Ameaçada de extinção e com cores do Brasil: conheça a arara-canindé, espécie que acompanhou ciclistas no interior de SP

Piemonte Escrito em 13/01/2026


Arara 'escolta' ciclistas de Jaú durante treino em rodovia no interior de SP O encontro inusitado de uma arara-canindé com um grupo de ciclistas em Guarapuã, distrito de Dois Córregos, no interior de São Paulo, é considerado raro por especialistas. Conhecida pelas cores vibrantes que remetem à bandeira do Brasil, a espécie está ameaçada de extinção. Segundo o adestrador de animais Vinicius Bittencourt, a ave não costuma se aproximar de pessoas, o que torna o encontro ainda mais incomum. De acordo com ele, a principal explicação para esse comportamento é que a ave seja domesticada ou treinada para praticar voo livre. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp "O movimento, por si só, não costuma atrair essa espécie. Esse tipo de aproximação indica que provavelmente é uma ave criada fora do ambiente natural ou que tenha sido domesticada e treinada desde filhote", conta. O vídeo foi registrado por Willian Padilha, morador de Jaú (SP), e chegou a ser confundido com Inteligência Artificial nas redes sociais. Até a noite de segunda-feira (12), a gravação já havia ultrapassado 16 milhões de visualizações. Ao analisar as imagens a pedido do g1, Bittencourt confirmou que a ave é uma arara-canindé, cujo nome científico é Ara ararauna. Ele explicou que essa espécie não é comum na região de São Paulo, sendo mais frequente em áreas próximas ao Mato Grosso. "Não é muito comum nessa região do estado de São Paulo. Na vida selvagem, a ocorrência começa mais próxima do Mato Grosso", revela. Adestrador de animais Vinicius Bittencourt Arquivo pessoal Nas redes sociais, surgiu também a hipótese de que a ave pudesse estar "pedindo ajuda", voando baixo e tentando contato com humanos, mas Bittencourt descartou a ideia. "Não, esse comportamento está muito mais ligado ao 'imprinting', quando o psitacídeo cria vínculo com humanos ainda filhote", comenta. Por fim, ele comentou sobre a raridade do encontro e a possibilidade de domesticidade da ave. "O encontro é raro, apesar de o número de psitacídeos como pet ter crescido muito no mundo todo. Hoje, com técnicas mais avançadas baseadas na etologia da ave, é possível praticar o voo livre com o animal, sem precisar aparar as asas como antigamente", comenta. Arara 'escolta' ciclistas durante treino em rodovia de Jaú (SP) a Dois Córregos (SP) Reprodução/Instagram 🦜Conheça a arara-canindé A arara-canindé, que traz nas penas as cores da bandeira do Brasil, também é conhecida como arara-de-barriga-amarela ou simplesmente arara-amarela, e está ameaçada de extinção. Arara-canindé mede cerca de 80 centímetros de comprimento Percival Gonzales Uma das razões para a vulnerabilidade da espécie é o fato de se deslocar a grandes distâncias durante o dia, entre locais de descanso e alimentação, tornando-se presa fácil. Quando as aves são caçadas para venda, as árvores que abrigam seus ninhos costumam ser derrubadas, prejudicando a reprodução de diversas araras que utilizam os mesmos ninhos e alterando o habitat natural dela. Essas aves fazem seus ninhos em buracos no tronco, onde colocam os ovos, e os filhotes permanecem no ninho até a décima terceira semana, sendo alimentados pelos pais, que regurgitam o alimento em seus bicos. Arara-canindé em grupo Luciana Pires - Prefeitura de Palmas/Divulgação O bico forte da arara-canindé também é usado para ingerir pedrinhas, que auxiliam na trituração de sementes de palmeiras como buriti, tucum, bocaiúva, carandá e acurí. Por triturar as sementes, as araras-canindé são consideradas "predadoras" de algumas palmeiras, já que impedem a dispersão dessas plantas. Em geral, essas aves voam em pares ou em grupos de três indivíduos, mantendo a mesma combinação mesmo em bandos de até 30 aves. Em cativeiro, podem viver até 60 anos, o que reforça a importância de proteger tanto os indivíduos quanto seu habitat natural. Nome científico: Ara ararauna. Família: Psittacidae. Ordem: Psittaciformes. Distribuição: no Brasil, é encontrada desde a Amazônia até o Paraná, além do Panamá, Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. Alimentação: frutas e sementes, em sua maioria de palmeiras. Reprodução: período de incubação de aproximadamente 28 dias, botando de um a três ovos. Conservação: em perigo – ameaçada de extinção. Penas de arara-canindé Guilherme Provenzano Giovanni/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região