Encontros, pedido de ajuda: o que mostram as mensagens entre Vorcaro e Moraes A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu uma apuração sobre a conduta da Polícia Federal (PF) na produção do relatório que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. "Informo a Vossa Excelência que, na forma do despacho que encaminho, determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, resultado será, em tempo adequado, noticiado à Corte", escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado no relatório. A PGR afirma que a PF terá que esclarecer, por exemplo, “quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”. 🔎 A medida faz parte do chamado controle de externo da polícia, que é uma atribuição do Ministério Público Federal e foi tomada na esteira do pedido de esclarecimentos feito pelo presidente do STF, Edson Fachin, sobre a produção do material. A procuradoria alegou que não foi comunicada sobre a determinação de Mendonça. "No trâmite analisado, não foi dado espaço à manifestação da Pocuradoria-Geral da República. Ao revés, a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”, afirmou. Gonet respondeu a uma determinação de Fachin para fornecer informações sobre o caso, que era relatado por Mendonça, e agora está sob o comando do presidente do STF. Alexandre de Moraes (à esquerda), ministro do Supremo Tribunal, e Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Getty Images/Banco Master via BBC Crise Master no STF Na última terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expõe mensagens e contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. 🔎 Moraes, Andrei e Gonet foram citados por Daniel Vorcaro em mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master. Trocas de mensagens entre Moraes, do STF, e Vorcaro sinalizam que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. Mendonça sugeriu na mesma decisão que os elementos constantes dos relatórios da PF sobre o caso fossem avaliados pelo plenário da Corte. Após a divulgação das informações, o relator também determinou que a PGR desse seu parecer sobre o tema. O procurador Paulo Gonet – mencionado nos relatórios publicizados por Mendonça – afirmou que a investigação é nula e não poderia ter sido feita sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF. Encontros citados no relatório da PF De acordo com o documento, as conversas indicam compromissos pessoais, reuniões em residências privadas e eventos no Brasil e no exterior: 13 de março de 2024: Fábio Faria e Vorcaro tratam do agendamento de uma conversa para "tomar um whisky" com Moraes (citado como "Alex") no início da noite. O encontro acabou remarcado diante de um choque com a agenda de Vorcaro. 17 de abril de 2024: Faria pede o endereço da residência de Vorcaro em Brasília (no Lago Sul) para repassar a "Alex", afirmando que apagaria as mensagens em seguida. 17 de julho de 2024: Mensagens de Fábio Faria confirmam um encontro com "Alexandre" (também chamado de "Careca") por volta das 19h30. 5 de novembro de 2024: Em diálogo com a filha, Vorcaro relata: "To com alexandre moraes". 26 de fevereiro de 2025: Um motorista de Vorcaro em Brasília envia mensagem avisando o empresário que o "Min Alexandre chegou" à residência. 19 e 20 de março de 2025: Vorcaro informa à namorada e a um diretor do Banco Central que estava reunido com o ministro. O encontro, segundo a PF, avançou pela madrugada do dia 20 com a chegada de outros parlamentares e lideranças políticas à residência. 19 de abril de 2025: Vorcaro avisa que está saindo para encontrar Alexandre de Moraes durante o feriado, em local próximo à sua casa. O relatório indica que o encontro ocorreu na região de Campos do Jordão (SP). 29 de abril de 2025: O banqueiro volta a relatar à namorada que está reunido com "alexandre". 21 de maio de 2025: Vorcaro diz estar em casa com "Ciro e alexandre". 8 de agosto de 2025: Em mensagens, o empresário afirma que deixaria de viajar naquela data porque estava "c alexandre" antes de uma reunião com Ciro. Organização de eventos e viagens O relatório da PF também descreve mensagens relativas à interlocução sobre eventos internacionais, em especial o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master, além de tratativas preliminares para uma edição em 2025 que acabou cancelada. Nas conversas anexadas ao inquérito, assessores e interlocutores discutem convites a autoridades, programação dos painéis, logística de transporte para ministros do STF e sugestões sobre a cobertura das atividades. Os diálogos estão em um relatório enviado pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
PGR informa Fachin que vai apurar conduta da PF na produção do relatório que apontou uma relação entre Moraes e Vorcaro
