Eles podem substituir os humanos? Descubra a Olimpíada dos robôs Uma cerimônia com tambores, iluminação especial e a entrada de um humanoide montado sobre um robô quadrúpede deu início à segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim, na China. O evento reuniu cerca de 2 mil robôs atletas em modalidades que vão do futebol e boxe à ginástica e atletismo. Apesar de ser classificada como uma competição mundial pelos organizadores, cerca de 96% dos participantes são chineses. O objetivo do país asiático vai além do esporte: a intenção é testar o desempenho de máquinas criadas para operar de forma autônoma em fábricas, resgates e tarefas do dia a dia. Olimpíada de robôs na China tem milhares de humanoides e representantes brasileiros Reprodução/TV Globo Estreia da Seleção Brasileira Pela primeira vez na história, o Brasil montou uma seleção nacional para disputar o torneio de futebol de robôs. A iniciativa foi organizada pela RoboCup Brasil e pela RoboCup Federation, reunindo estudantes e pesquisadores de diversas instituições de ensino superior do país, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Esse ano a gente resolveu chamar outras universidades e montar uma seleção brasileira com os melhores alunos e das melhores equipes do Brasil", afirmou Flávio Tonidandel, vice-presidente da RoboCup Brasil e professor de robótica. Diferente de competições com controle remoto, os robôs futebolistas precisam atuar de forma 100% autônoma. O trabalho dos engenheiros brasileiros consistiu em programar a inteligência artificial dos robôs ainda no Brasil. Ao chegar à China, os algoritmos foram transferidos via cabo para os corpos dos humanoides chineses fornecidos pela organização. Dentro de campo, o "cérebro" das máquinas fica localizado no peito, onde está instalado o computador principal. Na cabeça, câmeras e microfones ajudam os robôs a se localizar pelas linhas do gramado e a identificar a bola. "Eu tento ver o que o robô vê e garantir que ele entenda o que está vendo. Antes de entrar em campo, ele dá uma geral e tenta entender os cruzamentos de linhas para se localizar", explicou Isabela Moura, estudante de Engenharia da Computação da UFPE. Nas quartas de final do torneio principal, os brasileiros enfrentaram a equipe da China. Durante a partida, falhas no sistema eletrônico e na reconexão das baterias dos robôs desfalcaram o time brasileiro. Apesar dos problemas técnicos e das tentativas do árbitro de alterar regras no meio do jogo, a seleção brasileira perdeu por 6 a 4. No dia seguinte, na competição exclusiva para equipes internacionais, o Brasil venceu todos os seus confrontos. "É frustrante porque tentamos o nosso melhor e o problema foi algo fora do nosso alcance. Fica um gostinho amargo de que poderia ter sido diferente", disse Pedro Pizarro, mestrando em Engenharia Elétrica na USP. Superpoderes e falhas cômicas Além do futebol, a competição impressionou pelos números do atletismo. Um robô chinês completou a prova dos 100 metros rasos em 9,39 segundos, superando a marca histórica do jamaicano Usain Bolt (9,58 segundos). O segundo colocado na prova também correu abaixo do recorde mundial humano. No salto em altura, uma das máquinas atingiu 2,88 metros, ultrapassando a marca olímpica humana de 2,45 metros. Ao mesmo tempo em que exibem marcas impressionantes, os humanoides protagonizam momentos de falta de equilíbrio. Quedas desajeitadas ao tentar levantar peso, travamentos de articulação e colisões contra barreiras de proteção arrancaram risadas do público presente no estádio. Bastidores e geopolítica O avanço na fabricação de humanoides faz parte do plano industrial chinês para iniciar a produção em massa dessas máquinas nos próximos anos. Além de atuar na indústria e em residências, unidades móveis integradas com robôs e drones já estão em desenvolvimento para operações de resgate e segurança. Apesar do domínio da China na montagem física e estrutura dos robôs, os chips de processamento que dão vida às máquinas são fabricados por empresas norte-americanas, como a Nvidia. A dinâmica reflete a acirrada corrida pela liderança tecnológica global entre Pequim e Washington, que envolve automação, inteligência artificial e soberania industrial. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.
