Operação contra garimpos na Terra Yanomami destrói 80 pistas e mapeia rotas para Venezuela A operação de combate ao garimpo na Terra Yanomami já destruiu 80 pistas clandestinas usadas em atividades ilegais no território. Algumas também servem como apoio logístico para acesso à Venezuela. Para mostrar como esse trabalho é feito, o g1 acompanhou, nesta terça-feira (17), os bastidores da interdição da última pista (assista no vídeo acima). O trabalho de destruição é feito de forma contínua pela operação Catrimani II, das Forças Armadas, desde junho de 2024. A pista mais recente inutilizada foi a Lobo D'Almada, na região de Iracema, no Sul de Roraima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Com 400 metros de extensão, essa mesma pista havia sido interditada em novembro de 2025. No entanto, criminosos cobriram as crateras com terra e madeira para reativar o pouso de aeronaves. Considerada um alvo de "alto impacto", a área apresentava intensa presença de garimpeiros, segundo os militares. Às margens do rio Lobo D'Almada, a cerca de 82 quilômetros da fronteira, a pista funcionava como ponto estratégico para o garimpo ilegal no território Yanomami e também como rota de acesso à Venezuela. Assim como essa, a operação mapeou outras três pistas usadas para acessar o país vizinho: Dicão, Capixaba e Pupunha. Antes e depois da deinstrusão da pista clandestina Lobo D'Almada do garimpo ilegal em Roraima Initial plugin text Destruição com explosivos Para a nova destruição, foram usados 350 quilos de explosivos. O material foi instalado em fornilhos, buracos estreitos escavados no chão, com cerca de dois metros de profundidade, e detonado por volta das 13h. A logística da operação exigiu 13 horas e 40 minutos de voo, consumiu 4.200 litros de combustível e mobilizou três helicópteros militares: H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira, HM-1 Pantera do Exército Brasileiro e o UH-15 Super Cougar da Marinha do Brasil. Fornilhos onde são inseridos os explosivos para inutilizar pistas de pouso clandestinas do garimpo ilegal João Gabriel Leitão/g1 RR A destruição das 80 pistas é resultado de um trabalho de asfixia logística da atividade ilegal, o que envolve mapeamento por satélites, sobrevoos frequentes e monitoramentos de inteligência. Dados oficiais da operação somam 50 pistas destruídas em 2024, 25 ao longo de 2025, e outras cinco até 17 de março de 2026. O diretor da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, explicou que a insistência em manter essas pistas ativas revela uma mudança na logística do crime. "A gente identifica que podem ser pistas que estão sendo utilizadas para uma estrutura de apoio à Venezuela, que são próximas da fronteira. Então o avião leva os produtos até ali [terra Yanomami], uma outra aeronave vem, pega e leva para a Venezuela", afirmou Tubino. Cratera aberta pelos explosivos usados na desintrusão de uma pista clandestina do garimpo ilegal na Terra Yanomami. João Gabriel Leitão/g1 RR Reativação de pistas destruídas Tecnicamente, as Forças Armadas chamam a inutilização das pistas de "interdição". Isso porque existe a possibilidade de que os garimpeiros refazerem a estrutura. A inteligência da operação mapeou que, além da pista Lobo D'Almada, houve pelo menos outras oito tentativas recentes de reativação em áreas críticas, como nas regiões de Alto Catrimani, Paapiú, Aretha-u e Waikás. Um militar que participou da operação, e que teve a identidade preservada por segurança, destacou que a imensidão da floresta dificulta as ações de repressão. "Já é um efeito esperado que ela venha a ser recuperada pelo garimpo. A Terra Yanomami é imensa, maior que o território de Portugal. É uma área que só se acessa basicamente ou navegando ou de helicóptero", explicou o militar. "A atividade do garimpo, apesar de ter sido reduzida em mais de 98%, ela continua atuando de maneira cada vez mais camuflada, com uma digital ainda menor no terreno, mais difícil de encontrar e de combater", acrescentou. Com a perda de estrutura dentro da floresta, o garimpo também tem improvisado do lado de fora. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão ligado ao Ministério da Defesa do Brasil, identificou mais de 30 estradas vicinais fora do território indígena que passaram a ser usadas como pistas improvisadas para acessar a região clandestinamente. Trecho da pista clandestina Lobo D'Almada, usada no garimpo ilegal, na Terra Indígena Yanomami João Gabriel Leitão/g1 RR Leia mais: O que mudou em três anos da crise Yanomami e o que ainda falta na terra indígena Três homens são presos por garimpo ilegal na Terra Yanomami Operação destrói pista usada por garimpeiros ilegais na Terra Yanomami Operação Catrimani II A operação Catrimani II está em atividade desde abril de 2024 e dá continuidade à Catrimani I, direcionado à ajuda humanitária aos indígenas Yanomami. Nesta segunda fase, o trabalho é focado na retirada de garimpeiros que ainda persistem no território e na destruição da logística da atividade ilegal, como acampamentos, maquinários e pistas. Sob coordenação do Comando Operacional Conjunto, a missão reúne forças de segurança pública e agências governamentais para manter a pressão sobre as rotas ilícitas. Aeronave H-60, da Força Aérea Brasileira, pousa na Terra Yanomami para destruir pista clandestina do garimpo ilegal. João Gabriel Leitão/g1 RR Mesmo com os avanços, o diretor da Casa de Governo reconheceu que o estado ainda não conseguiu passar para a fase de apenas monitorar o território. "A gente ainda continua na ação de repressão com todos os efetivos que a gente tem disponível para diminuir e chegar aos 100% de atividade", concluiu Tubino. Todas essas ações fazem parte da força-tarefa do governo federal, criada em janeiro de 2023 para combater a crise humanitária e o garimpo ilegal na Terra Yanomami. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
Operação contra garimpos na Terra Yanomami destrói 80 pistas e mapeia rotas para Venezuela
Piemonte Escrito em 19/03/2026
Operação contra garimpos na Terra Yanomami destrói 80 pistas e mapeia rotas para Venezuela A operação de combate ao garimpo na Terra Yanomami já destruiu 80 pistas clandestinas usadas em atividades ilegais no território. Algumas também servem como apoio logístico para acesso à Venezuela. Para mostrar como esse trabalho é feito, o g1 acompanhou, nesta terça-feira (17), os bastidores da interdição da última pista (assista no vídeo acima). O trabalho de destruição é feito de forma contínua pela operação Catrimani II, das Forças Armadas, desde junho de 2024. A pista mais recente inutilizada foi a Lobo D'Almada, na região de Iracema, no Sul de Roraima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Com 400 metros de extensão, essa mesma pista havia sido interditada em novembro de 2025. No entanto, criminosos cobriram as crateras com terra e madeira para reativar o pouso de aeronaves. Considerada um alvo de "alto impacto", a área apresentava intensa presença de garimpeiros, segundo os militares. Às margens do rio Lobo D'Almada, a cerca de 82 quilômetros da fronteira, a pista funcionava como ponto estratégico para o garimpo ilegal no território Yanomami e também como rota de acesso à Venezuela. Assim como essa, a operação mapeou outras três pistas usadas para acessar o país vizinho: Dicão, Capixaba e Pupunha. Antes e depois da deinstrusão da pista clandestina Lobo D'Almada do garimpo ilegal em Roraima Initial plugin text Destruição com explosivos Para a nova destruição, foram usados 350 quilos de explosivos. O material foi instalado em fornilhos, buracos estreitos escavados no chão, com cerca de dois metros de profundidade, e detonado por volta das 13h. A logística da operação exigiu 13 horas e 40 minutos de voo, consumiu 4.200 litros de combustível e mobilizou três helicópteros militares: H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira, HM-1 Pantera do Exército Brasileiro e o UH-15 