Piemonte Escrito em 05/09/2026
Encontros, pedido de ajuda: o que mostram as mensagens entre Vorcaro e Moraes A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu uma apuração sobre a conduta da Polícia Federal (PF) na produção do relatório que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. "Informo a Vossa Excelência que, na forma do despacho que encaminho, determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, resultado será, em tempo adequado, noticiado à Corte", escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado no relatório. A PGR afirma que a PF terá que esclarecer, por exemplo, “quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”. 🔎 A medida faz parte do chamado controle de externo da polícia, que é uma atribuição do Ministério Público Federal e foi tomada na esteira do pedido de esclarecimentos feito pelo presidente do STF, Edson Fachin, sobre a produção do material. A procuradoria alegou que não foi comunicada sobre a determinação de Mendonça. "No trâmite analisado, não foi dado espaço à manifestação da Pocuradoria-Geral da República. Ao revés, a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”, afirmou. Gonet respondeu a uma determinação de Fachin para fornecer informações sobre o caso, que era relatado por Mendonça, e agora está sob o comando do presidente do STF. Alexandre de Moraes (à esquerda), ministro do Supremo Tribunal, e Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Getty Images/Banco Master via BBC Crise Master no STF Na última terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expõe mensagens e contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. 🔎 Moraes, Andrei e Gonet foram citados por Daniel Vorcaro em mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master. Trocas de mensagens entre Moraes, do STF, e Vorcaro sinalizam que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. Mendonça sugeriu na mesma decisão que os elementos constantes dos relatórios da PF sobre o caso fossem avaliados pelo plenário da Corte. Após a divulgação das informações, o relator também determinou que a PGR desse seu parecer sobre o tema. O procurador Paulo Gonet – mencionado nos relatórios publicizados por Mendonça – afirmou que a investigação é nula e não poderia ter sido feita sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF. Encontros citados no relatório da PF De acordo com o documento, as conversas indicam compromissos pessoais, reuniões em residências privadas e eventos no Brasil e no exterior: 13 de março de 2024: Fábio Faria e Vorcaro tratam do agendamento de uma conversa para "tomar um whisky" com Moraes (citado como "Alex") no início da noite. O encontro acabou remarcado diante de um choque com a agenda de Vorcaro. 17 de abril de 2024: Faria pede o endereço da residência de Vorcaro em Brasília (no Lago Sul) para repassar a "Alex", afirmando que apagaria as mensagens em seguida. 17 de julho de 2024: Mensagens de Fábio Faria confirmam um encontro com "Alexandre" (também chamado de "Careca") por volta das 19h30. 5 de novembro de 2024: Em diálogo com a filha, Vorcaro relata: "To com alexandre moraes". 26 de fevereiro de 2025: Um motorista de Vorcaro em Brasília envia mensagem avisando o empresário que o "Min Alexandre chegou" à residência. 19 e 20 de março de 2025: Vorcaro informa à namorada e a um diretor do Banco Central que estava reunido com o ministro. O encontro, segundo a PF, avançou pela madrugada do dia 20 com a chegada de outros parlamentares e lideranças políticas à residência. 19 de abril de 2025: Vorcaro avisa que está saindo para encontrar Alexandre de Moraes durante o feriado, em local próximo à sua casa. O relatório indica que o encontro ocorreu na região de Campos do Jordão (SP). 29 de abril de 2025: O banqueiro volta a relatar à namorada que está reunido com "alexandre". 21 de maio de 2025: Vorcaro diz estar em casa com "Ciro e alexandre". 8 de agosto de 2025: Em mensagens, o empresário afirma que deixaria de viajar naquela data porque estava "c alexandre" antes de uma reunião com Ciro. Organização de eventos e viagens O relatório da PF também descreve mensagens relativas à interlocução sobre eventos internacionais, em especial o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master, além de tratativas preliminares para uma edição em 2025 que acabou cancelada. Nas conversas anexadas ao inquérito, assessores e interlocutores discutem convites a autoridades, programação dos painéis, logística de transporte para ministros do STF e sugestões sobre a cobertura das atividades. Os diálogos estão em um relatório enviado pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