Olimpíada de robôs na China tem milhares de humanoides e representantes brasileiros
Piemonte Escrito em 31/08/2026
Eles podem substituir os humanos? Descubra a Olimpíada dos robôs Uma cerimônia com tambores, iluminação especial e a entrada de um humanoide montado sobre um robô quadrúpede deu início à segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim, na China. O evento reuniu cerca de 2 mil robôs atletas em modalidades que vão do futebol e boxe à ginástica e atletismo. Apesar de ser classificada como uma competição mundial pelos organizadores, cerca de 96% dos participantes são chineses. O objetivo do país asiático vai além do esporte: a intenção é testar o desempenho de máquinas criadas para operar de forma autônoma em fábricas, resgates e tarefas do dia a dia. Olimpíada de robôs na China tem milhares de humanoides e representantes brasileiros Reprodução/TV Globo Estreia da Seleção Brasileira Pela primeira vez na história, o Brasil montou uma seleção nacional para disputar o torneio de futebol de robôs. A iniciativa foi organizada pela RoboCup Brasil e pela RoboCup Federation, reunindo estudantes e pesquisadores de diversas instituições de ensino superior do país, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Esse ano a gente resolveu chamar outras universidades e montar uma seleção brasileira com os melhores alunos e das melhores equipes do Brasil", afirmou Flávio Tonidandel, vice-presidente da RoboCup Brasil e professor de robótica. Diferente de competições com controle remoto, os robôs futebolistas precisam atuar de forma 100% autônoma. O trabalho dos engenheiros brasileiros consistiu em programar a inteligência artificial dos robôs ainda no Brasil. Ao chegar à China, os algoritmos foram transferidos via cabo para os corpos dos humanoides chineses fornecidos pela organização. Dentro de campo, o "cérebro" das máquinas fica localizado no peito, onde está instalado o computador principal. Na cabeça, câmeras e microfones ajudam os robôs a se localizar pelas linhas do gramado e a identificar a bola. "Eu tento ver o que o robô vê e garantir que ele entenda o que está vendo. Antes de entrar em campo, ele dá uma geral e tenta entender os cruzamentos de linhas para se localizar", explicou Isabela Moura, estudante de Engenharia da Computação da UFPE. Nas quartas de final do torneio principal, os brasileiros enfrentaram a equipe da China. Durante a partida, falhas no sistema eletrônico e na reconexão das baterias dos robôs desfalcaram o time brasileiro. Apesar dos problemas técnicos e das tentativas do árbitro de alterar regras no meio do jogo, a seleção brasileira perdeu por 6 a 4. No dia seguinte, na competição exclusiva para equipes internacionais, o Brasil venceu todos os seus confrontos. "É frustrante porque tentamos o nosso melhor e o problema foi algo fora do nosso alcance. Fica um gostinho amargo de que poderia ter sido diferente", disse Pedro Pizarro, mestrando em Engenharia Elétrica na USP. Superpoderes e falhas cômicas Além do futebol, a competição impressionou pelos números do atletismo. Um robô chinês completou a prova dos 100 metros rasos em 9,39 segundos, superando a marca histórica do jamaicano Usain Bolt (9,58 segundos). O segundo colocado na prova também correu abaixo do recorde mundial humano. No salto em altura, uma das máquinas atingiu 2,88 metros, ultrapassando a marca olímpica humana de 2,45 metros. Ao mesmo tempo em que exibem marcas impressionantes, os humanoides protagonizam momentos de falta de equilíbrio. Quedas desajeitadas ao tentar levantar peso, travamentos de articulação e colisões contra barreiras de proteção arrancaram risadas do público presente no estádio. Bastidores e geopolítica O avanço na fabricação de humanoides faz parte do plano industrial chinês para iniciar a produção em massa dessas máquinas nos próximos anos. Além de atuar na indústria e em residências, unidades móveis integradas com robôs e drones já estão em desenvolvimento para operações de resgate e segurança. Apesar do domínio da China na montagem física e estrutura dos robôs, os chips de processamento que dão vida às máquinas são fabricados por empresas norte-americanas, como a Nvidia. A dinâmica reflete a acirrada corrida pela liderança tecnológica global entre Pequim e Washington, que envolve automação, inteligência artificial e soberania industrial. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.
