Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto no MS Uma ave de rapina com características de duas espécies do gênero Spizaetus tem intrigado observadores de aves e especialistas em Campo Grande (MS). O animal, registrado em uma área urbana da capital sul-mato-grossense, apresenta traços da águia-de-penacho (Spizaetus ornatus) e da águia-pega-macaco (Spizaetus tyrannus). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A ave é acompanhada pela observadora Graziella Botenne, que a avistou pela primeira vez em novembro de 2025. Inicialmente, ela acreditou se tratar de uma águia-de-penacho, espécie também conhecida como gavião-de-penacho. Ao longo dos meses, porém, novos encontros chamaram a atenção de Graziella. Além das características da águia-de-penacho, a ave apresentava feições da águia-pega-macaco, também chamada de gavião-pega-macaco. A cabeça, incluindo a coloração e as penas em forma de coroa, apresenta características da águia-pega-macaco. Já o restante do corpo, com os detalhes e a coloração das penas, se assemelha à águia-de-penacho. "A primeira vez que encontrei essa ave foi em novembro de 2025, e achei que fosse uma águia-de-penacho. Foi em uma mata de um lago dentro da cidade na UFMS. Desde então tem sido bem frequente nossos encontros. O que me chamou atenção foi à aparência e principalmente a vocalização que era muito semelhante a uma águia-pega-macaco imatura, mas mesclava com a vocalização da águia-de-penacho. Cheguei a comentar com um amigo bem próximo que estava muito estranho a facilidade de ver um penacho dentro da cidade, já que isso não é tão comum nesse ambiente", conta Graziella. A cada encontro, aumentavam a curiosidade e o interesse da observadora pela ave. Por gostar do gênero Spizaetus e já ter acompanhado uma águia-pega-macaco que vive no Parque das Nações, Graziella começou a fazer comparações e a perceber diferenças entre os animais. "Eu fui ficando mais curiosa em encontrá-la e ter mais contato com esse indivíduo depois que percebi que uma águia-de-penacho era mais clara e maior. Um dia vi a águia-pega-macaco voando em sequência dessa ave 'nova' e questionei os mais experientes sobre como duas águias poderiam estar dividindo o mesmo local, o mesmo território, e então comecei a ler mais sobre as espécies", acrescenta. Por carinho e admiração pelas aves, Graziella deu apelidos aos indivíduos que acompanha. A águia-pega-macaco, primeira ave do gênero que observou na natureza, recebeu o nome de "Pega". Já o indivíduo que reúne características das duas espécies foi chamado de "Pepe", junção de pega-macaco e penacho. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: RARIDADE: Raro sapo azul da Amazônia vira objeto de desejo e está na rota do tráfico internacional FLAGRANTE: Vídeo mostra bem-te-vi comendo lagartixa inteira em Magé, no RJ FILME: Documentário gravado no litoral do PR revela 'invasão silenciosa' e riscos à biodiversidade Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto em Campo Grande Graziella Botenne Apesar de acompanhar a ave com frequência, foi recentemente que surgiu a hipótese de que ela possa ser híbrida, resultado do cruzamento entre as duas espécies. "No dia que acreditamos que pudesse se tratar de uma águia híbrida foi quando ela ficou pousada em um galho e permaneceu ali por mais de uma hora vocalizando. Não é fácil encontrá-la pousada, geralmente as observações ocorrem quando ave está em voo", pontua Graziella sobre o momento. O registro também chamou a atenção de especialistas, entre eles o ornitólogo Willian Menq. No canal Planeta Aves, ele compartilhou um conteúdo sobre o caso, que ainda permanece sem confirmação científica. "Existem muitas evidências que faz com que a gente considere essa situação como um possível caso de águia híbrida, mas para ter de fato essa comprovação seria necessário fazer a coleta e análise de material genético desse indivíduo. Se isso ocorrer e for comprovado, esse com certeza se tornará um dos casos mais curiosos já documentados do cruzamento de duas espécies de aves de rapina no Brasil", explica. Por enquanto, o caso reúne mais perguntas do que respostas e reforça o quanto a natureza ainda pode