Em 1954, o Exército de Libertação da CIA retratava o então presidente da Guatemala, Jacobo Árbenz, como uma marionete da União Soviética Bettmann Archive via Getty Images Em 1954, a empresa United Fruit Company (UFC) convenceu o presidente americano Dwight D. Eisenhower (1890-1969) a derrubar o presidente democraticamente eleito da Guatemala, Jacobo Árbenz (1913-1971). As ondas de choque reverberaram pela América Latina por décadas. Agora, especialistas buscam naquele golpe de Estado as raízes da "Doutrina Donroe", invocada pelo presidente americano Donald Trump para justificar a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O golpe na Guatemala contou com o apoio da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) e foi precipitado por uma poderosa multinacional americana, que ganhou a maior parte do seu dinheiro vendendo bananas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "A companhia era tão poderosa na Guatemala e nos países vizinhos que recebeu o apelido de 'polvo', pois seus tentáculos estavam por toda parte", conta Grace Livingstone, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com sede em Boston, no Estado americano de Massachusetts, a UFC não tinha laços oficiais com o governo Eisenhower. Mas, quando Árbenz propôs a desapropriação e redistribuição de terras ainda não cultivadas em grandes fazendas, para combater a pobreza crônica da população, a empresa fez intenso lobby em Washington, usando os temores da Guerra Fria (1947-1991) para retratar a Guatemala como um país vulnerável à influência da União Soviética (1922-1991). "Árbenz iria pagar uma compensação bastante generosa — o dobro do preço pago pela United Fruit", explica Livingstone. "Mas a companhia... não estava satisfeita com o valor." Quando chegou ao poder, em 1950, Árbenz declarou que sua intenção era transformar a Guatemala, de uma sociedade feudal, para uma economia capitalista moderna. Mas, mesmo assim, Eisenhower concordou com a intervenção. A crença do presidente Donald Trump em esferas globais é fundamental para compreender sua Doutrina Donroe Chip Somodevilla via Getty Images (BBC) A justificativa de Eisenhower era baseada na Doutrina Monroe. No início do século 19, o presidente americano James Monroe (1758-1831) declarou que o hemisfério ocidental deveria se libertar da influência das potências europeias. Sua declaração foi um alerta defensivo, para que os outros países ficassem de fora do que os Estados Unidos consideravam seus assuntos regionais. Mas, em 1904, o presidente Theodore Roosevelt (1858-1919) revisitou e atualizou aquela política, fazendo dela "uma justificativa explícita das intervenções militares dos Estados Unidos na região", segundo Livingstone. E a Doutrina Donroe de Trump também segue explicitamente esta linha, para justificar suas ameaças à Venezuela, Groenlândia e Irã. "Antes da captura de Maduro, ele anunciou a implementação do corolário de Trump, restabelecendo todas as justificativas doutrinárias para a intervenção americana no hemisfério que conhecíamos até então", explica Jon Lee Anderson, da revista The New Yorker. A United Fruit Company dominou a indústria e a mão de obra guatemalteca nos anos 1950 Bettmann Archive via Getty Images Esta "lógica de esferas" é "o centro da visão de Trump sobre a ordem mundial... e, em parte, é uma consequência da sua aversão de longa data ao globalismo, multilateralismo, formação de alianças e guerras eternas em países distantes", segundo o pesquisador Stewart Patrick, diretor do Programa de Instituições e Ordem Global da Fundação Carnegie para a Paz Internacional. Trump declarou no ano passado que o objetivo da nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos é "proteger o comércio, o território e os recursos que são fundamentais para a nossa segurança nacional". Desde então, ele enfatizou que a "dominância americana" é fundamental e que aplicará o máximo de pressão ideológica, psicológica e militar para proteger os interesses dos Estados Unidos. Na Venezuela e no Irã, esses interesses giram em torno do petróleo, segundo Anderson, e a ameaça de que a China tenha acesso a ele antes dos Estados Unidos. A Groenlândia também detém recursos preciosos. E Trump quer garantir esses recursos antes que os adversários de Washington tomem conta deles. Na Guatemala dos anos 1950, a questão era ideológica, aliada à rivalidade com a Rússia durante a Guerra Fria e às bananas. Mas, como as justificativas, as táticas permaneceram as mesmas. O presidente guatemalteco Jacobo Árbenz (esq.) foi forçado a se exilar no México, quando foi derrubado pela CIA Bettmann Archive via Getty Images "Da mesma forma que observamos recentemente na Venezuela, houve uma concentração militar em torno da Guatemala", explica Livingstone. "Eisenhower