Vacina contra a dengue: 27% das crianças e adolescentes estão imunizados na região de Ribeirão Preto

Piemonte Escrito em 09/02/2026


Vacinação contra a dengue em posto de saúde em Ribeirão Preto, SP Fernando Gonzaga Dois anos após o início da vacinação contra a dengue no Brasil, a cobertura ainda está abaixo do ideal nas cidades da região de Ribeirão Preto (SP), Barretos (SP) e Franca (SP), principalmente em relação à segunda dose, necessária para completar o esquema vacinal. Os dados mostram que muitos jovens tomam a primeira aplicação, mas não retornam aos postos para receber a segunda. A vacina começou a ser aplicada em fevereiro de 2024 e é destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — faixa etária que concentra um dos maiores números de internações por dengue, atrás apenas dos idosos, grupo para o qual o imunizante ainda não foi liberado pela Anvisa. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O esquema é composto por duas doses, com intervalo de três meses. Segundo o Ministério da Saúde, o ideal é que a cobertura esteja sempre acima de 90%. Nas principais cidades da região, no entanto, os índices estão bem distantes desta meta. (veja mais abaixo) Veja os vídeos que estão em alta no g1 Considerando os dados de Ribeirão Preto (SP), Franca (SP), Sertãozinho (SP) e Barretos (SP), a média regional é de 55,3% para a primeira dose e de apenas 27,7% para a segunda, o que mostra que pouco mais da metade do público-alvo iniciou a vacinação e menos de um terço completou o esquema vacinal. Ribeirão Preto é a cidade com a maior cobertura da primeira dose, mas tem uma queda grande quando se olha para a segunda aplicação. Franca aparece logo em seguida, também com diferença expressiva entre quem tomou a primeira dose e quem voltou para completar a vacinação. Já Sertãozinho e Barretos registram percentuais mais baixos nas duas etapas, tanto entre quem iniciou quanto entre quem concluiu o esquema vacinal. Aedes aegypti, transmissor da dengue. MS/Divulgação A imunização em duas doses era a única disponível até então. Nesta segunda-feira (9), o governo de São Paulo inicia a campanha de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em todos os 645 municípios paulistas. O imunizante, primeiro do mundo a ser aplicado em dose única, pode ser essencial para melhorar a cobertura vacinal em todo o estado. Ele foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos. Os estudos apontaram eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações. Nesta primeira fase, serão vacinados profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal. 📊 Cobertura vacinal contra a dengue na região Em Ribeirão Preto, 84,5% do público-alvo recebeu a primeira dose, mas apenas 35,4% voltou para completar a imunização. Para a subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, esse é hoje um dos principais desafios no enfrentamento da doença. "As pessoas tomam a primeira dose, produzem anticorpos, mas precisam da segunda para que esse nível se eleve e seja mais duradouro. Sem completar o esquema, a proteção fica comprometida. É preocupante, porque a vacina está disponível". Em Barretos, 33,76% do público-alvo tomou a primeira dose, enquanto apenas 16,54% completou o esquema vacinal. Em Sertãozinho, que tem 8.268 crianças e adolescentes no público-alvo, 40,47% receberam a primeira dose e 21,08% a segunda. Em Franca, foram aplicadas 5.068 doses de vacina contra a dengue. Desse total, 3.159 correspondem à primeira dose, o que representa 62,3%, e 1.909 à segunda dose, o equivalente a 37,7%. 