Morre, aos 95 anos, o médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil Morreu nesta terça-feira (28), aos 95 anos, em São Paulo, o médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil. Silvano Raia ajudou a mudar os limites da medicina. Paulistano, nascido em 1930, se formou na USP em 1956. Fez pós-doutorado na Inglaterra e, lá, participou dos primeiros transplantes de fígado do mundo. Em 1985, liderou a equipe que fez o primeiro transplante desse tipo na América Latina. Três anos depois, fez o primeiro transplante de fígado com doador vivo no mundo. A motivação veio da urgência. Muitas crianças gravemente doentes morriam na fila de espera por um órgão compatível. “Não se pode botar órgão adulto em uma criança. E nos ocorreu retirar um seguimento de uma doadora sadia, geralmente a mãe, que doava um pedaço do fígado, o seguimento esquerdo, para a criança. Depois de duas ou três semanas acontecia um milagre. Na mãe, o fígado remanescente readquiria o tamanho do volume anterior. E na criança, o seguimento transplantado crescia exatamente até o ponto necessário para o peso dela”, Silvano Raia ao programa Roberto D’Avila em 10 de maio de 2022. A nova técnica também passou a ser usada em adultos. Ajudou a reduzir o impacto da escassez de órgãos para transplante, diminuiu o tempo de espera e aumentou as chances de sobrevivência de milhares de pacientes. “Na nossa área nada pode ser considerado impossível, nada”, afirmou Silvano Raia a Roberto D’Avila. Médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil, morre aos 95 anos Jornal Nacional/ Reprodução Foi com essa convicção que ele dedicou os últimos anos ao que considerava ser o maior desafio da medicina moderna: aumentar a disponibilidade de órgãos para acabar com a fila dos transplantes. Silvano Raia coordenou a equipe que criou o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Um projeto que busca utilizar órgãos de suínos modificados geneticamente como alternativa para transplantes em seres humanos. Em 2022, o laboratório da USP dominou a técnica de modificar as células. E, em março, nasceu o primeiro porquinho clonado no Brasil. Os primeiros passos já foram dados e o doutor Silvano acreditava que muito mais está por vir: "Eu gostaria de terminar esta fase do xenotransplante. É deslumbrante. Se isso for resolvido, acaba a lista de espera", disse em 5 de fevereiro de 2025. Ao longo da carreira, Silvano Raia foi professor e diretor da Faculdade de Medicina da USP, onde formou gerações de médicos. Ele morreu em decorrência de problemas pulmonares. Tinha duas filhas e quatro netos. LEIA TAMBÉM Morre Silvano Raia, médico que fez 1º transplante de fígado da América Latina, aos 95 anos
Médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil, morre aos 95 anos
Piemonte Escrito em 29/04/2026
Morre, aos 95 anos, o médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil Morreu nesta terça-feira (28), aos 95 anos, em São Paulo, o médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil. Silvano Raia ajudou a mudar os limites da medicina. Paulistano, nascido em 1930, se formou na USP em 1956. Fez pós-doutorado na Inglaterra e, lá, participou dos primeiros transplantes de fígado do mundo. Em 1985, liderou a equipe que fez o primeiro transplante desse tipo na América Latina. Três anos depois, fez o primeiro transplante de fígado com doador vivo no mundo. A motivação veio da urgência. Muitas crianças gravemente doentes morriam na fila de espera por um órgão compatível. “Não se pode botar órgão adulto em uma criança. E nos ocorreu retirar um seguimento de uma doadora sadia, geralmente a mãe, que doava um pedaço do fígado, o seguimento esquerdo, para a criança. Depois de duas ou três semanas acontecia um milagre. Na mãe, o fígado remanescente readquiria o tamanho do volume anterior. E na criança, o seguimento transplantado crescia exatamente até o ponto necessário para o peso dela”, Silvano Raia ao programa Roberto D’Avila em 10 de maio de 2022. A nova técnica também passou a ser usada em adultos. Ajudou a reduzir o impacto da escassez de órgãos para transplante, diminuiu o tempo de espera e aumentou as chances de sobrevivência de milhares de pacientes. “Na nossa área nada pode ser considerado impossível, nada”, afirmou Silvano Raia a Roberto D’Avila. Médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil, morre aos 95 anos Jornal Nacional/ Reprodução Foi com essa convicção que ele dedicou os últimos anos ao que considerava ser o maior desafio da medicina moderna: aumentar a disponibilidade de órgãos para acabar com a fila dos transplantes. Silvano Raia coordenou a equipe que criou o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Um projeto que busca utilizar órgãos de suínos modificados geneticamente como alternativa para transplantes em seres humanos. Em 2022, o laboratório da USP dominou a técnica de modificar as células. E, em março, nasceu o primeiro porquinho clonado no Brasil. Os primeiros passos já foram dados e o doutor Silvano acreditava que muito mais está por vir: "Eu gostaria de terminar esta fase do xenotransplante. É deslumbrante. Se isso for resolvido, acaba a lista de espera", disse em 5 de fevereiro de 2025. Ao longo da carreira, Silvano Raia foi professor e diretor da Faculdade de Medicina da USP, onde formou gerações de médicos. Ele morreu em decorrência de problemas pulmonares. Tinha duas filhas e quatro netos. LEIA TAMBÉM Morre Silvano Raia, médico que fez 1º transplante de fígado da América Latina, aos 95 anos