anunciou o envio de dois submarinos para o sul, eles enviaram aviões bombardeiros para a vizinha Nicarágua e começaram a interceptar navios guatemaltecos nos mares em torno do país. Ou seja, há muitas semelhanças com a Venezuela." A CIA lançou folhetos sobre a Guatemala, alertando sobre uma enorme invasão. A agência usou desenhos para chegar à população, em grande parte analfabeta. Ela montou também uma rádio clandestina, que afirmava transmitir de dentro do país. Mas especialistas afirmam que seus sinais, na maioria das vezes, vinham de fora das fronteiras guatemaltecas. A emissora transmitia em espanhol e se chamava La Voz de la Liberación. "Na estação de rádio da CIA, eles afirmavam que milhares de pessoas estavam entrando para as forças mercenárias", segundo Livingstone. "Mas, quando eles cruzaram a fronteira, não houve levantes espontâneos." "Em apoio a essa suposta invasão, a CIA começou a bombardear locais estratégicos em toda a Guatemala e na própria capital. A agência chegou a lançar um bombardeio massivo sobre quartéis militares e reproduzir o som das bombas na estação de rádio. A intenção era desmoralizar as pessoas e o exército." O resultado foi que os líderes militares guatemaltecos, acreditando que não poderiam deter a invasão, pressionaram Árbenz a renunciar. E acabaram convencendo o presidente. A Groenlândia é considerada um dos principais alvos da doutrina Donroe, do presidente americano Donald Trump Sean Gallup via Getty Images De volta ao século 21, a Groenlândia (e, por extensão, a Dinamarca) foi objeto de ameaças diretas de Trump nas redes sociais. As postagens incluíram seus planos de anexar o território e impor medidas econômicas punitivas para quem apresentasse resistência. Paralelamente, no Irã, a pressão psicológica se intensificou, com ameaças de severas ações militares para forçar a obediência, instilar o medo e proteger os interesses americanos. "Uma armada massiva está se dirigindo ao Irã", postou Trump nas redes sociais. "Como na Venezuela, ela está pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente sua missão, com velocidade e violência, se for necessário." O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi forçado a viajar para Nova York, após ser capturado pelas forças americanas Michael Nagle/Bloomberg via Getty Images Poucas semanas após a queda de Árbenz, ele foi forçado a se exilar do país. "No aeroporto, o novo regime o forçou a ser revistado de cima a baixo, até as cuecas, frente ao escárnio da multidão", conta Livingstone. "Em seguida, ele foi colocado na aeronave." Mais de 70 anos depois, Maduro foi forçado a viajar para Nova York, depois de ser capturado pelas forças americanas. "Primeiramente, vimos as imagens do bombardeio de Caracas", relembra Anderson. "Em seguida, vimos Maduro algemado, acompanhado por militares e humilhado. Isso faz parte do padrão." Analistas como Mike Crawley, da TV pública canadense CBC News, destacam que a postura de Trump em relação à Groenlândia também se baseia na política visual. Anúncios nas redes sociais, visitas de Estado canceladas e imagens provocadoras reafirmam a dominância e reprimem a capacidade de ação de Estados menores. Ameaça de longo prazo O argumento habitual de alguns apoiadores das intervenções americanas é que apenas ditadores e governantes que demonstrem desprezo pela democracia ou pela segurança dos Estados Unidos teriam algo a temer. Mas diversos observadores discordam. "A Guatemala mostra que os Estados Unidos estavam dispostos a derrubar um governo democraticamente eleito", segundo Livingstone. "E, desde que foi proclamada a Doutrina Monroe, os Estados Unidos intervieram na América Latina mais de 80 vezes." "Trump está reassumindo a doutrina na sua forma mais aguda", afirma ele. Mas os eventos que se seguiram à intervenção dos Estados Unidos na Guatemala podem ser um motivo de preocupação para o presidente americano. Após a queda do presidente Árbenz, seguiram-se décadas de violência e instabilidade no país. Governos autoritários (e, mais tarde, cartéis de drogas) exploraram o vazio de poder para estabelecer profunda presença e levar narcóticos e refugiados desesperados através das fronteiras dos Estados Unidos. Observadores afirmam que este fato gerou uma ameaça de longo prazo aos interesses americanos, que foi maior que a reforma agrária ou os temores de influência comunista, utilizados para justificar a intervenção na Guatemala em 1954. Presidente interina da Venezuela diz que esta 'farta' das ordens de Washington LEIA TAMBÉM: 'Doutrina Donroe': como Trump vê a América Latina, segundo sua estratégia de segurança nacional Trump pressiona petrolíferas americanas a investir US$ 100 bilhões na Venezuela
O que uma empresa bananeira dos anos 1950 na Guatemala diz sobre as políticas de Trump para Venezuela, Groenlândia e Irã
Piemonte Escrito em 07/02/2026
Em 1954, o Exército de Libertação da CIA retratava o então presidente da Guatemala, Jacobo Árbenz, como uma marionete da União Soviética Bettmann Archive via Getty Images Em 1954, a empresa United Fruit Company (UFC) convenceu o presidente americano Dwight D. Eisenhower (1890-1969) a derrubar o presidente democraticamente eleito da Guatemala, Jacobo Árbenz (1913-1971). As ondas de choque reverberaram pela América Latina por décadas. Agora, especialistas buscam naquele golpe de Estado as raízes da "Doutrina Donroe", invocada pelo presidente americano Donald Trump para justificar a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O golpe na Guatemala contou com o apoio da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) e foi precipitado por uma poderosa multinacional americana, que ganhou a maior parte do seu dinheiro vendendo bananas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "A companhia era tão poderosa na Guatemala e nos países vizinhos que recebeu o apelido de 'polvo', pois seus tentáculos estavam por toda parte", conta Grace Livingstone, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com sede em Boston, no Estado americano de Massachusetts, a UFC não tinha laços oficiais com o governo Eisenhower. Mas, quando Árbenz propôs a desapropriação e redistribuição de terras ainda não cultivadas em grandes fazendas, para combater a pobreza crônica da população, a empresa fez intenso lobby em Washington, usando os temores da Guerra Fria (1947-1991) para retratar a Guatemala como um país vulnerável à influência da União Soviética (1922-1991). "Árbenz iria pagar uma compensação bastante generosa — o dobro do preço pago pela United Fruit", explica Livingstone. "Mas a companhia... não estava satisfeita com o valor." Quando chegou ao poder, em 1950, Árbenz declarou que sua intenção era transformar a Guatemala, de uma sociedade feudal, para uma economia capitalista moderna. Mas, mesmo assim, Eisenhower concordou com a intervenção. A crença do presidente Donald Trump em esferas globais é fundamental para compreender sua Doutrina Donroe Chip Somodevilla via Getty Images (BBC) A justificativa de Eisenhower era baseada na Doutrina Monroe. No início do século 19, o presidente americano James Monroe (1758-1831) declarou que o hemisfério ocidental deveria se libertar da influência das potências europeias. Sua declaração foi um alerta defensivo, para que os outros países ficassem de fora do que os Estados Unidos consideravam seus assuntos regionais. Mas, em 1904, o presidente Theodore Roosevelt (1858-1919) revisitou e atualizou aquela política, fazendo dela "uma justificativa explícita das intervenções militares dos Estados Unidos na região", segundo Livingstone. E a Doutrina Donroe de Trump também segue explicitamente esta linha, para justificar suas ameaças à Venezuela, Groenlândia e Irã. "Antes da captura de Maduro, ele anunciou a implementação do corolário de Trump, restabelecendo todas as justificativas doutrinárias para a intervenção americana no hemisfério que conhecíamos até então", explica Jon Lee Anderson, da revista The New Yorker. A United Fruit Company dominou a indústria e a mão de obra guatemalteca nos anos 1950 Bettmann Archive via Getty Images Esta "lógica de esferas" é "o centro da visão de Trump sobre a ordem mundial... e, em parte, é uma consequência da sua aversão de longa data ao globalismo, multilateralismo, formação de alianças e guerras eternas em países distantes", segundo o pesquisador Stewart Patrick, diretor do Programa de Instituições e Ordem Global da Fundação Carnegie para a Paz Internacional. Trump declarou no ano passado que o objetivo da nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos é "proteger o comércio, o território e os recursos que são fundamentais para a nossa segurança nacional". Desde então, ele enfatizou que a "dominância americana" é fundamental e que aplicará o máximo de pressão ideológica, psicológica e militar para proteger os interesses dos Estados Unidos. Na Venezuela e no Irã, esses interesses giram em torno do petróleo, segundo Anderson, e a ameaça de que a China tenha acesso a ele antes dos Estados Unidos. A Groenlândia também detém recursos preciosos. E Trump quer garantir esses recursos antes que os adversários de Washington tomem conta deles. Na Guatemala dos anos 1950, a questão era ideológica, aliada à rivalidade com a Rússia durante a Guerra Fria e às bananas. Mas, como as justificativas, as táticas permaneceram as mesmas. O presidente guatemalteco Jacobo Árbenz (esq.) foi forçado a se exilar no México, quando foi derrubado pela CIA Bettmann Archive via Getty Images "Da mesma forma que observamos recentemente na Venezuela, houve