Agredida pelo ex, mulher perde renda e relata rotina de medo O medo de sofrer novas agressões fez uma moradora de Hortolândia (SP) abandonar a rotina de trabalho e perder a independência financeira. Mesmo com três medidas protetivas contra o ex-companheiro, ela foi agredida por ele no local onde trabalhava. Desde então, passou a depender da ajuda de familiares e amigos para se sustentar. "Eu tenho medo de ele voltar e também agora eu vivo com medo, o tempo todo. Estou tomando medicação, fui diagnosticada agora com síndrome do pânico", contou a mulher, que preferiu não ser identificada. A mudança na vida dela começou depois que o ex-companheiro apareceu em sua casa, após as 22h, enquanto ela estava trabalhando. Segundo a vítima, ele estava bêbado e tentou buscar os filhos. Uma das crianças enviou mensagens para avisar sobre a presença do homem, mas a mãe orientou que não abrisse o portão. "Ele mandou vários áudios falando que ia me matar, que ia até o meu trabalho. E ele realmente foi", relatou. No local de trabalho, a mulher tentou fazer com que o ex-companheiro fosse embora, mas acabou agredida. Segundo o relato, ele a puxou para a calçada e deu chutes, socos e tapas. Desde aquele dia, ela não se sente segura para voltar ao trabalho. A perda da renda agravou as dificuldades enfrentadas após as agressões. "Agora estou precisando de ajuda dos meus familiares, estou precisando de ajuda dos meus amigos. E antes eu conseguia sozinha", disse. Situações como essa motivaram uma nova medida do governo federal que busca garantir proteção financeira a mulheres vítimas de violência doméstica. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá pagar um benefício às seguradas que precisarem se afastar do trabalho por determinação judicial, por até 6 meses. Clique para ler: Como funciona o benefício? Como solicitar o afastamento? E quem não contribui para o INSS? Como funciona o benefício? Agressões do ex fazem mulher deixar de trabalhar e depender da ajuda de familiares em Hortolândia (SP) Reprodução/EPTV O governo federal assinou, em 1º de outubro, um parecer vinculante que garante o afastamento remunerado de mulheres vítimas de violência doméstica por até 6 meses, desde que haja decisão judicial. A medida segue uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de junho deste ano, que definiu quem deve pagar a remuneração durante o afastamento. Para trabalhadoras com vínculo de emprego, o empregador será responsável pelos primeiros 15 dias, enquanto o INSS pagará o restante do período. Já mulheres que contribuem para o INSS, mas não têm vínculo de emprego, como autônomas e contribuintes facultativas, poderão receber o benefício integralmente pela Previdência Social. De acordo com as novas regras, não será necessário passar por perícia médica nem cumprir período de carência, ou seja, um número mínimo de contribuições para ter direito ao benefício. O valor será calculado com base na média das contribuições previdenciárias da segurada, com piso de um salário mínimo e teto de R$ 8.475,55. O período de afastamento também contará como tempo de contribuição para a aposentadoria, e não haverá desconto previdenciário sobre o valor recebido. Como solicitar o afastamento? Advogada especialista em direito previdenciário, Joseane Zanardi Reprodução/EPTV Segundo a advogada especialista em direito previdenciário Joseane Zanardi, a mulher deve informar ao juiz responsável pela medida protetiva que precisa se afastar do trabalho. Com a decisão judicial, poderá solicitar o pagamento pelos canais de atendimento do INSS. O benefício será pago pelo período determinado pela Justiça, limitado inicialmente a 6 meses. "É muito importante porque é uma opção que essa mulher tem, se ela tiver necessidade de se afastar do trabalho, de mudar de cidade, no momento da medida protetiva, ela informar o juiz e solicitar esse afastamento", explicou Joseane. A especialista afirmou que, se houver necessidade de prorrogação, a vítima deverá pedir uma nova decisão ao juiz responsável pela medida protetiva. O parecer do governo federal também prevê atendimento prioritário e sigiloso às mulheres, inclusive pelos canais digitais do Meu INSS. Outra medida é a possibilidade de cobrar do agressor os valores pagos pelo INSS à vítima. Segundo o governo, a cobrança será feita por meio de uma ação judicial apresentada pela Procuradoria-Geral Federal, órgão da Advocacia-Geral da União (AGU). E quem não contribui para o INSS? Mulheres vítimas de violência doméstica que não são seguradas da Previdência Social também poderão receber auxílio financeiro durante o afastamento determinado pela Justiça. Nesse caso, segundo a decisão do STF, o benefício terá caráter assistencial e deverá ser custeado pelo estado, Distrito Federal ou município indicado pelo juiz. Como pedir afastamento do trabalho por violência doméstica Artes/g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
Como agressões do ex fizeram mulher deixar de trabalhar e depender da ajuda de familiares
Piemonte Escrito em 13/10/2026
Agredida pelo ex, mulher perde renda e relata rotina de medo O medo de sofrer novas agressões fez uma moradora de Hortolândia (SP) abandonar a rotina de trabalho e perder a independência financeira. Mesmo com três medidas protetivas contra o ex-companheiro, ela foi agredida por ele no local onde trabalhava. Desde então, passou a depender da ajuda de familiares e amigos para se sustentar. "Eu tenho medo de ele voltar e também agora eu vivo com medo, o tempo todo. Estou tomando medicação, fui diagnosticada agora com síndrome do pânico", contou a mulher, que preferiu não ser identificada. A mudança na vida dela começou depois que o ex-companheiro apareceu em sua casa, após as 22h, enquanto ela estava trabalhando. Segundo a vítima, ele estava bêbado e tentou buscar os filhos. Uma das crianças enviou mensagens para avisar sobre a presença do homem, mas a mãe orientou que não abrisse o portão. "Ele mandou vários áudios falando que ia me matar, que ia até o meu trabalho. E ele realmente foi", relatou. No local de trabalho, a mulher tentou fazer com que o ex-companheiro fosse embora, mas acabou agredida. Segundo o relato, ele a puxou para a calçada e deu chutes, socos e tapas. Desde aquele dia, ela não se sente segura para voltar ao trabalho. A perda da renda agravou as dificuldades enfrentadas após as agressões. "Agora estou precisando de ajuda dos meus familiares, estou precisando de ajuda dos meus amigos. E antes eu conseguia sozinha", disse. Situações como essa motivaram uma nova medida do governo federal que busca garantir proteção financeira a mulheres vítimas de violência doméstica. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá pagar um benefício às seguradas que precisarem se afastar do trabalho por determinação judicial, por até 6 meses. Clique para ler: Como funciona o benefício? Como solicitar o afastamento? E quem não contribui para o INSS? Como funciona o benefício? Agressões do ex fazem mulher deixar de trabalhar e depender da ajuda de familiares em Hortolândia (SP) Reprodução/EPTV O governo federal assinou, em 1º de outubro, um parecer vinculante que garante o afastamento remunerado de mulheres vítimas de violência doméstica por até 6 meses, desde que haja decisão judicial. A medida segue uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de junho deste ano, que definiu quem deve pagar a remuneração durante o afastamento. Para trabalhadoras com vínculo de emprego, o empregador será responsável pelos primeiros 15 dias, enquanto o INSS pagará o restante do período. Já mulheres que contribuem para o INSS, mas não têm vínculo de emprego, como autônomas e contribuintes facultativas, poderão receber o benefício integralmente pela Previdência Social. De acordo com as novas regras, não será necessário passar por perícia médica nem cumprir período de carência, ou seja, um número mínimo de contribuições para ter direito ao benefício. O valor será calculado com base na média das contribuições previdenciárias da segurada, com piso de um salário mínimo e teto de R$ 8.475,55. O período de afastamento também contará como tempo de contribuição para a aposentadoria, e não haverá desconto previdenciário sobre o valor recebido. Como solicitar o afastamento? Advogada especialista em direito previdenciário, Joseane Zanardi Reprodução/EPTV Segundo a advogada especialista em direito previdenciário Joseane Zanardi, a mulher deve informar ao juiz responsável pela medida protetiva que precisa se afastar do trabalho. Com a decisão judicial, poderá solicitar o pagamento pelos canais de atendimento do INSS. O benefício será pago pelo período determinado pela Justiça, limitado inicialmente a 6 meses. "É muito importante porque é uma opção que essa mulher tem, se ela tiver necessidade de se afastar do trabalho, de mudar de cidade, no momento da medida protetiva, ela informar o juiz e solicitar esse afastamento", explicou Joseane. A especialista afirmou que, se houver necessidade de prorrogação, a vítima deverá pedir uma nova decisão ao juiz responsável pela medida protetiva. O parecer do governo federal também prevê atendimento prioritário e sigiloso às mulheres, inclusive pelos canais digitais do Meu INSS. Outra medida é a possibilidade de cobrar do agressor os valores pagos pelo INSS à vítima. Segundo o governo, a cobrança será feita por meio de uma ação judicial apresentada pela Procuradoria-Geral Federal, órgão da Advocacia-Geral da União (AGU). E quem não contribui para o INSS? Mulheres vítimas de violência doméstica que não são seguradas da Previdência Social também poderão receber auxílio financeiro durante o afastamento determinado pela Justiça. Nesse caso, segundo a decisão do STF, o benefício terá caráter assistencial e deverá ser custeado pelo estado, Distrito Federal ou município indicado pelo juiz. Como pedir afastamento do trabalho por violência doméstica Artes/g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
