveniente das fezes, urina e saliva de roedores portadores. Por isso, as pessoas que moram na zona rural são as que correm maior risco. Outras possíveis vias de transmissão são a mucosa conjuntival, nasal ou bucal, por contato com as mãos contaminadas com o vírus. Em 2026, o Chile registrou 39 casos até o dia 6 de maio. Houve 13 mortes, segundo o Ministério da Saúde do país, o que representa um índice de mortalidade de 33%. VEJA TAMBÉM: VÍDEO: OMS confirma 5 casos de hantavírus em cruzeiro; risco de surto segue baixo Os casos foram verificados na Região Metropolitana de Santiago, O'Higgins, Maule, Ñuble, Biobío, La Araucanía, Los Ríos, Los Lagos e Aysén. Não foram registrados contágios na região de Magallanes. A mortalidade da infecção pode estar relacionada a fatores próprios de cada paciente e à rapidez do diagnóstico. Isso reforça a importância de consultar um médico o mais rápido possível, frente a qualquer sintoma compatível. Em caso de febre, dores musculares ou dificuldade para respirar, com antecedentes de exposição em zonas rurais, silvestres ou trabalho ao ar livre, deve-se consultar imediatamente o médico e informar o local visitado. O Ministério da Saúde do Chile mantém vigente um alerta epidemiológico desde janeiro deste ano, reforçando a vigilância para que todas as equipes de saúde do país alertem rapidamente sobre os casos, além de intensificar a comunicação de risco. A cepa andina é o único agente etiológico confirmado de hantavírus humano no Chile. Seu portador é o rato-de-cauda-longa (Oligoryzomys longicaudatus), uma espécie que habita desde o deserto do Atacama, no norte, até o estreito de Magalhães, no sul do Chile, e também é encontrado na Argentina. Diferentemente de outros hantavírus, a cepa andina pode ser excepcionalmente transmitida entre as pessoas, mediante contato próximo e prolongado. No Chile, o último caso deste tipo documentado data de 2019 e foi uma situação pontual e controlada.
