‘Não vamos tolerar desvios’, diz Tarcísio após prisão de policiais acusados de extorsão e corrupção em SP

Piemonte Escrito em 28/08/2026


Governador Tarcísio de Freitas fala sobre greve da CPTM durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes Reprodução/TV Globo O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou nesta sexta-feira (28) a Operação Merx, do Ministério Público de SP (MP-SP), contra policiais civis acusados de usar delegacias estaduais para extorquir dinheiro e cobrar propina de contrabandistas. Ao menos três policiais, um advogado e um empresário já foram presos por participação no esquema. A operação contra com a participação da Corregedoria da Polícia Civil. A operação ocorre no dia seguinte que três policiais (um PM e dois civis) de Osasco também foram presos em flagrante por usarem a delegacia para extorquir dinheiro de um motorista de aplicativo. Em dois dias, ao menos seis policiais foram presos por usarem estruturas do estado para cometer crimes. Três delegacias da Grande SP são alvo de buscas na operação desta sexta-feira (28), por conta dos desvios de condutas de seus integrantes. Segundo Tarcísio, “os maus policiais” não serão tolerados na corporação. “A Corregedoria da Polícia Civil tem atuado para coibir desvios de conduta. Toda vez que for constatado um desvio, a ação do Estado será imediata no sentido de afastar e punir com rigor, nas esferas administrativa e criminal, os maus policiais. Não vamos tolerar desvios”, disse por meio de nota o governador, que é candidato à reeleição em outubro. LEIA MAIS: Policiais de SP são suspeitos de usar delegacias e sistemas da Polícia Civil em esquema de propina Operação prende 3 policiais civis suspeitos de cobrar propina para liberar cargas ilegais em SP OSASCO: Dois policiais civis e PM da reserva são presos suspeitos de extorquir motorista de dentro da delegacia Operação Merx Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram, na manhã desta sexta-feira (28), uma operação contra um grupo suspeito de cobrar propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos interceptadas por policiais civis. Dos sete mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, cinco haviam sido cumpridos até a última atualização. Foram presos três policiais civis — José Adriano Nishi, Bruno dos Santos e Marcos Vinicius —, o advogado Sidiclei Almeida e o empresário do Paraná Jonathan Vieira. Dos dois alvos restantes, Thiago Magnabosco é considerado foragido e está no Paraguai, segundo a investigação, enquanto um policial civil ainda é procurado. Também são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos identificados pela investigação estão: Bruno Moreno dos Santos — policial civil. É investigado por suspeita de participar da apreensão de uma carga de celulares em 17 de junho de 2024, na qual apenas parte da mercadoria teria sido formalmente apreendida; José Adriano Pereira da Silva Nishi — policial civil. Segundo a investigação, participou das negociações para a liberação irregular de uma carga apreendida; Marcos Vinicius — policial civil; Sidiclei Almeida — advogado. É apontado como intermediário nas negociações entre policiais e empresários e teria atuado na cobrança e operacionalização dos pagamentos; Jonathan Vieira — empresário e apontado como um dos intermediários do esquema no Paraná. O g1 tenta localizar as defesas dos investigados. O espaço segue aberto para manifestação. Segundo a investigação, os policiais interceptavam cargas de eletrônicos de origem irregular e, em vez de apreender integralmente as mercadorias, exigiam dos responsáveis pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga para liberá-la total ou parcialmente. Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o esquema teria cobrado cerca de R$ 2,35 milhões em propina, de acordo com a investigação. Um advogado é apontado como intermediário do esquema e dois suspeitos de comandar o contrabando das mercadorias. O policial civil Vagner de Lima, investigador de 1ª classe lotado no 2º Distrito Policial de Cotia, não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública, teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas. Segundo a investigação, foram identificados 13 acessos feitos com o login funcional de Vagner ao sistema Muralha Paulista/Cortex relacionados a um veículo que posteriormente teria sido envolvido no suposto esquema de corrupção. Os investigadores suspeitam que o policial tenha usado o sistema para monitorar um caminhão ligado a um dos episódios apurados. Batizada de Operação Merx, a ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (Dope). Os investigadores apuram os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. "Caixinha da alegria" Segundo a investigação, o advogado alvo da operação atuava como intermediário entre os policiais e os empresários envolvidos no esquema. Ele negociava com os agentes, indicava contas para os pagamentos, orientava quais valores deveriam ser informados às autoridades e participava da operação para devolver as mercadorias. Em mensagens analisadas pelos investigadores, o advogado teria se referido ao dinheiro em espécie usado no esquema como "caixinha da alegria". A investigação também aponta a suspeita de que a própria estrutura da Polícia Civil tenha sido utilizada para monitorar cargas e obter vantagens ilícitas. Buscas em delegacias Entre os 18 endereços alvos de busca e apreensão estão três unidades da própria Polícia Civil na Grande São Paulo: Delegacia de Santana de Parnaíba; Delegacia de Embu das Artes; 2º Distrito Policial de Cotia. Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo utilizavam dependências policiais para armazenar as mercadorias e simular apreensões parciais das cargas, dando aparência de legalidade à atuação. Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilos dos investigados e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos alvos. Os mandados são cumpridos em cidades de três estados. Em São Paulo, a operação ocorre em Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e na capital paulista. Há ainda diligências em Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Luís de Montes Belos, em Goiás. Operação contra policiais que cobravam propina de contrabandistas. Reprodução Tebet critica Derrite e diz que ele 'precisa explicar as denúncias seríssimas' de corrupção nas polícias de SP enquanto era secretário