Leia redações nota mil do Enem 2025

Piemonte Escrito em 17/03/2026


Candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 já podem consultar, a partir desta terça-feira (17), os "espelhos" da redação — ou seja, as versões digitalizadas dos textos que eles entregaram no dia da prova. É necessário entrar na Página do Participante, neste endereço. O g1 teve acesso a um dos textos que obtiveram a nota máxima. Confira abaixo a íntegra do conteúdo. ⚠️Observação: as transcrições abaixo foram fiéis aos textos dos alunos, incluindo possíveis erros de português. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Wellington Ribeiro, de Recife (PE) redação nota 1000 wellington Arquivo Pessoal Na obra "Feliz aniversário, a escritora Clarice Lispector aborda, dentre outros aspectos, a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos brasileiros, os quais, de acordo com a autora, só são lembrados por seus familiares em datas comemorativas. Ao transpor o viés literário, percebe-se a acentuação dessa problemática, a qual aborda a falta de perspectiva social perante ao envelhecimento existente no Brasil contemporâneo. À vista desse conceito, é ideal analisar o passado nacional e o descaso governamental como desafios para a plena longevidade da sociedade. Diante desse cenário, nota-se que a dificultosa promoção de um futuro digno à terceira idade advém de um processo de desenvolvimento nacional pautado na exclusão socioespacial. Isso pode ser constatado, de forma evidente, pois o país, desde o período do Brasil Colônia, foi construído por práticas violentas (como a promulgação da Lei dos Sexagenários), as quais visavam à marginalização de escravizados com mais de 60 anos em detrimento da inserção respeitosa dessa parcela da população no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, essa atitude segregacionista mascara, há gerações, a necessidade de reverter esse revés e naturaliza, nos dias atuais, o silenciamento desenfreado dos idosos, produzindo culturalmente a ideia de inferioridade desse grupo. Assim, torna-se inegável o contínuo retrocesso da nação a cerca do reconhecimento da velhice como importante e inevitável, à medida que a manutenção de raízes históricas degradantes existe. Ademais, é fundamental ressaltar que a negligência estatal perpetua a aversão social ao inerente envelhecimento populacional. Essa questão se intensifica, na atualidade, ao passo que o Brasil não possui uma campanha nacional concreta e eficaz de estímulo à qualidade de vida da terceira idade. Tal panorama foi estudado pelo pesquisador Ruy Braga, o qual, a partir de uma perspectiva crítica voltada à realidade latino-americana, verbaliza que a ausência de um modelo assistencial inclusivo e socialmente comprometido permite o não reconhecimento dos idosos como integrantes ativos da sociedade. Sob essa ótica, o posicionamento do estudioso é válido, visto que políticas públicas ineficientes possibilitam a precarização do bem-estar da terceira idade, de modo a qualificar essa faixa etária como pouco importante para a edificação da nação - suprimindo o seu futuro salutar. Por isso, essa situação hostil precisa ser revertida. É premente, portanto, uma medida que perpetue perspectivas positivas ao envelhecimento populacional. Logo, cabe ao poder Executivo Federal — mais especificamente ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — fomentar o respeito à terceira idade. Tal ação ocorrerá por meio da criação do “Projeto Nacional Vida Feliz”, o qual engajará debates públicos — ministra dos por idosos —, nos 5570 municípios brasileiros, a fim de desmistificar ideai advindos da colonização do Brasil e de protagonizar a atuação de pessoas idosas no combate direto e frontal à marginalização sofrida por elas, culminando na promoção da dignidade a essa parte da sociedade. Afinal, não é aceitável que, em um país democrático, a população envelhecida seja, como denunciado por Clarice, invisibilizada.