uma concentração militar em torno da Guatemala", explica Livingstone. "Eisenhower anunciou o envio de dois submarinos para o sul, eles enviaram aviões bombardeiros para a vizinha Nicarágua e começaram a interceptar navios guatemaltecos nos mares em torno do país. Ou seja, há muitas semelhanças com a Venezuela." A CIA lançou folhetos sobre a Guatemala, alertando sobre uma enorme invasão. A agência usou desenhos para chegar à população, em grande parte analfabeta. Ela montou também uma rádio clandestina, que afirmava transmitir de dentro do país. Mas especialistas afirmam que seus sinais, na maioria das vezes, vinham de fora das fronteiras guatemaltecas. A emissora transmitia em espanhol e se chamava La Voz de la Liberación. "Na estação de rádio da CIA, eles afirmavam que milhares de pessoas estavam entrando para as forças mercenárias", segundo Livingstone. "Mas, quando eles cruzaram a fronteira, não houve levantes espontâneos." "Em apoio a essa suposta invasão, a CIA começou a bombardear locais estratégicos em toda a Guatemala e na própria capital. A agência chegou a lançar um bombardeio massivo sobre quartéis militares e reproduzir o som das bombas na estação de rádio. A intenção era desmoralizar as pessoas e o exército." O resultado foi que os líderes militares guatemaltecos, acreditando que não poderiam deter a invasão, pressionaram Árbenz a renunciar. E acabaram convencendo o presidente. A Groenlândia é considerada um dos principais alvos da doutrina Donroe, do presidente americano Donald Trump Sean Gallup via Getty Images De volta ao século 21, a Groenlândia (e, por extensão, a Dinamarca) foi objeto de ameaças diretas de Trump nas redes sociais. As postagens incluíram seus planos de anexar o território e impor medidas econômicas punitivas para quem apresentasse resistência. Paralelamente, no Irã, a pressão psicológica se intensificou, com ameaças de severas ações militares para forçar a obediência, instilar o medo e proteger os interesses americanos. "Uma armada massiva está se dirigindo ao Irã", postou Trump nas redes sociais. "Como na Venezuela, ela está pronta, disposta e capaz de cumprir rapidamente sua missão, com velocidade e violência, se for necessário." O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi forçado a viajar para Nova York, após ser capturado pelas forças americanas Michael Nagle/Bloomberg via Getty Images Poucas semanas após a queda de Árbenz, ele foi forçado a se exilar do país. "No aeroporto, o novo regime o forçou a ser revistado de cima a baixo, até as cuecas, frente ao escárnio da multidão", conta Livingstone. "Em seguida, ele foi colocado na aeronave." Mais de 70 anos depois, Maduro foi forçado a viajar para Nova York, depois de ser capturado pelas forças americanas. "Primeiramente, vimos as imagens do bombardeio de Caracas", relembra Anderson. "Em seguida, vimos Maduro algemado, acompanhado por militares e humilhado. Isso faz parte do padrão." Analistas como Mike Crawley, da TV pública canadense CBC News, destacam que a postura de Trump em relação à Groenlândia também se baseia na política visual. Anúncios nas redes sociais, visitas de Estado canceladas e imagens provocadoras reafirmam a dominância e reprimem a capacidade de ação de Estados menores. Ameaça de longo prazo O argumento habitual de alguns apoiadores das intervenções americanas é que apenas ditadores e governantes que demonstrem desprezo pela democracia ou pela segurança dos Estados Unidos teriam algo a temer. Mas diversos observadores discordam. "A Guatemala mostra que os Estados Unidos estavam dispostos a derrubar um governo democraticamente eleito", segundo Livingstone. "E, desde que foi proclamada a Doutrina Monroe, os Estados Unidos intervieram na América Latina mais de 80 vezes." "Trump está reassumindo a doutrina na sua forma mais aguda", afirma ele. Mas os eventos que se seguiram à intervenção dos Estados Unidos na Guatemala podem ser um motivo de preocupação para o presidente americano. Após a queda do presidente Árbenz, seguiram-se décadas de violência e instabilidade no país. Governos autoritários (e, mais tarde, cartéis de drogas) exploraram o vazio de poder para estabelecer profunda presença e levar narcóticos e refugiados desesperados através das fronteiras dos Estados Unidos. Observadores afirmam que este fato gerou uma ameaça de longo prazo aos interesses americanos, que foi maior que a reforma agrária ou os temores de influência comunista, utilizados para justificar a intervenção na Guatemala em 1954. Presidente interina da Venezuela diz que esta 'farta' das ordens de Washington LEIA TAMBÉM: 'Doutrina Donroe': como Trump vê a América Latina, segundo sua estratégia de segurança nacional Trump pressiona petrolíferas americanas a investir US$ 100 bilhões na Venezuela
