Antisséptico vendido no lugar de medicamento para exame de colonoscopia mata mulher em MG

Piemonte Escrito em 17/01/2026


Inquérito foi concluído pela Polícia Civil nesta sexta-feira (16) Polícia Civil/Divulgação A morte de uma mulher de 59 anos em Patrocínio, no Alto Paranaíba, foi causada pela ingestão de ácido bórico, um antisséptico, vendido por engano como manitol, um laxante usado na preparação para exames de colonoscopia, segundo a Polícia Civil. A conclusão do inquérito foi divulgada na sexta-feira (16). De acordo com a investigação, o caso ocorreu em junho de 2025 e também deixou outras seis pessoas intoxicadas. A Polícia Civil afirmou que a substância tóxica foi comercializada por uma farmácia de manipulação, que vendeu dez frascos de ácido bórico no lugar do manitol, provocando um quadro de intoxicação exógena nas vítimas. O nome da farmácia não foi informado e, por isso, não foi possível contato com a defesa do estabelecimento. 🔍O ácido bórico é uma substância tóxica, utilizada como antisséptico e antifúngico. Ele se apresenta como um pó branco, incolor e inodoro. A ingestão pode causar acidose metabólica, insuficiência renal aguda e choque, entre outras complicações graves. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Intoxicação Conforme o inquérito, sete pessoas procuraram atendimento médico após ingerirem o produto usado em exames de colonoscopia. Todas compraram o medicamento na mesma farmácia. A mulher teve agravamento do quadro clínico e morreu no dia 13 de junho de 2025. As outras vítimas receberam atendimento médico e sobreviveram. Investigação Segundo a Polícia Civil, o erro ocorreu durante o fracionamento da substância dentro da farmácia. Um funcionário utilizou ácido bórico no lugar do manitol e fracionou dez frascos sem conferir corretamente as etiquetas. Câmeras de monitoramento mostraram quando produto foi retirado e preparado para venda. A perícia técnica apreendeu frascos manipulados pela farmácia e confirmou, por meio de análise, a presença de ácido bórico nos produtos comercializados. LEIA TAMBÉM: Quatro são internados após comerem ‘falsa couve’ 'Falsa couve': o que se sabe sobre a família intoxicada Como diferenciar 'falsa couve' da verdadeira Indiciamentos Durante a investigação, os farmacêuticos responsáveis pela farmácia foram ouvidos e confirmaram que o funcionário era encarregado do fracionamento dos produtos, atividade que deveria ocorrer sob supervisão técnica. A Polícia Civil concluiu que houve falhas na gestão do laboratório, com ausência de fiscalização adequada por parte dos responsáveis técnicos. Ao final do inquérito, o funcionário foi indiciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa contra outras cinco vítimas. Já os farmacêuticos responsáveis foram indiciados por homicídio culposo majorado e lesão corporal culposa majorada, devido à omissão no dever de fiscalização. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário. ASSISTA: Quatro pessoas são hospitalizadas após intoxicação por falsa couve Quatro pessoas são hospitalizadas após intoxicação por falsa couve em Santa Vitória VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas