Após diagnóstico de autismo do filho, advogada cria negócio para adaptar rotina: 'Precisei me reinventar', diz

Piemonte Escrito em 15/10/2026


Maternidade e carreira: 59,1% relatam mudanças na vida profissional após os filhos Após diagnóstico de autismo do filho, advogada criou negócio para adaptar rotina: 'Precisei me reinventar', diz Conciliar a maternidade com a vida profissional se tornou um desafio para a advogada e empreendedora Alicianni Moraes após o filho, João, receber o diagnóstico de autismo aos 2 anos. A rotina de terapias, consultas e cuidados diários exigiu mais tempo e dedicação, o que dificultou a permanência no antigo emprego. Em entrevista à TV Clube, ela relatou que precisou buscar uma nova forma de trabalho para acompanhar o desenvolvimento da criança. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp "Você tem que acompanhar de perto tudo o que está acontecendo na vida dele. E quando você vai para a terapia, precisa estender, estimulando também em casa, para que ele possa desenvolver melhor. E aí eu já não conseguia mais preencher aquela carga horária profissional de trabalho. Então, eu precisei me reinventar," contou. Atualmente, concilia a produção de doces com os cuidados com o filho, adaptando a rotina profissional aos compromissos da criança. "Eu em casa, adorava cozinhar, fazer bolos, pudins, então isso aqui já é uma terapia para mim. Então busquei algo dentro dos meus limites, dentro da agenda do João, conciliar com a minha agenda profissional", disse. A realidade também é conhecida pela empresária Deyse Medeiros, mãe de uma criança com TEA. Ela afirma que as demandas de acompanhamento terapêutico dificultavam a permanência em um emprego formal e a levaram a investir no próprio negócio. À direita, Alicianni Moraes; à esquerda, Deyse Medeiros Reprodução/TV Clube A maternidade costuma mudar a rotina, as prioridades e os planos profissionais de muitas mulheres. Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Fesa Group, realizada entre janeiro e fevereiro deste ano, apontou que 59,1% das executivas que são mães relataram impactos negativos na carreira após terem filhos. Segundo a advogada Bárbara Santana, a legislação brasileira garante uma série de direitos às mulheres durante a gestação e após o nascimento dos filhos. "Após voltar ao trabalho, ela não pode ser demitida sem justa causa, ela tem alguns direitos para poder fazer a amamentação da criança, ela tem direito a mais intervalos, ela tem direito a consultas antes de ter o bebê sem ter nenhum prejuízo de redução salarial, então sim, a gestante tem essa proteção para não sofrer injustiças, discriminações ou até mesmo demissões." Conhecer os direitos é fundamental para quem está passando por esse período. Se a trabalhadora suspeitar de discriminação ou prejuízo durante a gravidez ou a maternidade, a orientação é reunir documentos que comprovem a situação e buscar orientação jurídica. "Se realmente for detectado que existe algum tipo de discriminação a trabalhadoras, geralmente as empresas sofrem multas, penalidades pecuniárias e dependendo da gravidade podem ser fechadas," explica a advogada. *Juliana Cristina, estagiária sob supervisão de Carlienne Carpaso. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube