Césio-137: Mãe de Leide das Neves diz que não consegue esquecer o acidente Após quase 40 anos desde que Goiânia foi palco do maior acidente radiológico do Brasil, a mãe de Leide das Neves Ferreira, a menina de 6 anos que morreu e se tornou o símbolo da tragédia, falou em que não consegue esquecer o acidente (veja acima). Em entrevista ao 'Jackson Abrão Entrevista', ela relembrou do impacto que o Césio-137 teve em sua vida e na de sua família. “Ainda dói. Eu creio que vou carregar isso para o estado da minha vida. Não passa não. Tem um dia que tá menos, outro dia aumenta, mas continua do mesmo jeito", desabafou Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos. CÉSIO-137: Veja página especial sobre o acidente radiológico O caso ganhou repercussão novamente após o lançamento da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, baseada em fatos reais. De acordo com Lourdes, a adaptação audiovisual ajudou a não deixar a história do acidente adormecida. Segundo a idosa, as vítimas da tragédia enfrentam diversos desafios, incluindo a solidão e transtornos psicológicos, como a depressão. "Muitos ficaram alcoólatras e outros dependem de remédio controlado", relatou. "Eu visitei o lixo em Abadia de Goiás e eu me senti um lixo radioativo, porque lá estava tudo bem cuidado, bem bonito, e as vítimas não", lamentou Lourdes. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos, durante entrevista ao jornalista Jackson Abrão Fábio Lima/O Popular Auxílio do governo Ao g1, Lourdes comentou sobre o reajuste da pensão que recebe do governo do estado. Atualmente, a pensão e o auxílio federal são as suas únicas fontes de renda. “Só dependo do governo para sobreviver”, destacou. A idosa recebe R$ 954, mas parte do valor é comprometida com empréstimos, restando cerca de R$ 400 a R$ 500 para despesas básicas. “Tenho que decidir se pago as despesas de casa ou se compro os remédios”, lamentou. Atualmente, ela enfrenta uma série de problemas de saúde, como dores na coluna, pressão alta, colesterol elevado e complicações oftalmológicas. Outro ponto de preocupação é o risco de perder a casa onde mora, que foi doada pelo governo, pois está com o IPTU atrasado por falta de recursos. O apelo de Lourdes é por melhores condições de vida. “Eu só quero ter um final de vida digno”, desabafou. Recentemente, o Governo de Goiás apresentou um projeto para atualizar os valores pagos aos beneficiários que atuaram na descontaminação da área atingida, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas diretas do acidente radioativo. Segundo a proposta, os valores das pensões serão reajustados. Para os radiolesionados que tiveram contato direto com o Césio-137 ou que foram expostos a uma irradiação superior a 100 RAD, o benefício passará de R$ 1.908,00 para R$ 3.242,00. Já para os demais beneficiários, o valor será corrigido de R$ 954,00 para R$ 1.621,00. Césio-137 foi um acidente radioativo ou radiológico? Leide das Neves, 6 anos, foi a primeira vítima do césio-137, e se tornou símbolo da tragédia em Goiás Reprodução / TV Anhanguera Relembre o acidente Com roupas especiais, servidores manipulam materiais expostos ao césio-137, em Goiás Acervo/O Popular O acidente radioativo teve início em 13 de setembro de 1987, quando Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Eles levaram a peça para a casa de Roberto, na Rua 57, onde removeram o lacre da cápsula que continha césio-137 na forma de pó, semelhante ao sal de cozinha, mas que emitia um intenso brilho azul no escuro. Césio-137: veja fotos e vídeos da época do acidente Em 18 de setembro, a peça foi vendida para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho, que ficou encantado com a luminosidade e distribuiu fragmentos da substância para familiares e amigos. Sem saber do perigo, as pessoas manipulavam o material, o que causou sintomas imediatos como náuseas, tonturas, vômitos e diarreia. LEIA TAMBÉM: Césio-137: maior acidente radiológico da história deixou 4 mortos, 6 mil toneladas de lixo e ainda terá impacto por mais 200 anos Césio-137: Mãe de Leide das Neves, símbolo do acidente, desabafa após quase 40 anos: 'A gente revive tudo' ENTENDA: Por que Césio-137 tem brilho azul? A suspeita de que o pó era o culpado surgiu com Maria Gabriela, esposa de Devair, que em 28 de setembro levou a cápsula em uma sacola de plástico até a Vigilância Sanitária. O acidente foi oficialmente identificado no dia seguinte, 29 de setembro, pelo físico Walter Mendes, que confirmou os altos