Formalização abre portas: pequenos negócios ampliam renda, segurança e presença em novos mercados

Piemonte Escrito em 18/05/2026


O MEI simplifica o começo, mas é a organização que impulsiona o crescimento do negócio. Foto: Acervo pessoal de Raphael Muniz Empreender vem se consolidando como uma escolha estratégica e de vida para o brasileiro, indo além de uma alternativa ao desemprego. Segundo o relatório Empreendedorismo no Brasil 2025, do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), ter o próprio negócio é o segundo maior sonho da população adulta entre 18 e 64 anos. E, para muitos, o objetivo tem se tornado realidade. Em 2026, o Brasil registrou a formalização de quase 1,6 milhão de empresas apenas no primeiro trimestre. Desse total, mais de 1,2 milhão (76,4%) são Microempreendedores Individuais (MEI). Em 2017, Raphael da Silva Muniz, de 32 anos, morador de Nova Friburgo (RJ), também abriu seu MEI. Como gerente de uma casa de festas infantis, Raphael enxergou a oportunidade na produção de lembrancinhas personalizadas em MDF. Ousado, comprou uma máquina e apostou suas fichas nesse mercado, mesmo sem nenhum contato anterior. Após três meses produzindo nos fundos de casa, deixou o emprego para se dedicar totalmente ao negócio. De ouvido atento aos clientes, passou também a produzir em acrílico — sua principal matéria-prima hoje. Assim, o que nasceu como renda extra, hoje alcança todo o Brasil. Raphael está à frente da fábrica Inova a Laser e da marca In Store ao lado da esposa e sócia, Vitória Bernardo e Souza, que lidera o marketing. Juntos, produzem itens personalizados para diversos segmentos, com destaque para o mercado de saúde, beleza e estética. Vale a pena formalizar um pequeno negócio? A dúvida é válida, especialmente para quem ainda enxerga o negócio como uma renda complementar. A resposta é: sim! Formalizar vale a pena, começando pela renda. Raphael Muniz conta que sentiu essa mudança na prática. Após abrir o CNPJ, passou a emitir notas fiscais e conquistar clientes maiores, como uma cervejaria local que saiu de 20 pedidos pontuais para encomendas de mil caixas personalizadas. “Conseguimos pedidos maiores e clientes maiores também. Isso nos fez entender que não era só mais um extra”, relembra. Dados do Data Sebrae referentes ao quarto trimestre de 2024 mostram que donos de negócios formais recebem, em média, R$ 6.117 por mês, enquanto trabalhadores informais registram rendimento médio de R$ 2.115. Espelhos de mão, bandejas, organizadores, caixas e placas de comunicação visual são os personalizados mais vendidos pelo casal Foto: Acervo de Raphael Muniz Cristiano Faquini, analista de inteligência de mercado e da Unidade de Relacionamento com Cliente do Sebrae, lista mais vantagens atreladas ao pagamento mensal do MEI: regularização jurídica do negócio, acesso a descontos, pagamento simplificado e redução de impostos, além de cobertura previdenciária. “Certa vez atendi um pintor, no balcão de atendimento do Sebrae, que sofreu um acidente de moto e ficou por volta de cinco meses sem trabalhar. Como ele era MEI, entrou em contato com o INSS e recebeu um salário-mínimo durante esse período. Quando se recuperou, voltou a trabalhar e a receber normalmente", conta Faquini. Fernanda Pereira Cavalcante, gestora nacional de mobilizações e analista da Unidade de Relacionamento com Cliente do Sebrae, reforça o incentivo. “Não há por que o empreendedor trabalhar na informalidade. Há benefícios como auxílio-doença e, para a mulher, licença-maternidade. Inclusive, hoje existem iniciativas do próprio governo federal em que o MEI é convidado a prestar serviços para esferas estaduais e municipais”. A iniciativa governamental mencionada pela gestora é a Contrata+Brasil. Para apoiar os microempreendedores nesse processo, o Sebrae oferece o curso Contrata+Brasil na prática, que mostra como o MEI pode se cadastrar, acessar oportunidades e prestar serviços ao Governo com mais segurança e menos burocracia. Saiba como participar. Escala, expansão e reconhecimento A formalização também pode abrir caminho para novos mercados. Em 2023, o casal viu o faturamento da fábrica multiplicar por dez quando Vitória teve a ideia de levar os personalizados para marketplaces. Em um mês, o crescimento acelerado exigiu mudanças: a equipe saltou de três para quase 30 funcionários, e a Inova a Laser deixou um espaço de 35 m² para operar em um galpão de 100 m². No ano seguinte, o negócio mudou para o regime de Empresa de Pequeno Porte (EPP) e a produção passou a ter escala industrial na atual sede, de 1.000 m². Em 2025, Raphael participou da Missão China, iniciativa do programa ProGlobal. Com subsídio de 80% do Sebrae, o empreendedor mergulhou numa imersão de 15 dias no país, voltada à inovação e indústria. Durante a viagem, conheceu novas tecnologias, modelos de negócio e se inspirou na velocidade de desenvolvimento aliada à alta qualidade dos chineses. Hoje, o empreendedor mantém contato com fornecedores do país asiático para a importação de insumos e já deu os primeiros passos, exportando para países como EUA, Suíça e Emirados Árabes Unidos. A empresa também se prepara para ampliar a presença em plataformas globais de e-commerce. O movimento de expansão para além do mercado local não é exclusivo da Inova a Laser e In Store. Assim como Raphael e Vitória, um empreendedor de Minas Gerais saiu da informalidade para o registro como MEI e hoje atua como EPP. À frente da Queijo D’Alagoa-MG, Osvaldo Martins de Barros Filho foi pioneiro na venda de queijo artesanal pela internet em 2009. A profissionalização do negócio e a busca por excelência renderam mais de 80 prêmios nacionais e internacionais, incluindo uma medalha de ouro na França. Assista à história! Do MEI ao reconhecimento mundial: conheça a jornada de Osvaldo Próximos passos Faturando cerca de R$ 4 milhões por ano, a inovação já faz parte da rotina de Raphael e Vitória. “Usamos inteligência artificial no design para ajudar a melhorar a qualidade das imagens que recebemos dos clientes”, conta Raphael. Os próximos passos, segundo Vitória, são automatizar e agilizar o atendimento com IA para aumentar a conversão de vendas e responder perguntas frequentes por 24 horas. Após investir em novos maquinários, o casal também se prepara para entrar em outro segmento: a produção de peças em metal e inox, como bandejas e potes personalizados. Para o especialista Faquini, a inovação e a inteligência artificial também são pilares da gestão estratégica do MEI que deseja crescer, ao lado de planejamento, marketing, vendas e organização financeira. Todos esses temas estarão no centro da Semana do MEI 2026, que acontece entre os dias 25 e 29 de maio em todo o Brasil. O evento é voltado para quem é MEI ou ainda deseja abrir ou formalizar um negócio. Antes disso, o Sebrae promove palestras no Esquenta Semana do MEI. A partir da terça-feira (19/05), grandes nomes como Zica Assis, Thiago Godoy, Gil Giardelli e Ana Tex vão compartilhar experiências em palestras on-line apenas para quem fizer a inscrição. Além das atividades on-line, a Semana do MEI promove atividades presenciais em todos os estados do país. Confira a agenda completa e encontre os eventos do seu estado aqui. Ficou inspirado, mas não sabe por onde começar? O Sebrae separou quatro passos para quem quer escalar seu negócio, passando pelo MEI e indo além. Confira! Jornada do MEI: da ideia à gestão divulgação