guardar situações pouco conhecidas. Evidências para a hipótese de indivíduo híbrido Uma das características que chamaram a atenção do especialista foi a vocalização da ave. Em um vídeo captado por Graziella Botenne, o animal aparece pousado e emitindo uma sequência de sons que, segundo Menq, é muito semelhante à vocalização da águia-pega-macaco. "Se fossemos analisar separadamente cada característica curiosa dessa ave, poderíamos considerar como um caso de variação individual da espécie, mas ao olharmos todas as características juntas em uma só ave, não conseguimos ignorar a principal hipótese de ser um rapinante híbrido", pontua. Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto em Campo Grande Graziella Botenne No vídeo em que esclarece dúvidas dos inscritos, Willian explica que a hipótese de mutação genética é considerada pouco provável diante da soma de características que diferenciam essa ave dos indivíduos considerados puros do gênero *Spizaetus*. Mas o que poderia explicar o cruzamento entre espécies diferentes? De acordo com o ornitólogo, apesar das diferenças entre as duas espécies, ambas pertencem ao mesmo gênero. Embora apresentem comportamentos distintos e particularidades, também possuem semelhanças. É como se falassem idiomas diferentes, mas ainda conseguissem se entender. "Em situações específicas essas semelhanças são o suficiente para que duas aves de espécies diferem formem um casal. É algo raro, muito raro mesmo, mas pode acontecer. Normalmente isso ocorre quando uma das aves é rara em uma determinada região e outra é mais abundante e quando se aproxima do período reprodutivo e a ave rara não encontra um parceiro da própria espécie, ela pode vir a copular e formar um casal com uma espécie próxima, ou um pouco parecida. E se isso acontece e há uma compatibilidade genética suficiente resulta em um filhote híbrido", comenta. Animal reúne características híbridas Graziella Botenne Fruto de Campo Grande (MS) O local onde o possível híbrido é observado também tem relevância para a hipótese. Nos parques urbanos e áreas verdes de Campo Grande, a ocorrência da águia-pega-macaco é considerada comum, enquanto os encontros com a águia-de-penacho são extremamente raros nesse mesmo ambiente. Ao se afastar do perímetro urbano, porém, a situação se inverte: em outras áreas do estado, a presença da águia-de-penacho é frequente, enquanto a ocorrência da águia-pega-macaco é menor. Com isso, Campo Grande se torna um local onde as duas espécies podem se encontrar e interagir. Possível águia híbrida em Campo Grande (MS) Graziella Botenne Sobre o possível híbrido "Pepe", como foi carinhosamente nomeada a ave de rapina que pode ser resultado do cruzamento entre duas espécies, já é um indivíduo adulto, com cerca de dois a três anos de idade. Apesar de viver atualmente em uma área de mata no ambiente urbano, ele pode ter nascido em outro território e se deslocado posteriormente para o local. A ave é observada com frequência no mesmo ambiente onde também ocorre outra águia-pega-macaco. Encontrar o ninho e o possível casal que originou esse indivíduo pode ajudar a esclarecer o mistério. Isso porque, geralmente, casais do gênero Spizaetus se formam e utilizam as mesmas estruturas em novos ciclos reprodutivos. De acordo com Menq, casos de indivíduos híbridos são raros e ocorrem em situações isoladas. Por isso, segundo o especialista, não é pertinente considerar a situação grave ou preocupante neste primeiro momento. Para Graziella, os registros da ave que reúne características de duas espécies que ela admira estão entre os mais marcantes de sua vida. Por se tratar de uma situação rara e incomum, ela pretende continuar coletando fotos e vídeos do animal para ajudar a esclarecer as dúvidas sobre o caso. "Me sinto feliz demais por poder contribuir, pois todo e qualquer avanço na ciência pode ajudar a conhecer e a preservar esses bichos lindos que eu tanto admiro. Gostaria de destacar que a existência dessas águias em Campo Grande mostra como é importante ter áreas verdes até mesmo em parques urbanos onde elas podem se adaptar." VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto no MS
Piemonte Escrito em 14/08/2026
Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto no MS Uma ave de rapina com características de duas espécies do gênero Spizaetus tem intrigado observadores de aves e especialistas em Campo Grande (MS). O animal, registrado em uma área urbana da capital sul-mato-grossense, apresenta traços da águia-de-penacho (Spizaetus ornatus) e da águia-pega-macaco (Spizaetus tyrannus). 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A ave é acompanhada pela observadora Graziella Botenne, que a avistou pela primeira vez em novembro de 2025. Inicialmente, ela acreditou se tratar de uma águia-de-penacho, espécie também conhecida como gavião-de-penacho. Ao longo dos meses, porém, novos encontros chamaram a atenção de Graziella. Além das características da águia-de-penacho, a ave apresentava feições da águia-pega-macaco, também chamada de gavião-pega-macaco. A cabeça, incluindo a coloração e as penas em forma de coroa, apresenta características da águia-pega-macaco. Já o restante do corpo, com os detalhes e a coloração das penas, se assemelha à águia-de-penacho. "A primeira vez que encontrei essa ave foi em novembro de 2025, e achei que fosse uma águia-de-penacho. Foi em uma mata de um lago dentro da cidade na UFMS. Desde então tem sido bem frequente nossos encontros. O que me chamou atenção foi à aparência e principalmente a vocalização que era muito semelhante a uma águia-pega-macaco imatura, mas mesclava com a vocalização da águia-de-penacho. Cheguei a comentar com um amigo bem próximo que estava muito estranho a facilidade de ver um penacho dentro da cidade, já que isso não é tão comum nesse ambiente", conta Graziella. A cada encontro, aumentavam a curiosidade e o interesse da observadora pela ave. Por gostar do gênero Spizaetus e já ter acompanhado uma águia-pega-macaco que vive no Parque das Nações, Graziella começou a fazer comparações e a perceber diferenças entre os animais. "Eu fui ficando mais curiosa em encontrá-la e ter mais contato com esse indivíduo depois que percebi que uma águia-de-penacho era mais clara e maior. Um dia vi a águia-pega-macaco voando em sequência dessa ave 'nova' e questionei os mais experientes sobre como duas águias poderiam estar dividindo o mesmo local, o mesmo território, e então comecei a ler mais sobre as espécies", acrescenta. Por carinho e admiração pelas aves, Graziella deu apelidos aos indivíduos que acompanha. A águia-pega-macaco, primeira ave do gênero que observou na natureza, recebeu o nome de "Pega". Já o indivíduo que reúne características das duas espécies foi chamado de "Pepe", junção de pega-macaco e penacho. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: RARIDADE: Raro sapo azul da Amazônia vira objeto de desejo e está na rota do tráfico internacional FLAGRANTE: Vídeo mostra bem-te-vi comendo lagartixa inteira em Magé, no RJ FILME: Documentário gravado no litoral do PR revela 'invasão silenciosa' e riscos à biodiversidade Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto em Campo Grande Graziella Botenne Apesar de acompanhar a ave com frequência, foi recentemente que surgiu a hipótese de que ela possa ser híbrida, resultado do cruzamento entre as duas espécies. "No dia que acreditamos que pudesse se tratar de uma águia híbrida foi quando ela ficou pousada em um galho e permaneceu ali por mais de uma hora vocalizando. Não é fácil encontrá-la pousada, geralmente as observações ocorrem quando ave está em voo", pontua Graziella sobre o momento. O registro também chamou a atenção de especialistas, entre eles o ornitólogo Willian Menq. No canal Planeta Aves, ele compartilhou um conteúdo sobre o caso, que ainda permanece sem confirmação científica. "Existem muitas evidências que faz com que a gente considere essa situação como um possível caso de águia híbrida, mas para ter de fato essa comprovação seria necessário fazer a coleta e análise de material genético desse indivíduo. Se isso ocorrer e for comprovado, esse com certeza se tornará um dos casos mais curiosos já documentados do cruzamento de duas espécies de aves de rapina no Brasil", explica. Por enquanto, o caso reúne mais perguntas do que respostas e reforça o quanto a natureza