Entenda por que casas que resistiram às enchentes no RS estão sendo demolidas

Piemonte Escrito em 13/03/2026


Muçum destrói primeiras residências de área de arraste As cidades atingidas pelas enchentes no Vale do Taquari, região mais afetada pela enchente de 2024, avançam para uma das etapas mais duras da reconstrução: remover casas condenadas e limpar áreas onde há risco de novos desastres. Em pelo menos seis municípios, tratores e caminhões abrem espaço para que ninguém volte a viver onde a água pode alcançar novamente. Embora algumas propriedades tenham resistido fisicamente às tragédias, todas estão localizadas em áreas de risco, como zonas de deslizamento ou locais onde a água pode voltar a subir. Para evitar que moradores retornem a pontos perigosos e prevenir novas tragédias, prefeituras estão demolindo imóveis condenados, limpando terrenos e transformando esses espaços em áreas seguras. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Confira a situação nas cidades: Em Estrela, nove casas localizadas em áreas de risco já foram ao chão. As famílias receberam novas moradias por meio do programa Compra Assistida, e a prefeitura continua negociando a saída segura de quem ainda permanece em locais considerados perigosos. Mais de 40 imóveis já passaram oficialmente para o município, deixando de pertencer aos antigos donos e passando a ser propriedade do Executivo. Em Colinas, as equipes da Defesa Civil concentram o trabalho na remoção pesada de entulhos e na derrubada dos imóveis desapropriados. Na Vila Mariante, distrito de Venâncio Aires, a realidade é parecida: cerca de 90 imóveis foram condenados. Com R$ 5 milhões repassados pelo governo estadual, o trabalho de retirada de entulho também está em andamento. Em Lajeado, quatro casas começaram a ser demolidas. A prefeitura identificou sete áreas atingidas pela força do Rio Taquari e iniciou o processo para evitar que essas regiões voltem a ser ocupadas. Demolição de casa em Lajeado, no Vale do Taquari Reprodução/ RBS TV Já em Muçum, imóveis localizados em região de arraste e pertencentes a famílias já reassentadas começaram a ser demolidos. Vinte casas foram destruídas até a publicação desta reportagem. "Vivi aqui por 32 anos, criei meus filhos, criei o meu neto. Então, é um sentimento que tu não vai esquecer mais", comenta a moradora Inês Rodrigues. O local onde Inês viveu será transformado em área de lazer e convivência. Hoje, ela mora no novo bairro Jardim Cidade Alta 2, construído em parceria entre governos e empresas. A mudança foi menos dolorosa porque os antigos vizinhos foram realocados juntos. "Foi o que eu pedi: que me botasse perto dos meus vizinhos. A gente está tudo na mesma rua, só trocamos o bairro", conta. Casa destruída pela enchente no Vale do Taquari Reprodução/ RBS TV Famílias esperam respostas Enquanto várias cidades avançam nos trabalhos, Roca Sales, que está entre as mais afetadas pela tragédia de 2024, vive um impasse. Mesmo com mais de 100 moradores contemplados pelo Compra Assistida, nenhuma casa foi demolida até então. Na Rua Cândido Godói, apenas duas moradias resistiram às três enchentes de 2023 e 2024. A dona de casa Simone Cardoso perdeu três imóveis: dois que alugava e onde morava. Ela não foi enquadrada nas regras do programa por ter renda mensal acima do limite e precisou financiar um novo imóvel por conta própria. "“As respostas que temos recebido não são nada agradáveis, porque temos muita dívida para pagar. A gente só queria, daqui para frente, pelo menos ter uma vida digna, dar continuidade a tudo que tínhamos antes. A gente morava bem", explica Simone. O governo do Estado informou que estuda possibilidades de indenização para casos como o de Simone. Também estão em andamento análises para redefinir planos diretores e reorganizar áreas de arraste. Casas atingidas pela enchente sendo demolidas no Vale do Taquari Reprodução/ RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS