Três policiais e uma ex-policial são condenados pela morte de Davi da Silva quase 12 anos após o crime

Piemonte Escrito em 06/05/2026


Três policiais e uma ex-policial são condenados pela morte de Davi da Silva, após abordagem policial no Benedito Bentes, em Maceió Divulgação/MP-AL Três policiais militares e uma ex-policial foram condenados pela morte, tortura e ocultação de cadáver de Davi da Silva, um jovem de 17 anos que desapareceu após uma abordagem no Benedito Bentes, em Maceió, em 25 de agosto 2014. Eles também foram condenados pela tortura de Raniel Victor, um jovem de 19 anos que estava com o Davi no momento da abordagem. Se somadas, as penas dos réus ultrapassam 100 anos de prisão. A defesa dos réus informou que irá recorrer. A decisão aconteceu quase 12 anos depois do crime, durante o segundo dia de um júri popular no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, em Maceió. Foram condenados a regime fechado, pelos crimes de cárcere privado, sequestro, ocultação de cadáver, homicídio qualificado e tortura: Eudecir Gomes de Lima: 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão; Carlos Eduardo Ferreira dos Santos: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão; Nayara Silva de Andrade: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão; Victor Rafael Martins da Silva: 23 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão. Vídeos em alta no g1 Como Eudecir, Carlos Eduardo e Victor Rafael são policiais, eles perderam o cargo. Nayara, por sua vez, estava exercendo o cargo de auditora do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ela também perdeu a função e está impedida de exercer qualquer cargo público. O pai de Davi da Silva acompanhou o júri e, durante os dois dias de julgamento, chegou a passar mal e precisou de atendimento médico. Ele afirmou estar parcialmente feliz com a decisão, mas lamentou nunca ter conseguido enterrar o corpo do filho. "Por uma parte eu estou bem, porque estou feliz [com a decisão]. Mas tem uma parte que está ruim porque eu não onde é que está [o corpo do] meu filho. Eu quero ver, nem que seja, um fio de cabelo do meu filho para eu enterrar junto da minha esposa, a mamãe dele", relatou Cícero Lourenço da Silva, pai de Davi. A promotora Lídia Malta explicou que apesar da demora, finalmente a família do adolescente vai poder ter a sensação de que a justiça foi feita. "A sociedade alagoana ouviu os clamores, ouviu a dor e reparou, ao menos, esse tempo de impunidade. As provas dos autos eram seguras, em relação a tudo o que aconteceu". À espera de um julgamento Maria José mostra cartaz feito por viznhos para procurar Davi da Silva Waldson Costa/G1 A mãe de Davi da Silva, Maria José da Silva, foi uma das pessoas que mais buscou pelo corpo do filho. Durante 11 anos ela visitou órgãos públicos e realizou mobilizações para buscar justiça e para pedir que o caso não fosse esquecido. Em novembro de 2014, quase dois meses após o desaparecimento de Davi, Maria José foi vítima de um atentado enquanto estava em um ponto de ônibus, próximo ao Mercado da Produção, no bairro da Levada. Aminab da Silva, de 34 anos, fugiu do local, mas acabou preso em seguida. A busca de Maria José só terminou em 12 de dezembro de 2025, quando ela morreu aos 68 anos. Ela não pode ver o julgamento dos réus acusados de matar o filho dela. A irmã de Davi da Silva, Ana Paula, acredita que a mãe viveu angustiada. “O que mais me marcou e me marca até hoje foi a busca incansavelmente da minha mãe por Justiça. Ela morreu sem sequer ver o desfecho do caso e isso me deixa muito triste. Como toda mãe, ela ainda tinha esperança de que ele estivesse vivo. Eles [os policiais] ocultaram [o corpo] e nem deram o direito dela, pelo menos, de fazer um enterro digno para o filho”, lamentou Ana Paula, irmã de Davi da Silva. Morte de Raniel Raniel Victor Oliveira da Silva era amigo de Davi da Silva e foi a principal testemunha do desaparecimento do adolescente. Ele chegou a ser incluído no programa de proteção mas, em 24 de novembro de 2015, dois dias após deixar o programa, foi encontrado morto com dois tiros nas costas e marcas de pedradas no Benedito Bentes, aos 19 anos. À época, a morte foi confirmada pelo advogado do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente - Zumbi dos Palmares (Cedeca), Pedro Montenegro. A reportagem está sendo atualizada.