Imagem aérea da Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP O mapa da Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral de São Paulo, pode ser alterado ainda em 2026. A informação consta em um parecer técnico do Ministério Público que apontou o risco iminente de rompimento de um esporão arenoso devido ao aumento do processo erosivo na região. A situação pode separar a área do Estreito do Melão, formando uma nova ilha e isolando comunidades caiçaras. 🔎O processo de erosão ocorre devido ao impacto de agentes naturais, como a água, o vento e o gelo, que desgastam e transportam sedimentos da superfície terrestre. Na Ilha do Cardoso, de acordo com o promotor Paulo Campos dos Santos, o fenômeno natural foi agravado pela elevação do nível do mar e por eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O parecer técnico do Centro de Apoio à Execução (CAEx), do Ministério Público, apresentou à Justiça de Cananéia uma análise sobre a alteração da linha de costa e os atuais impactos ambientais na Ilha do Cardoso. O órgão estadual destacou que, no trecho do Melão, a faixa de terra se estreitou para cerca de 48 a 50 metros, com risco iminente de rompimento ainda este ano. Fotos da Ilha do Cardoso em 2012, 2017 e 2018 Reprodução/MP-SP Diante da situação, o juiz Lucas Semaan Campos Ezequiel acolheu o parecer do Ministério Público na segunda-feira (9), determinando que a Fundação Florestal e o Estado de São Paulo cumpram as seguintes determinações: ➡️Elaborar um plano emergencial voltado à proteção das comunidades potencialmente afetadas (rotas, alertas, abrigos e logística), com apresentação em dez dias. ➡️Evitar intervenções de engenharia incompatíveis com a dinâmica natural do ambiente costeiro e avaliar as estruturas de contenção existentes (mourões, galharia e pneus) com eventual retirada ou não reposição/ampliação, se recomendado; Mar invadiu comércio na Ilha do Cardoso (SP), em 2025 Arquivo Pessoal/Junior Neves "O parecer técnico apresentado evidencia a existência de risco iminente de intensificação do processo erosivo nas faixas litorâneas mencionadas, com potencial comprometimento da segurança e da integridade das comunidades tradicionais", destacou o juiz no documento. Em 2 de fevereiro, a Justiça de Cananéia deu um prazo de 45 dias para que o Governo do Estado de São Paulo realize estudos para conter a erosão na Ilha do Cardoso, após um pedido da 1ª Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do Vale do Ribeira. Essa determinação permanece válida. Não é a primeira vez Moradores flagraram quando mar avançou sobre enseada em Cananéia (SP), em 2018 Por meio de nota, o Ministério Público havia afirmado que vistorias técnicas confirmaram a gravidade do quadro. Segundo o órgão estadual, cerca de 400 moradores de comunidades caiçaras e aldeias indígenas têm sofrido com o processo de erosão na região. O promotor Paulo relembrou o rompimento de um esporão arenoso que dividiu a ilha em duas partes, em 2018. O fato alterou a configuração da região e forçou a realocação das comunidades Vila Rápida e Enseada da Baleia. Fundação Florestal Quando a Justiça de Cananéia determinou os estudos na Ilha do Cardoso, a Fundação Florestal informou ao g1 que o trecho mais sensível é o Estreito do Melão, naturalmente sujeito a processos hidrodinâmicos. De acordo com o órgão estadual, a área é acompanhada por meio de sensoriamento remoto, uso de drones e vistorias técnicas periódicas. "Especialistas estaduais em hidrodinâmica realizaram inspeções conjuntas com a comunidade, a Fundação Florestal e o Ministério Público, que resultaram na elaboração de um projeto técnico preliminar que está em fase final de análise para contratação", garantiu a instituição na ocasião. Estrutura de contenção próxima às edificações da Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP Ainda segundo a FF, a comunidade da Vila Mendonça, composta por quatro famílias com sete pessoas, é atualmente a mais próxima do Estreito do Melão, situada a aproximadamente um quilômetro da área de maior sensibilidade. Na comunidade do Pereirinha, que também deve ser alvo dos estudos, o órgão explicou que o cenário é considerado menos crítico. "As edificações mais suscetíveis — comércios comunitários localizados à beira-mar — já receberam autorização para realocação e vêm adotando medidas mitigatórias com apoio da Fundação Florestal, incluindo a doação e o transporte de materiais destinados à implantação de eco barreiras". A fundação acrescentou que também conduz com a comunidade a elaboração de um plano de adaptação e resiliência climática. O estudo contempla a identificação de novas áreas para a ocupação, visando assegurar condições adequadas para os próximos 50 a 100 anos. Até o momento, quatro áreas potenciais já foram vistoriadas. "Cada situação demanda análise técnica aprofundada e a construção de soluções dialogadas com as comunidades impactadas, sempre buscando o menor impacto ambiental e a efetividade das medidas no médio e longo prazos", finalizou o órgão. Estrutura de contenção na Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
Nova ilha em SP? Ministério Público aponta que erosão pode romper faixa de terra ainda em 2026
