Lançada do Cabo Canaveral (EUA) a Missão Artemis II Já está a caminho da Lua o foguete da Nasa com quatro astronautas da missão Artemis II. E o lançamento histórico aconteceu nesta quarta-feira (1º) no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida. A tradicional contagem regressiva marcou a expectativa pelo sucesso da missão Artemis II. Milhares de pessoas acompanharam a contagem em Cabo Canaveral, na Flórida, e teve comemoração quando o foguete finalmente decolou. Logo nos primeiros minutos da viagem, o comandante da missão, Reid Wiseman, disse: “Temos um belo nascer da Lua e estamos indo direto para lá”. Durante as primeiras 24 horas, a cápsula Orion vai ficar na órbita da Terra. E só na quinta-feira (2), os astronautas vão se dirigir à Lua. Se tudo der certo na viagem que começa nesta quarta-feira (1º), daqui a dois anos, o programa Artemis vai mandar astronautas para o solo lunar - quase 60 anos depois da pioneira Apolo 11. E, aos poucos, os Estados Unidos e aliados planejam construir uma base na Lua. Seria o início de uma nova era de exploração lunar. O nosso satélite é rico em terras raras, gases e minerais, que podem ser úteis na Terra. Apresentados como super-heróis, os quatro astronautas a bordo da cápsula Órion têm a missão de acabar com cinco décadas sem viagens americanas rumo à Lua. É uma tripulação de pioneiros. Reid Wiseman comanda a missão Artemis II. Victor Glover será o primeiro homem negro em uma missão lunar. A engenheira Christina Koch, a primeira mulher rumo ao nosso satélite. E Jeremy Hansen, o primeiro canadense. Nasa lança primeira missão tripulada rumo à Lua em mais de 50 anos Jornal Nacional/ Reprodução O módulo está acoplado ao foguete mais potente do mundo, o SLS, com quase 100 m de altura e a força de 17 aviões a jato. Os astronautas viajam a bordo da Órion, que o Jornal Nacional visitou no Cabo Canaveral em 2022. É apenas um teste para saber se o módulo vai conseguir atravessar os 385 mil km que separam a Terra da Lua e voltar para casa em segurança. Foram três anos de treinamento intenso. Exames físicos constantes e exercícios pesados para estar em forma para desempenhar as missões no espaço. Tudo em uma cápsula que tem o tamanho de duas pequenas vans - e nenhuma margem para erros. Nos últimos momentos, despedidas da família, muitos sorrisos e a pose para a foto antes de seguir para a plataforma de lançamento. A viagem de dez dias é uma espécie de ensaio geral para a próxima missão em 2028, quando finalmente os astronautas devem voltar a pisar em solo lunar, como explica o professor da Universidade Naval de Guerra David Burbach: “É a primeira oportunidade da Nasa testar a cápsula Órion com astronautas dentro. E testar a primeira operação no espaço profundo”. Desta vez, os astronautas vão passar a 7 mil km da Lua. Eles vão deixar a órbita terrestre e dar uma volta em torno do nosso satélite - passando pelo lado oculto, quando vão ficar 40 minutos sem comunicação com o centro de comando. É o ponto mais distante que seres humanos já chegaram da Terra, a mais de 400 mil km de distância de casa. É um dos momentos mais críticos da viagem e, por isso, os astronautas não farão nenhuma manobra até restabelecer contato com a Terra. Os quatro astronautas a bordo da cápsula Órion têm a missão de acabar com cinco décadas sem viagens americanas rumo à Lua Jornal Nacional/ Reprodução O objetivo final do programa Artemis é criar uma base americana na Lua para explorar o potencial do satélite. O período mais longo que um astronauta já passou em solo lunar foram três dias, durante a missão Apollo 17, em 1972. É pouco tempo para explorar todo o potencial lunar e para entender como o corpo humano funciona tão longe da Terra. “A Estação Espacial Internacional fica a apenas 400 km da Terra. Se há uma emergência, os astronautas podem voltar rapidamente à Terra. Na Lua, vamos testar pela primeira vez os efeitos de uma gravidade que corresponde a 1/6 da terrestre. Será que, como na gravidade zero, haverá perda óssea? A resposta nos dirá se podemos viver bem em Marte”, diz o professor Burbach. Se a Apollo 11 foi um enorme passo para a humanidade, a missão Artemis pode se tornar o salto para a vida em outros mundos. Histórico Missão Artemis II, da Nasa, inaugura novo capítulo da corrida espacial do século XXI Essa missão que começou nesta quarta-feira (1º) inaugura um capítulo novo da corrida espacial