Julgamento Nery: réu confesso diz que matou advogado em MT após PM falar em churrasco que recebeu proposta de R$ 200 mil

Piemonte Escrito em 15/07/2026


Alex Roberto de Queiroz Silva durante júri Reprodução O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, réu confesso do assassinato do advogado Renato Gomes Nery, em julho de 2024, disse durante o Tribunal do Júri nesta quarta-feira (15) que cometeu o crime após conversar com o policial militar Heron Teixeira, em um churrasco, que estavam oferecendo até R$ 200 mil para matá-lo. "Eu estava em um churrasco com o Heron, só nós dois. Aí ele comentou sobre isso. Falou o nome do advogado e disse que estavam querendo matar esse advogado e tinham procurado ele. Pesquisei o nome dele no celular e, dois dias depois, fui lá e atirei nele", afirmou. Alex contou que foi até o escritório da vítima e aguardou a chegada de Renato Nery. Segundo o relato, quando o advogado desceu do carro, ele efetuou os disparos e fugiu do local. Segundo o réu, ele comentou o crime por conta própria após ouvir a proposta oferecida ao Heron. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Pagamento O caseiro disse ainda que, após cometer o crime, contou ao militar para que ele cobrasse o pagamento dos interessados na morte do advogado. Ele afirmou que recebeu cerca de R$ 100 mil em dinheiro das mãos de Heron, após a intermediação. O réu afirmou que cometeu o crime, pois estava endividado e agiotas ameaçavam a família dele. Conforme o depoimento, ele chegou passar um dia antes no local, mas se arrependeu e foi embora sem cometer o crime. Porém ao chegar em casa recebeu novas ameaças ao chegar em casa, e retornou no outro dia. “Fui lá [no escritório] um dia antes. Eu me arrependi e fui embora. Cheguei em casa e teve mais ligações e ameaças (de agiotas), daí no outro dia voltei lá”, disse. Quem são e como agiram os investigados De acordo com a investigação, o assassinato de Renato Nery teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras em Novo São Joaquim. O Ministério Público aponta que o crime foi encomendado pelo casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, que teriam pago R$ 200 mil pela execução. Ainda segundo a investigação, os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira atuaram como intermediários, sendo responsáveis por articular a execução, fornecer a arma usada no crime e intermediar o pagamento ao atirador. Ambos também respondem por fraude processual qualificada e abuso de autoridade, por supostamente tentarem atrapalhar as investigações. Entenda a atuação de cada um: César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos – mandantes do assassinato; Caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva – atirador; Sargento da PM Heron Teixeira Pena Vieira – intermediador que recebeu dinheiro, arma e contratou o Alex pra fazer executar; PM Ícaro Nathan Santos Ferreira – intermediador que forneceu a arma usada e facilitou a transferência do pagamento; PM Jackson Pereira Barbosa - intermediador que coordenou o crime e realizou pagamentos Advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos Divulgação Assassinato de Renato Nery Advogado é baleado durante atentado em frente a escritório de Cuiabá Renato Gomes Nery foi baleado em julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o atirador já aguardava o advogado no local e fugiu em uma motocicleta após os disparos. Uma câmera de segurança registrou o momento em que Renato caminha até a entrada do escritório, é atingido pelos tiros e cai no chão (veja vídeo acima). O advogado morreu um dia após o ataque. O corpo dele foi sepultado em Cuiabá, na manhã de 7 de julho de 2024. Em março deste ano, a Polícia Civil rastreou R$ 215 mil supostamente ligados ao pagamento pelo assassinato, após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça. Segundo as investigações, a empresária Julinere Goulart Bastos, apontada como uma das mandantes do crime, fez uma transferência de R$ 200 mil em 4 de março de 2024. De acordo com a polícia, o dinheiro passou por contas de terceiros em uma sequência de movimentações financeiras usada para ocultar a origem e o destino final dos valores. Confira a cronologia abaixo: 4 de março de 2024 – A empresária investigada realizou transferências que somam aproximadamente R$ 200 mil, com valores passando por contas de terceiros 5 de março de 2024 – Parte do dinheiro foi usada para a compra de um veículo no valor aproximado de R$ 115 mil, registrado em nome de terceiro 5 de março de 2024 – Também foram transferidos R$ 40 mil para a mãe de um dos investigados 6 de março de 2024 – O restante do valor foi encaminhado para a conta do próprio investigado 8 de março de 2024 – Foi identificado pagamento direto de R$ 15 mil da suspeita apontada como mandante ao segundo investigado 12 de março de 2024 – Um dos investigados prestou depoimento confirmando a dinâmica do pagamento pelo crime Quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça permitiu rastrear o fluxo financeiro A análise identificou movimentações fracionadas e uso de intermediários, indicando possível lavagem de dinheiro O total rastreado nas movimentações relacionadas ao crime chegou a R$ 215 mil