Piemonte Escrito em 11/03/2026
Imagem aérea da Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP O mapa da Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral de São Paulo, pode ser alterado ainda em 2026. A informação consta em um parecer técnico do Ministério Público que apontou o risco iminente de rompimento de um esporão arenoso devido ao aumento do processo erosivo na região. A situação pode separar a área do Estreito do Melão, formando uma nova ilha e isolando comunidades caiçaras. 🔎O processo de erosão ocorre devido ao impacto de agentes naturais, como a água, o vento e o gelo, que desgastam e transportam sedimentos da superfície terrestre. Na Ilha do Cardoso, de acordo com o promotor Paulo Campos dos Santos, o fenômeno natural foi agravado pela elevação do nível do mar e por eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O parecer técnico do Centro de Apoio à Execução (CAEx), do Ministério Público, apresentou à Justiça de Cananéia uma análise sobre a alteração da linha de costa e os atuais impactos ambientais na Ilha do Cardoso. O órgão estadual destacou que, no trecho do Melão, a faixa de terra se estreitou para cerca de 48 a 50 metros, com risco iminente de rompimento ainda este ano. Fotos da Ilha do Cardoso em 2012, 2017 e 2018 Reprodução/MP-SP Diante da situação, o juiz Lucas Semaan Campos Ezequiel acolheu o parecer do Ministério Público na segunda-feira (9), determinando que a Fundação Florestal e o Estado de São Paulo cumpram as seguintes determinações: ➡️Elaborar um plano emergencial voltado à proteção das comunidades potencialmente afetadas (rotas, alertas, abrigos e logística), com apresentação em dez dias. ➡️Evitar intervenções de engenharia incompatíveis com a dinâmica natural do ambiente costeiro e avaliar as estruturas de contenção existentes (mourões, galharia e pneus) com eventual retirada ou não reposição/ampliação, se recomendado; Mar invadiu comércio na Ilha do Cardoso (SP), em 2025 Arquivo Pessoal/Junior Neves "O parecer técnico apresentado evidencia a existência de risco iminente de intensificação do processo erosivo nas faixas litorâneas mencionadas, com potencial comprometimento da segurança e da integridade das comunidades tradicionais", destacou o juiz no documento. Em 2 de fevereiro, a Justiça de Cananéia deu um prazo de 45 dias para que o Governo do Estado de São Paulo realize estudos para conter a erosão na Ilha do Cardoso, após um pedido da 1ª Promotoria de Justiça Regional do Meio Ambiente do Vale do Ribeira. Essa determinação permanece válida. Não é a primeira vez Moradores flagraram quando mar avançou sobre enseada em Cananéia (SP), em 2018 Por meio de nota, o Ministério Público havia afirmado que vistorias técnicas confirmaram a gravidade do quadro. Segundo o órgão estadual, cerca de 400 moradores de comunidades caiçaras e aldeias indígenas têm sofrido com o processo de erosão na região. O promotor Paulo relembrou o rompimento de um esporão arenoso que dividiu a ilha em duas partes, em 2018. O fato alterou a configuração da região e forçou a realocação das comunidades Vila Rápida e Enseada da Baleia. Fundação Florestal Quando a Justiça de Cananéia determinou os estudos na Ilha do Cardoso, a Fundação Florestal informou ao g1 que o trecho mais sensível é o Estreito do Melão, naturalmente sujeito a processos hidrodinâmicos. De acordo com o órgão estadual, a área é acompanhada por meio de sensoriamento remoto, uso de drones e vistorias técnicas periódicas. "Especialistas estaduais em hidrodinâmica realizaram inspeções conjuntas com a comunidade, a Fundação Florestal e o Ministério Público, que resultaram na elaboração de um projeto técnico preliminar que está em fase final de análise para contratação", garantiu a instituição na ocasião. Estrutura de contenção próxima às edificações da Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP Ainda segundo a FF, a comunidade da Vila Mendonça, composta por quatro famílias com sete pessoas, é atualmente a mais próxima do Estreito do Melão, situada a aproximadamente um quilômetro da área de maior sensibilidade. Na comunidade do Pereirinha, que também deve ser alvo dos estudos, o órgão explicou que o cenário é considerado menos crítico. "As edificações mais suscetíveis — comércios comunitários localizados à beira-mar — já receberam autorização para realocação e vêm adotando medidas mitigatórias com apoio da Fundação Florestal, incluindo a doação e o transporte de materiais destinados à implantação de eco barreiras". A fundação acrescentou que também conduz com a comunidade a elaboração de um plano de adaptação e resiliência climática. O estudo contempla a identificação de novas áreas para a ocupação, visando assegurar condições adequadas para os próximos 50 a 100 anos. Até o momento, quatro áreas potenciais já foram vistoriadas. "Cada situação demanda análise técnica aprofundada e a construção de soluções dialogadas com as comunidades impactadas, sempre buscando o menor impacto ambiental e a efetividade das medidas no médio e longo prazos", finalizou o órgão. Estrutura de contenção na Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