do século 21. Como levar o homem à Lua? Por muito tempo, essa viagem só era possível na imaginação. Como nos livros de Júlio Verne. No século 19, ele já mergulhava na astrofísica para pensar em como fazer a obra de ficção científica se parecer menos com ficção, e inspirou um filme: “Viagem à Lua” - um marco do cinema. Na Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética foram além da disputa geopolítica e competiram pelo domínio espacial. Os soviéticos largaram na frente. O cosmonauta Yuri Gagarin foi o primeiro homem a viajar pelo espaço. O americano Alan Shepard foi lançado menos de um mês depois, mas ficou abaixo da órbita e só viajou por 15 minutos. Mas, naquele mesmo ano, o então presidente John Kennedy prometeu levar o homem à Lua até o fim da década. Promessa cumprida em 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong deu “um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Os Estados Unidos ainda fizeram outros cinco pousos lunares na década de 1970. E os americanos venceram a corrida espacial. O século 21 trouxe novas competições: a disputa pelo domínio da inteligência artificial, a busca por novas fontes de energia, novas rivalidades políticas. Contextos que fizeram a humanidade retomar o sonho de ir à Lua - e além dela. Quem sabe, até Marte? A rival da vez é a China. Os chineses já lançaram missões não tripuladas para a Lua. O pesquisador de política espacial Dean Cheng, da Universidade George Washington, afirmou ao Jornal Nacional que, nessa disputa, o simbolismo de ir até a Lua importa. “Qual vai ser a língua da exploração lunar? Chinês ou inglês?”, perguntou. As gigantes da tecnologia também ganharam um papel nessa corrida. O especialista citou a SpaceX, responsável por mais da metade dos lançamentos espaciais do mundo: “Eles são capazes de criar uma enorme eficiência que a China, com maior ênfase em estatais, não tem conseguido alcançar”. LEIA TAMBÉM O que os astronautas vão comer na missão à órbita da Lua? Cardápio tem até chocolate e café Por dentro da sala de controle da Artemis, a nova missão da Nasa à Lua Primeiro a Lua, depois Marte? Por que nova missão da Nasa é importante
Nasa lança primeira missão tripulada rumo à Lua em mais de 50 anos
Piemonte Escrito em 02/04/2026
Lançada do Cabo Canaveral (EUA) a Missão Artemis II Já está a caminho da Lua o foguete da Nasa com quatro astronautas da missão Artemis II. E o lançamento histórico aconteceu nesta quarta-feira (1º) no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida. A tradicional contagem regressiva marcou a expectativa pelo sucesso da missão Artemis II. Milhares de pessoas acompanharam a contagem em Cabo Canaveral, na Flórida, e teve comemoração quando o foguete finalmente decolou. Logo nos primeiros minutos da viagem, o comandante da missão, Reid Wiseman, disse: “Temos um belo nascer da Lua e estamos indo direto para lá”. Durante as primeiras 24 horas, a cápsula Orion vai ficar na órbita da Terra. E só na quinta-feira (2), os astronautas vão se dirigir à Lua. Se tudo der certo na viagem que começa nesta quarta-feira (1º), daqui a dois anos, o programa Artemis vai mandar astronautas para o solo lunar - quase 60 anos depois da pioneira Apolo 11. E, aos poucos, os Estados Unidos e aliados planejam construir uma base na Lua. Seria o início de uma nova era de exploração lunar. O nosso satélite é rico em terras raras, gases e minerais, que podem ser úteis na Terra. Apresentados como super-heróis, os quatro astronautas a bordo da cápsula Órion têm a missão de acabar com cinco décadas sem viagens americanas rumo à Lua. É uma tripulação de pioneiros. Reid Wiseman comanda a missão Artemis II. Victor Glover será o primeiro homem negro em uma missão lunar. A engenheira Christina Koch, a primeira mulher rumo ao nosso satélite. E Jeremy Hansen, o primeiro canadense. Nasa lança primeira missão tripulada rumo à Lua em mais de 50 anos Jornal Nacional/ Reprodução O módulo está acoplado ao foguete mais potente do mundo, o SLS, com quase 100 m de altura e a força de 17 aviões a jato. Os astronautas viajam a bordo da Órion, que o Jornal Nacional visitou no Cabo Canaveral em 2022. É apenas um teste para saber se o módulo vai conseguir atravessar os 385 mil km que separam a Terra da Lua e voltar para casa em segurança. Foram três anos de treinamento intenso. Exames físicos constantes e exercícios pesados para estar em forma para desempenhar