níveis de radiação e iniciou o isolamento das áreas afetadas. Walter Mendes Ferreira foi o responsável por identificar o acidente com o césio-137 em 1987 Reprodução/CNEN Embora nos dados oficiais constem apenas quatro mortes diretas devido ao acidente radiológico, os reflexos da tragédia são inúmeros. Os nomes de Leide das Neves, Maria Gabriela, Israel e Admilson representam os sobreviventes que carregaram na pele as marcas do acidente. Atualmente, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), órgão criado em 2011 para prestar apoio à população afetada pelo material radioativo. A tragédia gerou 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, que estão armazenados de forma definitiva em depósitos em Abadia de Goiás. Césio-137 e Chernobyl: Qual diferença entre os acidentes radioativos? Quem são as vítimas? Milhares de pessoas foram avaliadas na época do acidente com césio-137 e 129 apresentaram radiação no corpo Goiânia Goiás Reprodução/Cara De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, na época, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico O acidente resultou em quatro vítimas fatais diretas, que faleceram entre quatro e cinco semanas após a exposição devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR): Leide das Neves Ferreira: A menina de apenas 6 anos era filha de Ivo Ferreira e foi a pessoa mais afetada por ter brincado com o pó e ingerido partículas. A criança morreu em 23 de outubro de 1987 e foi enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação. Maria Gabriela Ferreira: Esposa de Devair e a pessoa responsável por evitar que a contaminação fosse ainda maior, ela adoeceu três dias após o contato e faleceu na mesma data que Leide, em 23 de outubro, aos 37 anos. Israel Batista dos Santos: O jovem de 20 anos era funcionário de Devair e trabalhou na remoção do chumbo da fonte. Ele faleceu em 27 de outubro. Admilson Alves de Souza: Aos 18 anos, ele também era um funcionário do ferro-velho, que manipulou a fonte radioativa e morreu em 28 de outubro. Roupas especiais usadas durante acidente com césio-137, em Goiás Acervo/O Popular 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
Césio-137: Mãe de Leide das Neves diz que não consegue esquecer o acidente: 'Vou carregar para o resto da minha vida’
Piemonte Escrito em 07/04/2026
Césio-137: Mãe de Leide das Neves diz que não consegue esquecer o acidente Após quase 40 anos desde que Goiânia foi palco do maior acidente radiológico do Brasil, a mãe de Leide das Neves Ferreira, a menina de 6 anos que morreu e se tornou o símbolo da tragédia, falou em que não consegue esquecer o acidente (veja acima). Em entrevista ao 'Jackson Abrão Entrevista', ela relembrou do impacto que o Césio-137 teve em sua vida e na de sua família. “Ainda dói. Eu creio que vou carregar isso para o estado da minha vida. Não passa não. Tem um dia que tá menos, outro dia aumenta, mas continua do mesmo jeito", desabafou Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos. CÉSIO-137: Veja página especial sobre o acidente radiológico O caso ganhou repercussão novamente após o lançamento da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, baseada em fatos reais. De acordo com Lourdes, a adaptação audiovisual ajudou a não deixar a história do acidente adormecida. Segundo a idosa, as vítimas da tragédia enfrentam diversos desafios, incluindo a solidão e transtornos psicológicos, como a depressão. "Muitos ficaram alcoólatras e outros dependem de remédio controlado", relatou. "Eu visitei o lixo em Abadia de Goiás e eu me senti um lixo radioativo, porque lá estava tudo bem cuidado, bem bonito, e as vítimas não", lamentou Lourdes. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos, durante entrevista ao jornalista Jackson Abrão Fábio Lima/O Popular Auxílio do governo Ao g1, Lourdes comentou sobre o reajuste da pensão que recebe do governo do estado. Atualmente, a pensão e o auxílio federal são as suas únicas fontes de renda. “Só dependo do governo para sobreviver”, destacou. A idosa recebe R$ 954, mas parte do valor é comprometida com empréstimos, restando cerca de R$ 400 a R$ 500 para despesas básicas. “Tenho que decidir se pago as despesas de casa ou se compro os remédios”, lamentou. Atualmente, ela enfrenta uma série de problemas de saúde, como dores na coluna, pressão alta, colesterol elevado e complicações oftalmológicas. Outro ponto de preocupação é o risco de perder a casa onde mora, que foi doada pelo governo, pois está com o IPTU