Super Cougar da Marinha do Brasil. Fornilhos onde são inseridos os explosivos para inutilizar pistas de pouso clandestinas do garimpo ilegal João Gabriel Leitão/g1 RR A destruição das 80 pistas é resultado de um trabalho de asfixia logística da atividade ilegal, o que envolve mapeamento por satélites, sobrevoos frequentes e monitoramentos de inteligência. Dados oficiais da operação somam 50 pistas destruídas em 2024, 25 ao longo de 2025, e outras cinco até 17 de março de 2026. O diretor da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, explicou que a insistência em manter essas pistas ativas revela uma mudança na logística do crime. "A gente identifica que podem ser pistas que estão sendo utilizadas para uma estrutura de apoio à Venezuela, que são próximas da fronteira. Então o avião leva os produtos até ali [terra Yanomami], uma outra aeronave vem, pega e leva para a Venezuela", afirmou Tubino. Cratera aberta pelos explosivos usados na desintrusão de uma pista clandestina do garimpo ilegal na Terra Yanomami. João Gabriel Leitão/g1 RR Reativação de pistas destruídas Tecnicamente, as Forças Armadas chamam a inutilização das pistas de "interdição". Isso porque existe a possibilidade de que os garimpeiros refazerem a estrutura. A inteligência da operação mapeou que, além da pista Lobo D'Almada, houve pelo menos outras oito tentativas recentes de reativação em áreas críticas, como nas regiões de Alto Catrimani, Paapiú, Aretha-u e Waikás. Um militar que participou da operação, e que teve a identidade preservada por segurança, destacou que a imensidão da floresta dificulta as ações de repressão. "Já é um efeito esperado que ela venha a ser recuperada pelo garimpo. A Terra Yanomami é imensa, maior que o território de Portugal. É uma área que só se acessa basicamente ou navegando ou de helicóptero", explicou o militar. "A atividade do garimpo, apesar de ter sido reduzida em mais de 98%, ela continua atuando de maneira cada vez mais camuflada, com uma digital ainda menor no terreno, mais difícil de encontrar e de combater", acrescentou. Com a perda de estrutura dentro da floresta, o garimpo também tem improvisado do lado de fora. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão ligado ao Ministério da Defesa do Brasil, identificou mais de 30 estradas vicinais fora do território indígena que passaram a ser usadas como pistas improvisadas para acessar a região clandestinamente. Trecho da pista clandestina Lobo D'Almada, usada no garimpo ilegal, na Terra Indígena Yanomami João Gabriel Leitão/g1 RR Leia mais: O que mudou em três anos da crise Yanomami e o que ainda falta na terra indígena Três homens são presos por garimpo ilegal na Terra Yanomami Operação destrói pista usada por garimpeiros ilegais na Terra Yanomami Operação Catrimani II A operação Catrimani II está em atividade desde abril de 2024 e dá continuidade à Catrimani I, direcionado à ajuda humanitária aos indígenas Yanomami. Nesta segunda fase, o trabalho é focado na retirada de garimpeiros que ainda persistem no território e na destruição da logística da atividade ilegal, como acampamentos, maquinários e pistas. Sob coordenação do Comando Operacional Conjunto, a missão reúne forças de segurança pública e agências governamentais para manter a pressão sobre as rotas ilícitas. Aeronave H-60, da Força Aérea Brasileira, pousa na Terra Yanomami para destruir pista clandestina do garimpo ilegal. João Gabriel Leitão/g1 RR Mesmo com os avanços, o diretor da Casa de Governo reconheceu que o estado ainda não conseguiu passar para a fase de apenas monitorar o território. "A gente ainda continua na ação de repressão com todos os efetivos que a gente tem disponível para diminuir e chegar aos 100% de atividade", concluiu Tubino. Todas essas ações fazem parte da força-tarefa do governo federal, criada em janeiro de 2023 para combater a crise humanitária e o garimpo ilegal na Terra Yanomami. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