as missões no espaço. Tudo em uma cápsula que tem o tamanho de duas pequenas vans - e nenhuma margem para erros. Nos últimos momentos, despedidas da família, muitos sorrisos e a pose para a foto antes de seguir para a plataforma de lançamento. A viagem de dez dias é uma espécie de ensaio geral para a próxima missão em 2028, quando finalmente os astronautas devem voltar a pisar em solo lunar, como explica o professor da Universidade Naval de Guerra David Burbach: “É a primeira oportunidade da Nasa testar a cápsula Órion com astronautas dentro. E testar a primeira operação no espaço profundo”. Desta vez, os astronautas vão passar a 7 mil km da Lua. Eles vão deixar a órbita terrestre e dar uma volta em torno do nosso satélite - passando pelo lado oculto, quando vão ficar 40 minutos sem comunicação com o centro de comando. É o ponto mais distante que seres humanos já chegaram da Terra, a mais de 400 mil km de distância de casa. É um dos momentos mais críticos da viagem e, por isso, os astronautas não farão nenhuma manobra até restabelecer contato com a Terra. Os quatro astronautas a bordo da cápsula Órion têm a missão de acabar com cinco décadas sem viagens americanas rumo à Lua Jornal Nacional/ Reprodução O objetivo final do programa Artemis é criar uma base americana na Lua para explorar o potencial do satélite. O período mais longo que um astronauta já passou em solo lunar foram três dias, durante a missão Apollo 17, em 1972. É pouco tempo para explorar todo o potencial lunar e para entender como o corpo humano funciona tão longe da Terra. “A Estação Espacial Internacional fica a apenas 400 km da Terra. Se há uma emergência, os astronautas podem voltar rapidamente à Terra. Na Lua, vamos testar pela primeira vez os efeitos de uma gravidade que corresponde a 1/6 da terrestre. Será que, como na gravidade zero, haverá perda óssea? A resposta nos dirá se podemos viver bem em Marte”, diz o professor Burbach. Se a Apollo 11 foi um enorme passo para a humanidade, a missão Artemis pode se tornar o salto para a vida em outros mundos. Histórico Missão Artemis II, da Nasa, inaugura novo capítulo da corrida espacial do século XXI Essa missão que começou nesta quarta-feira (1º) inaugura um capítulo novo da corrida espacial do século 21. Como levar o homem à Lua? Por muito tempo, essa viagem só era possível na imaginação. Como nos livros de Júlio Verne. No século 19, ele já mergulhava na astrofísica para pensar em como fazer a obra de ficção científica se parecer menos com ficção, e inspirou um filme: “Viagem à Lua” - um marco do cinema. Na Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética foram além da disputa geopolítica e competiram pelo domínio espacial. Os soviéticos largaram na frente. O cosmonauta Yuri Gagarin foi o primeiro homem a viajar pelo espaço. O americano Alan Shepard foi lançado menos de um mês depois, mas ficou abaixo da órbita e só viajou por 15 minutos. Mas, naquele mesmo ano, o então presidente John Kennedy prometeu levar o homem à Lua até o fim da década. Promessa cumprida em 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong deu “um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Os Estados Unidos ainda fizeram outros cinco pousos lunares na década de 1970. E os americanos venceram a corrida espacial. O século 21 trouxe novas competições: a disputa pelo domínio da inteligência artificial, a busca por novas fontes de energia, novas rivalidades políticas. Contextos que fizeram a humanidade retomar o sonho de ir à Lua - e além dela. Quem sabe, até Marte? A rival da vez é a China. Os chineses já lançaram missões não tripuladas para a Lua. O pesquisador de política espacial Dean Cheng, da Universidade George Washington, afirmou ao Jornal Nacional que, nessa disputa, o simbolismo de ir até a Lua importa. “Qual vai ser a língua da exploração lunar? Chinês ou inglês?”, perguntou. As gigantes da tecnologia também ganharam um papel nessa corrida. O especialista citou a SpaceX, responsável por mais da metade dos lançamentos espaciais do mundo: “Eles são capazes de criar uma enorme eficiência que a China, com maior ênfase em estatais, não tem conseguido alcançar”. LEIA TAMBÉM O que os astronautas vão comer na missão à órbita da Lua? Cardápio tem até chocolate e café Por dentro da sala de controle da Artemis, a nova missão da Nasa à Lua Primeiro a Lua, depois Marte? Por que nova missão da Nasa é importante
