Brasileiro que esteve na guerra da Ucrânia por seis meses diz que não teve apoio da família: 'O objetivo era voltar vivo'

Piemonte Escrito em 31/05/2026


Mineiro de Nova Serrana relata rotina, medo e sobrevivência no conflito da Ucrânia O morador de Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Albert Luís, de 32 anos, deixou a cidade em novembro de 2025 para lutar na guerra da Ucrânia. Mesmo sem o apoio dos pais, ele viajou para a Europa e passou seis meses atuando no conflito. Ao retornar ao Brasil, em maio deste ano, Albert trouxe marcas físicas e emocionais da guerra, além de uma nova perspectiva sobre a vida. “O objetivo era voltar vivo para minha família”, disse o mineiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Albert Luís em atuação na Ucrânia Arquivo pessoal Albert contou que participou de operações em regiões atingidas por ataques e chegou a ficar ferido durante o conflito. Segundo ele, o ferimento ocorreu enquanto tentava salvar dois colombianos que também atuavam na guerra. Ainda de acordo com Albert, as áreas onde esteve foram alvo de bombardeios em diversas ocasiões. “Ali eu testei meus limites muito além do que eu imaginava”, contou. Segundo Albert, a família nunca apoiou sua decisão de participar da guerra. Ainda assim, ele afirma que atuar na área militar sempre foi um sonho. O brasileiro contou que decidiu embarcar para o conflito ao lado de um grupo de amigos que também optou por ir à Ucrânia. “Minha família nunca apoiou. É muito difícil, justamente pelo medo que todos tinham de eu não voltar vivo, e eu compreendo”, disse. Mesmo diante das situações extremas vividas durante a guerra, Albert afirmou que o medo nunca o impediu de seguir em frente. “Tive várias situações de risco. Vivi momentos em que era a minha vida ou a vida do oponente". Mineiro já esteve em outra guerra A guerra na Ucrânia não foi a primeira experiência de Albert em uma área de conflito. Segundo ele, sua estreia em operações militares ocorreu em Israel, em 2025. “Essa já é a segunda guerra que participo e sem dúvidas foi a mais violenta”, afirmou. Apesar da violência e do desgaste psicológico enfrentados durante o conflito, Albert afirmou que a experiência transformou profundamente sua vida. “Hoje sei que tudo o que eu quero depende da minha fé em Deus e de mim", pontuou. O mineiro definiu a passagem pela guerra como um processo de reencontro consigo mesmo. “Foi onde consegui me reencontrar. Acredito que foi um tratamento de Deus comigo. Mesmo sendo um cenário difícil, me fez ser uma pessoa melhor, que valoriza as pequenas coisas". Guerra tecnológica e o medo dos drones Morador de Nova Serrana- guerra - Ucrânia- comida Albert Luis/Arquivo Pessoal Segundo Albert, a guerra moderna é muito diferente da imagem tradicional de combates corpo a corpo. Para ele, os drones estão entre os principais desafios enfrentados pelos soldados no front, especialmente pelo impacto psicológico que causam. “A única coisa que mexeu com a minha cabeça foram os drones. A guerra hoje é muito tecnológica. Ver um drone é sempre um pânico que precisa ser controlado. Um drone é preparado para matar. Se ele te identificar, a chance de escapar é quase mínima”, explicou. Albert explicou que o risco é constante e que o perigo pode surgir a qualquer momento. “Vários momentos pensei que não ia conseguir voltar, que seria meu fim. De repente o cenário muda.” Salários podem chegar a R$ 25 mil Segundo Albert, estrangeiros que atuam na guerra recebem remuneração, e ele também foi pago durante o período em que participou do conflito. De acordo com o mineiro, os valores variam conforme o nível de treinamento, o tipo de missão e a intensidade das operações realizadas. “A média salarial hoje é de 5 a 25 mil reais", contou. Albert afirmou que, em períodos de operações mais intensas, a remuneração pode chegar ao dobro do valor normalmente recebido. “O salário é por etapa. Contrato, treinamento e missão têm valores diferentes.” Ele também afirmou que as regras de permanência para combatentes estrangeiros foram alteradas. Segundo ele, antes os contratos tinham duração de três anos e permitiam uma pausa após seis meses de atuação. Agora, de acordo com o mineiro, os contratos passaram a ter validade de cinco anos. Nesse novo modelo, o retorno ao país de origem só é permitido após um ano de atuação. Depois de vivenciar a guerra de perto, Albert afirmou que retornou ao Brasil com uma visão completamente diferente sobre a vida. “O simples passou a ter valor", pontuou. Segundo Albert, situações simples do dia a dia passaram a ter um significado diferente após a experiência vivida na guerra. “Poder acordar sem medo de explodir alguma coisa, uma comida da mãe, estar com os filhos, com a família, ter um tempo com Deus… lá você aprende a dar valor porque falta muita coisa", disse. Alerta para brasileiros Albert também alertou brasileiros que cogitam participar do conflito para que não se deixem levar por promessas ou pela visão romantizada da guerra divulgada nas redes sociais. “Muita gente acha que é brincadeira. Tem muita mentira. Muita gente posta coisa, mas não tem coragem nem de ir para o front”, destacou. Ao comentar a experiência vivida na guerra, Albert afirmou que a realidade do conflito é muito diferente da imagem mostrada na internet. Segundo ele, sobreviver em um cenário de combate exige preparo físico, equilíbrio emocional e plena consciência dos riscos envolvidos. "Voltar vivo não é uma certeza", finalizou. Morador de Nova Serrana- guerra - Ucrânia- comida Albert Luis/Arquivo Pessoal VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas