Tubarão-tigre no Sudeste: quais são os riscos da espécie agressiva de tubarão monitorada pela 1ª vez no Rio

Piemonte Escrito em 12/02/2026


Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste Pela primeira vez, cientistas monitoram por satélite a presença de tubarões-tigre na região Sudeste do Brasil. Considerada uma das espécies mais agressivas do mundo, o animal passou a ser observado com frequência na Baía de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, após relatos de pescadores e barqueiros da região. O tubarão-tigre é comum no litoral de Pernambuco, onde há registros de ataques fatais. Agora, pesquisadores querem entender por que a espécie tem sido vista com mais regularidade no Sudeste e se há ligação entre esses grupos e os que vivem no Nordeste. Primeiros registros e monitoramento inédito Moradores da região relatavam a presença de um tubarão conhecido como tintureiro, que hoje é reconhecido como o tubarão‑tigre. Para surpresa dos biólogos, os animais não chegaram recentemente: “Na verdade, eles sempre estiveram aqui. Agora a gente está enxergando eles mais”, afirma uma pesquisadora do Instituto Pro Shark. Em janeiro, pescadores levaram a equipe ao local onde os tubarões costumam ficar. Ali, os cientistas conseguiram capturar e marcar dois indivíduos: Gaspar, medindo 1,80 m Baltazar, com 2,08 m Ambos receberam uma antena de monitoramento acoplada à nadadeira dorsal, capaz de enviar dados de posição e temperatura da água quando o animal sobe à superfície. Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste Reprodução/TV Globo Circulação em grupo dentro da baía As primeiras semanas de monitoramento revelaram um comportamento inesperado: apesar de serem considerados solitários, os tubarões‑tigre estavam em grupo. “A gente conseguiu perceber a presença de pelo menos dez bichos juntos”, dizem os pesquisadores. Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste Reprodução/TV Globo Ausência de registros de ataques Apesar da fama da espécie, não há histórico de ataques dentro da Baía de Ilha Grande. Especialistas explicam que o ambiente é considerado equilibrado, com abundância de alimento e áreas de proteção ambiental, o que reduz o risco de incidentes. O maior perigo, segundo os especialistas, ocorre quando pessoas “sem informação entram na água ou tentam interagir com os animais”. Por isso, a equipe evita divulgar com precisão os locais onde os tubarões circulam, para proteger tanto os animais quanto os visitantes. Histórico de ataques em Pernambuco A comparação com Pernambuco reforça o alerta. Em 34 anos, foram registrados 82 ataques e 27 mortes no litoral do estado, principalmente na região metropolitana do Recife. Pesquisadores associam os incidentes a fatores como poluição, esgoto lançado no mar, mudanças nas correntes marítimas e presença de canais naturais usados pelos tubarões durante a reprodução. Um dos casos mais graves ocorreu em Jaboatão dos Guararapes, onde uma adolescente perdeu parte do braço após ser atacada por um tubarão-tigre. A área é considerada de alto risco e recebeu placas de advertência ao longo da orla. Segundo especialistas, o monitoramento no Rio pode ajudar a entender por que a espécie se comporta de forma diferente em regiões distintas do país. E quanto mais animais forem marcados, mais informações teremos sobre deslocamento, comportamento e possíveis riscos. Prevenção e monitoramento científico Nos próximos meses, novos tubarões devem receber transmissores. A expectativa é que os dados ajudem a prevenir ataques, orientar políticas públicas e ampliar o conhecimento sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os grandes predadores marinhos. Enquanto isso, a recomendação é clara: respeitar o habitat dos animais, evitar áreas sinalizadas e não tentar se aproximar ou alimentar tubarões. “A convivência segura depende de informação e monitoramento”, afirmam os cientistas. Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.