💉 Vacina disponível em todas as cidades Em notas encaminhadas ao g1, as cidades informaram que a vacina contra a dengue segue disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em Ribeirão Preto, a Secretaria de Saúde informou que há 39 salas de vacina para aplicação do imunizante. As unidades e os respectivos endereços estão disponíveis no site da prefeitura. "Quem não tomou a primeira dose, procure a unidade. E quem já tomou, volte para a segunda. A vacina é segura, está disponível e é uma aliada importante no enfrentamento da dengue. Sem completar o esquema, a proteção não é a mesma", afirma Luzia. Procura por vacina contra a dengue em Ribeirão Preto (SP) aumentou 50% nas duas primeiras semanas do ano Luciano Tolentino/EPTV Em Sertãozinho, a vacinação é realizada de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 14h45, nas UBSs Cohab 3, Cohab 8, Jamaica, Alvorada, Santa Rosa e no distrito de Cruz das Posses. Em Barretos, Jaboticabal e Franca, a aplicação ocorre nas Unidades Básicas de Saúde, sem necessidade de agendamento prévio. É preciso apresentar documento de identificação e a caderneta de vacinação. 🏥 Casos e mortes nos últimos anos Em Ribeirão Preto, em 2024 foram confirmados 44.630 casos de dengue e 26 mortes. Em 2025, as ocorrências caíram para 21.580 casos positivos e 11 óbitos. As taxas de hospitalização foram de 5,36% em 2024 e de 3,97% em 2025. Até o dia 21 de janeiro deste ano, a cidade contabiliza 8 casos confirmados. Em Sertãozinho, o município registrou 2.207 casos e quatro mortes por dengue em 2024. Em 2025, os números subiram para 9.169 casos e 14 óbitos. Neste ano, até o momento, são 7 casos confirmados. Em Barretos, ao longo de 2024 foram confirmados 3.805 casos de dengue, com 303 internações e dois óbitos. Em 2025, o município teve 4.501 casos confirmados, 336 internações e quatro mortes. Neste ano, já são 10 casos confirmados. Em Jaboticabal, em 2024 foram confirmados 1.713 casos de dengue e quatro mortes. Já em 2025, o número subiu para 2.713 casos, com 16 óbitos. Franca contabilizou 9.432 casos positivos de dengue e 20 mortes em 2024. Em 2025, foram 6.050 casos confirmados e quatro óbitos. Trabalhadora da saúde manuseando vacina contra a dengue Ricardo Wolffenbüttel/Secom-SC Apesar de as cidades a região registrarem poucos casos confirmados neste início de 2026, Luzia explica que os números ainda são iniciais e não permitem prever como será o comportamento da doença ao longo do ano. "Janeiro nunca é preditor. Os dados ainda são incipientes. O que nos preocupa muito são as condições climáticas: chuva frequente, calor e umidade. Isso cria um ambiente ideal para o mosquito, encurta o ciclo de reprodução e aumenta rapidamente a infestação". Segundo ela, em condições favoráveis, o ciclo do Aedes aegypti pode levar menos de sete dias. Isso faz com que a população do vetor cresça em curto espaço de tempo, elevando o risco de transmissão. 🦟 Medidas de combate e novas tecnologias Além da vacinação, Ribeirão Preto mantém ações contínuas de combate ao mosquito, como vistorias em imóveis, bloqueios de criadouros, nebulização em áreas com casos confirmados, visitas a canteiros de obras e mutirões de limpeza. O município também implantou estações disseminadoras de larvicida — armadilhas que contaminam o mosquito, que passa a espalhar o produto entre os criadouros. Atualmente, cerca de 1,3 mil dessas estações estão instaladas em bairros e pontos estratégicos da cidade, como ferros-velhos e depósitos de sucata. A subsecretária de Vigilância em Saúde explica que a vacinação precisa estar associada aos cuidados dentro de casa, como eliminar recipientes que acumulam água, limpar calhas, observar ralos pouco usados, descartar objetos expostos à chuva e revisar o quintal pelo menos uma vez por semana. "Dengue é uma doença que pode evoluir para quadros graves e até levar à morte. A vacina ajuda, mas só funciona junto com o controle do mosquito. Nenhuma tecnologia substitui o cuidado dentro de casa. O mosquito é vulnerável na fase aquática. A melhor medida é não deixar ele nascer". Larvas do mosquito da dengue coletadas em Ribeirão Preto, SP aedes aegytpi Reprodução/EPTV *Sob a supervisão de Flávia Santucci Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região