Radiografias mostram os pulmões novos (à esquerda) e os pulmões antigos (à direita) Northwestern Medicine Cirurgiões nos Estados Unidos conseguiram fazer um paciente sobreviver por mais de 48 horas sem pulmões. Após uma infecção grave, os médicos removeram o órgão e criaram um sistema artificial para mantê-lo vivo até o transplante. 🫁 O caso pode mudar o tratamento de infecções graves, em que o transplante não é uma indicação hoje, mas pode ser a única forma de salvar o paciente. A cirurgia aconteceu em um hospital nos Estados Unidos, e os médicos publicaram o caso em um artigo nesta quinta-feira (29), na revista científica Med. Da infecção grave ao colapso dos pulmões O paciente, que não teve a identidade revelada, tinha 33 anos quando desenvolveu uma infecção grave causada por uma gripe. O quadro evoluiu rapidamente e levou à síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), um tipo de insuficiência respiratória que provoca acúmulo de líquidos nos pulmões e redução do oxigênio no sangue. 🔴 Em pouco tempo, a função pulmonar entrou em colapso, e outros órgãos, como coração e rins, começaram a falhar. O estado dele era crítico. O coração parou assim que chegou. Tivemos que fazer reanimação cardiopulmonar. Cirurgiões removeram os pulmões infectados de um paciente e ele permaneceu vivo sem pulmões por 48h Northwestern Medicine Segundo o médico, quando a infecção é tão severa que o tecido pulmonar começa a se deteriorar de forma extensa, os danos se tornam irreversíveis. “É aí que os pacientes morrem”, afirma. Os pulmões estavam tão comprometidos que, além de não funcionarem mais, continuavam alimentando a infecção. Ao mesmo tempo, o organismo estava debilitado demais para receber imediatamente órgãos de um doador. 🔴 A equipe médica se viu diante de um impasse: remover os pulmões era necessário para controlar a infecção, mas, biologicamente, uma pessoa não consegue sobreviver sem eles. 48 horas sem os pulmões Atualmente, pacientes com esse tipo de quadro são mantidos vivos com o auxílio da ECMO, sigla para oxigenação por membrana extracorpórea. A tecnologia oxigena o sangue fora do corpo e remove o dióxido de carbono, funcionando como um suporte temporário. Só que isso é feito enquanto os pulmões se recuperam. 🫁No caso dele, isso não era possível, já que os pulmões estavam agravando o quadro e deteriorando o organismo. Para resolver o problema, os cirurgiões desenvolveram para o paciente um sistema de pulmão artificial capaz de substituir temporariamente todas as funções pulmonares. Os médicos retiraram os dois pulmões e instalaram o dispositivo, que oxigenava o sangue, removia o dióxido de carbono e mantinha o fluxo sanguíneo necessário para o coração e o restante do corpo, permitindo que o paciente permanecesse vivo enquanto se recuperava da infecção sistêmica. O resultado surpreendeu a equipe médica. Assim que os pulmões foram removidos, o homem começou a apresentar melhora. A pressão arterial se estabilizou, outros órgãos passaram a funcionar melhor e a infecção cedeu. Em dois dias, o quadro clínico mudou completamente, e ele pôde receber o transplante. Hoje, cerca de dois anos após o procedimento, leva uma vida normal. O que essa descoberta muda Atualmente, o transplante de pulmão é reservado a pacientes com doenças crônicas, como fibrose cística ou doença pulmonar intersticial. Em casos agudos de SARA, a estratégia costuma ser manter o suporte intensivo na expectativa de que os pulmões se recuperem. 🔴 O estudo, no entanto, sugere que essa lógica pode não se aplicar a todos os pacientes. Ao analisar os pulmões removidos, os pesquisadores encontraram cicatrizes extensas e sinais de dano imunológico em nível molecular. Esses achados indicam que o tecido havia atingido um estágio irreversível, sem capacidade de regeneração. Ou seja, o que os médicos descobriram ao analisar os pulmões do paciente é que a síndrome havia causado danos irreversíveis e que, sem a retirada do órgão infectado e o transplante, ele não teria se recuperado. Segundo os pesquisadores, isso pode acontecer com outros pacientes em situações semelhantes. De acordo com Bharat, é a primeira vez que evidências biológicas mostram de forma clara que, em alguns casos, o transplante duplo de pulmão é a única alternativa possível para a sobrevivência. O médico, que é especialista nesse tipo de procedimento, afirma que pacientes jovens com danos pulmonares graves morrem com frequência porque o transplante nem sequer é considerado uma opção. “Para danos pulmonares graves causados por vírus ou infecções respiratórias, mesmo em situações agudas, um transplante de pulmão pode salvar vidas”, diz.
Paciente sobrevive mais de 48 horas sem pulmões após médicos criarem sistema artificial antes de transplante
Piemonte Escrito em 31/01/2026
Radiografias mostram os pulmões novos (à esquerda) e os pulmões antigos (à direita) Northwestern Medicine Cirurgiões nos Estados Unidos conseguiram fazer um paciente sobreviver por mais de 48 horas sem pulmões. Após uma infecção grave, os médicos removeram o órgão e criaram um sistema artificial para mantê-lo vivo até o transplante. 🫁 O caso pode mudar o tratamento de infecções graves, em que o transplante não é uma indicação hoje, mas pode ser a única forma de salvar o paciente. A cirurgia aconteceu em um hospital nos Estados Unidos, e os médicos publicaram o caso em um artigo nesta quinta-feira (29), na revista científica Med. Da infecção grave ao colapso dos pulmões O paciente, que não teve a identidade revelada, tinha 33 anos quando desenvolveu uma infecção grave causada por uma gripe. O quadro evoluiu rapidamente e levou à síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), um tipo de insuficiência respiratória que provoca acúmulo de líquidos nos pulmões e redução do oxigênio no sangue. 🔴 Em pouco tempo, a função pulmonar entrou em colapso, e outros órgãos, como coração e rins, começaram a falhar. O estado dele era crítico. O coração parou assim que chegou. Tivemos que fazer reanimação cardiopulmonar. Cirurgiões removeram os pulmões infectados de um paciente e ele permaneceu vivo sem pulmões por 48h Northwestern Medicine Segundo o médico, quando a infecção é tão severa que o tecido pulmonar começa a se deteriorar de forma extensa, os danos se tornam irreversíveis. “É aí que os pacientes morrem”, afirma. Os pulmões estavam tão comprometidos que, além de não funcionarem mais, continuavam alimentando a infecção. Ao mesmo tempo, o organismo estava debilitado demais para receber imediatamente órgãos de um doador. 🔴 A equipe médica se viu diante de um impasse: remover os pulmões era necessário para controlar a infecção, mas, biologicamente, uma pessoa não consegue sobreviver sem eles. 48 horas sem os pulmões Atualmente, pacientes com esse tipo de quadro são mantidos vivos com o auxílio da ECMO, sigla para oxigenação por membrana extracorpórea. A tecnologia oxigena o sangue fora do corpo e remove o dióxido de carbono, funcionando como um suporte temporário. Só que isso é feito enquanto os pulmões se recuperam. 🫁No caso dele, isso não era possível, já que os pulmões estavam agravando o quadro e deteriorando o organismo. Para resolver o problema, os cirurgiões desenvolveram para o paciente um sistema de pulmão artificial capaz de substituir temporariamente todas as funções pulmonares. Os médicos retiraram os dois pulmões e instalaram o dispositivo, que oxigenava o sangue, removia o dióxido de carbono e mantinha o fluxo sanguíneo necessário para o coração e o restante do corpo, permitindo que o paciente permanecesse vivo enquanto se recuperava da infecção sistêmica. O resultado surpreendeu a equipe médica. Assim que os pulmões foram removidos, o homem começou a apresentar melhora. A pressão arterial se estabilizou, outros órgãos passaram a funcionar melhor e a infecção cedeu. Em dois dias, o quadro clínico mudou completamente, e ele pôde receber o transplante. Hoje, cerca de dois anos após o procedimento, leva uma vida normal. O que essa descoberta muda Atualmente, o transplante de pulmão é reservado a pacientes com doenças crônicas, como fibrose cística ou doença pulmonar intersticial. Em casos agudos de SARA, a estratégia costuma ser manter o suporte intensivo na expectativa de que os pulmões se recuperem. 🔴 O estudo, no entanto, sugere que essa lógica pode não se aplicar a todos os pacientes. Ao analisar os pulmões removidos, os pesquisadores encontraram cicatrizes extensas e sinais de dano imunológico em nível molecular. Esses achados indicam que o tecido havia atingido um estágio irreversível, sem capacidade de regeneração. Ou seja, o que os médicos descobriram ao analisar os pulmões do paciente é que a síndrome havia causado danos irreversíveis e que, sem a retirada do órgão infectado e o transplante, ele não teria se recuperado. Segundo os pesquisadores, isso pode acontecer com outros pacientes em situações semelhantes. De acordo com Bharat, é a primeira vez que evidências biológicas mostram de forma clara que, em alguns casos, o transplante duplo de pulmão é a única alternativa possível para a sobrevivência. O médico, que é especialista nesse tipo de procedimento, afirma que pacientes jovens com danos pulmonares graves morrem com frequência porque o transplante nem sequer é considerado uma opção. “Para danos pulmonares graves causados por vírus ou infecções respiratórias, mesmo em situações agudas, um transplante de pulmão pode salvar vidas”, diz.