atrasado por falta de recursos. O apelo de Lourdes é por melhores condições de vida. “Eu só quero ter um final de vida digno”, desabafou. Recentemente, o Governo de Goiás apresentou um projeto para atualizar os valores pagos aos beneficiários que atuaram na descontaminação da área atingida, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas diretas do acidente radioativo. Segundo a proposta, os valores das pensões serão reajustados. Para os radiolesionados que tiveram contato direto com o Césio-137 ou que foram expostos a uma irradiação superior a 100 RAD, o benefício passará de R$ 1.908,00 para R$ 3.242,00. Já para os demais beneficiários, o valor será corrigido de R$ 954,00 para R$ 1.621,00. Césio-137 foi um acidente radioativo ou radiológico? Leide das Neves, 6 anos, foi a primeira vítima do césio-137, e se tornou símbolo da tragédia em Goiás Reprodução / TV Anhanguera Relembre o acidente Com roupas especiais, servidores manipulam materiais expostos ao césio-137, em Goiás Acervo/O Popular O acidente radioativo teve início em 13 de setembro de 1987, quando Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Eles levaram a peça para a casa de Roberto, na Rua 57, onde removeram o lacre da cápsula que continha césio-137 na forma de pó, semelhante ao sal de cozinha, mas que emitia um intenso brilho azul no escuro. Césio-137: veja fotos e vídeos da época do acidente Em 18 de setembro, a peça foi vendida para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho, que ficou encantado com a luminosidade e distribuiu fragmentos da substância para familiares e amigos. Sem saber do perigo, as pessoas manipulavam o material, o que causou sintomas imediatos como náuseas, tonturas, vômitos e diarreia. LEIA TAMBÉM: Césio-137: maior acidente radiológico da história deixou 4 mortos, 6 mil toneladas de lixo e ainda terá impacto por mais 200 anos Césio-137: Mãe de Leide das Neves, símbolo do acidente, desabafa após quase 40 anos: 'A gente revive tudo' ENTENDA: Por que Césio-137 tem brilho azul? A suspeita de que o pó era o culpado surgiu com Maria Gabriela, esposa de Devair, que em 28 de setembro levou a cápsula em uma sacola de plástico até a Vigilância Sanitária. O acidente foi oficialmente identificado no dia seguinte, 29 de setembro, pelo físico Walter Mendes, que confirmou os altos níveis de radiação e iniciou o isolamento das áreas afetadas. Walter Mendes Ferreira foi o responsável por identificar o acidente com o césio-137 em 1987 Reprodução/CNEN Embora nos dados oficiais constem apenas quatro mortes diretas devido ao acidente radiológico, os reflexos da tragédia são inúmeros. Os nomes de Leide das Neves, Maria Gabriela, Israel e Admilson representam os sobreviventes que carregaram na pele as marcas do acidente. Atualmente, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), órgão criado em 2011 para prestar apoio à população afetada pelo material radioativo. A tragédia gerou 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, que estão armazenados de forma definitiva em depósitos em Abadia de Goiás. Césio-137 e Chernobyl: Qual diferença entre os acidentes radioativos? Quem são as vítimas? Milhares de pessoas foram avaliadas na época do acidente com césio-137 e 129 apresentaram radiação no corpo Goiânia Goiás Reprodução/Cara De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, na época, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico O acidente resultou em quatro vítimas fatais diretas, que faleceram entre quatro e cinco semanas após a exposição devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR): Leide das Neves Ferreira: A menina de apenas 6 anos era filha de Ivo Ferreira e foi a pessoa mais afetada por ter brincado com o pó e ingerido partículas. A criança morreu em 23 de outubro de 1987 e foi enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação. Maria Gabriela Ferreira: Esposa de Devair e a pessoa responsável por evitar que a contaminação fosse ainda maior, ela adoeceu três dias após o contato e faleceu na mesma data que Leide, em 23 de outubro, aos 37 anos. Israel Batista dos Santos: O jovem de 20 anos era funcionário de Devair e trabalhou na remoção do chumbo da fonte. Ele faleceu em 27 de outubro. Admilson Alves de Souza: Aos 18 anos, ele também era um funcionário do ferro-velho, que manipulou a fonte radioativa e morreu em 28 de outubro. Roupas especiais usadas durante acidente com césio-137, em Goiás Acervo/O Popular 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
