Bloqueio naval dos EUA ao Irã começa nesta terça; Trump diz que cobrará 20% de 'pedágio' sobre cargas em Ormuz

Piemonte Escrito em 14/07/2026


Trump diz que EUA serão guardiões do Estreito de Ormuz e que país deve ser pago por isso O bloqueio naval anunciado pelos Estados Unidos para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã começa nesta terça-feira (14). Segundo a Marinha americana, a operação terá início às 17h pelo horário de Brasília. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A medida entrará em vigor um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump disse que os EUA serão os "guardiões" da via marítima e que cobrarão 20% sobre toda carga transportada pelo estreito. Durante a guerra, navios militares dos EUA fizeram um bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz contra embarcações iranianas. O objetivo era parar navios que transportassem produtos iranianos ou tivessem origem ou destino em portos do país visando estrangular a economia local. A medida foi uma retaliação ao fechamento da passagem pelo Irã, que controla a região. Desta vez, segundo a Marinha americana, o bloqueio será estendido a toda a costa iraniana para reprimir o tráfego de embarcações que saírem de qualquer porto ou terminal petrolífero do país. A Marinha informou que o "trânsito neutro" continuará liberado, assim como embarcações com ajuda humanitária. Todos os navios, porém, serão submetidos a inspeções militares. 👉 O fim do bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz era um dos pontos do acordo de paz assinado entre Estados Unidos e Irã em junho. Trump diz que tomará o controle de Ormuz Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Na segunda-feira (13), Trump afirmou que vai "tomar o controle do Estreito de Ormuz". Em entrevista à emissora americana Fox News, ele disse que os Estados Unidos serão "os guardiões do estreito" e que o país deve ser "reembolsado" por garantir a segurança da região. "Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados ​​por isso", disse. Pouco depois da entrevista, ele publicou na Truth Social que pretende cobrar 20% sobre toda carga transportada pela rota. "O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", escreveu. "Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou. A declaração contrasta com o que Trump havia dito em junho, quando afirmou que não haveria cobrança de pedágio em Ormuz. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela região. O memorando de paz assinado por Estados Unidos e Irã — agora deixado de lado — previa a reabertura da via marítima sem cobrança durante 60 dias. Nesse período, Irã, Omã e países do Golfo negociariam um modelo para a administração futura da passagem. Irã rebate Trump A declaração do presidente americano foi rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" do Estreito de Ormuz. "Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma um comunicado. O texto também faz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã". A Guarda Revolucionária iraniana também afirmou que mantém sua "autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz". "Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás", disse o porta-voz. Irã diz que estreito está fechado, EUA negam Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã REUTERS / Stringer Segundo o Irã, o Estreito de Ormuz voltou a ser fechado no sábado (11). Os Estados Unidos — tanto Trump quanto o comando militar que atua na região — negam. O anúncio foi feito por Teerã depois que os EUA disseram ter atacado 140 alvos militares iranianos em 24 horas, totalizando mais de 300 durante três noites de ofensiva. Segundo o Comando Central dos EUA, o objetivo foi retaliar ataques iranianos contra embarcações na região. A Guarda Revolucionária do Irã confirmou ter disparado tiros de advertência. O objetivo da ofensiva, afirmou o Comando Central dos EUA em comunicado, era retaliar ataques feitos pelo Irã a embarcações. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou que disparou tiros de advertência e alertou: "Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida." O grupo acrescentou: "O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar." Entenda a sequência de ataques Trump diz que Irã concordou com acordo, abrindo mão de armas nucleares, antes de ataque de drone no Estreito de Ormuz VÍDEOS: mais assistidos do g1