ainda pode guardar situações pouco conhecidas. Evidências para a hipótese de indivíduo híbrido Uma das características que chamaram a atenção do especialista foi a vocalização da ave. Em um vídeo captado por Graziella Botenne, o animal aparece pousado e emitindo uma sequência de sons que, segundo Menq, é muito semelhante à vocalização da águia-pega-macaco. "Se fossemos analisar separadamente cada característica curiosa dessa ave, poderíamos considerar como um caso de variação individual da espécie, mas ao olharmos todas as características juntas em uma só ave, não conseguimos ignorar a principal hipótese de ser um rapinante híbrido", pontua. Possível caso de águia híbrida atrai olhares e é acompanhado de perto em Campo Grande Graziella Botenne No vídeo em que esclarece dúvidas dos inscritos, Willian explica que a hipótese de mutação genética é considerada pouco provável diante da soma de características que diferenciam essa ave dos indivíduos considerados puros do gênero *Spizaetus*. Mas o que poderia explicar o cruzamento entre espécies diferentes? De acordo com o ornitólogo, apesar das diferenças entre as duas espécies, ambas pertencem ao mesmo gênero. Embora apresentem comportamentos distintos e particularidades, também possuem semelhanças. É como se falassem idiomas diferentes, mas ainda conseguissem se entender. "Em situações específicas essas semelhanças são o suficiente para que duas aves de espécies diferem formem um casal. É algo raro, muito raro mesmo, mas pode acontecer. Normalmente isso ocorre quando uma das aves é rara em uma determinada região e outra é mais abundante e quando se aproxima do período reprodutivo e a ave rara não encontra um parceiro da própria espécie, ela pode vir a copular e formar um casal com uma espécie próxima, ou um pouco parecida. E se isso acontece e há uma compatibilidade genética suficiente resulta em um filhote híbrido", comenta. Animal reúne características híbridas Graziella Botenne Fruto de Campo Grande (MS) O local onde o possível híbrido é observado também tem relevância para a hipótese. Nos parques urbanos e áreas verdes de Campo Grande, a ocorrência da águia-pega-macaco é considerada comum, enquanto os encontros com a águia-de-penacho são extremamente raros nesse mesmo ambiente. Ao se afastar do perímetro urbano, porém, a situação se inverte: em outras áreas do estado, a presença da águia-de-penacho é frequente, enquanto a ocorrência da águia-pega-macaco é menor. Com isso, Campo Grande se torna um local onde as duas espécies podem se encontrar e interagir. Possível águia híbrida em Campo Grande (MS) Graziella Botenne Sobre o possível híbrido "Pepe", como foi carinhosamente nomeada a ave de rapina que pode ser resultado do cruzamento entre duas espécies, já é um indivíduo adulto, com cerca de dois a três anos de idade. Apesar de viver atualmente em uma área de mata no ambiente urbano, ele pode ter nascido em outro território e se deslocado posteriormente para o local. A ave é observada com frequência no mesmo ambiente onde também ocorre outra águia-pega-macaco. Encontrar o ninho e o possível casal que originou esse indivíduo pode ajudar a esclarecer o mistério. Isso porque, geralmente, casais do gênero Spizaetus se formam e utilizam as mesmas estruturas em novos ciclos reprodutivos. De acordo com Menq, casos de indivíduos híbridos são raros e ocorrem em situações isoladas. Por isso, segundo o especialista, não é pertinente considerar a situação grave ou preocupante neste primeiro momento. Para Graziella, os registros da ave que reúne características de duas espécies que ela admira estão entre os mais marcantes de sua vida. Por se tratar de uma situação rara e incomum, ela pretende continuar coletando fotos e vídeos do animal para ajudar a esclarecer as dúvidas sobre o caso. "Me sinto feliz demais por poder contribuir, pois todo e qualquer avanço na ciência pode ajudar a conhecer e a preservar esses bichos lindos que eu tanto admiro. Gostaria de destacar que a existência dessas águias em Campo Grande mostra como é importante ter áreas verdes até mesmo em parques urbanos onde elas podem se adaptar." 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