Ex-superintendente do Inea é acusado de construir imóvel irregular em área de preservação em Nova Friburgo Uma casa de dois pavimentos, com cerca de 150 metros quadrados de área construída e garagem subterrânea, foi demolida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. Segundo o órgão, o imóvel foi construído irregularmente em uma Área de Preservação Permanente (APP), às margens do Córrego Curuzu. O proprietário já havia sido advertido dois anos antes. Na ocasião, fiscais do Inea embargaram a obra e apontaram a ocorrência de degradação ambiental considerada de difícil reparação. Imóveis de padrão semelhante na região são anunciados por valores próximos a R$ 900 mil. A investigação ganhou um novo capítulo quando o Inea identificou que o responsável pela construção era Renato José Vieira de Almeida, conhecido como Renatinho Medeiros, ex-superintendente regional do instituto na região. Renatinho Medeiros Reprodução De acordo com o Inea, quando estava à frente da Superintendência Regional de Dois Rios, Renatinho Medeiros alterou a faixa de proteção ambiental do Córrego Curuzu. A área de proteção, que deveria ter 30 metros de largura de cada lado do curso d'água, teria sido reduzida para cinco metros. Segundo o instituto, a mudança possibilitou a construção do imóvel. O Inea afirma que o então superintendente não tinha competência para fazer essa alteração. Segundo o órgão, uma mudança desse tipo só poderia ser autorizada pela Diretoria de Licenciamento Ambiental. O instituto abriu um processo administrativo disciplinar contra Renatinho Medeiros e integrantes de sua equipe. Entre as acusações investigadas estão emissão de licenças consideradas fraudulentas, recebimento de propina em dinheiro e imóveis, apropriação e uso indevido de viatura do Inea e atribuição de funções de Estado a funcionários terceirizados. Ex-superintendente foi chamado para apresentar defesa Segundo o Inea, Renatinho Medeiros foi convocado três vezes por meio de publicações no Diário Oficial do Estado para apresentar defesa no processo administrativo. De acordo com o instituto, ele não compareceu às convocações nem enviou representante. Técnicos do Inea também tentaram localizá-lo na Companhia Docas do Rio de Janeiro, onde ele ocupa o cargo de gerente de acesso terrestre. Segundo o instituto, funcionários informaram que não o conheciam e que ele não possuía cadastro de acesso ao local. O salário informado para a função é de aproximadamente R$ 14 mil. Mais de 100 licenças foram canceladas Um grupo de trabalho criado pelo Inea para revisar a atuação da Superintendência Regional de Dois Rios está reavaliando todas as licenças ambientais concedidas na região entre 2019 e 2024. Segundo o instituto, mais de 100 licenças já foram canceladas por apresentarem indícios de irregularidades. Outras cerca de 900 licenças ainda estão em análise.Operação do Ministério Público investigou venda de licenças A atuação da antiga Superintendência Regional de Dois Rios também foi alvo de uma operação do Ministério Público há cerca de dois anos. A investigação apurou a suspeita de venda de aproximadamente 500 licenças ambientais em quatro municípios da região atendida pela unidade do Inea. Segundo as investigações, os pagamentos de vantagens indevidas poderiam chegar a R$ 20 milhões. As suspeitas envolvendo as licenças e o processo administrativo contra o ex-superintendente ainda são objeto de apuração pelas autoridades competentes. O RJ2 procurou Renatinho Medeiros e o ex-secretário Thiago Pampolha, mas não recebemos resposta até a publicação desta reportagem. O ex-governador Cláudio Castro informou que não vai se manifestar.
Ex-superintendente do Inea é acusado de construir imóvel irregular em área de preservação em Friburgo; casa é demolida
Piemonte Escrito em 03/10/2026
Ex-superintendente do Inea é acusado de construir imóvel irregular em área de preservação em Nova Friburgo Uma casa de dois pavimentos, com cerca de 150 metros quadrados de área construída e garagem subterrânea, foi demolida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. Segundo o órgão, o imóvel foi construído irregularmente em uma Área de Preservação Permanente (APP), às margens do Córrego Curuzu. O proprietário já havia sido advertido dois anos antes. Na ocasião, fiscais do Inea embargaram a obra e apontaram a ocorrência de degradação ambiental considerada de difícil reparação. Imóveis de padrão semelhante na região são anunciados por valores próximos a R$ 900 mil. A investigação ganhou um novo capítulo quando o Inea identificou que o responsável pela construção era Renato José Vieira de Almeida, conhecido como Renatinho Medeiros, ex-superintendente regional do instituto na região. Renatinho Medeiros Reprodução De acordo com o Inea, quando estava à frente da Superintendência Regional de Dois Rios, Renatinho Medeiros alterou a faixa de proteção ambiental do Córrego Curuzu. A área de proteção, que deveria ter 30 metros de largura de cada lado do curso d'água, teria sido reduzida para cinco metros. Segundo o instituto, a mudança possibilitou a construção do imóvel. O Inea afirma que o então superintendente não tinha competência para fazer essa alteração. Segundo o órgão, uma mudança desse tipo só poderia ser autorizada pela Diretoria de Licenciamento Ambiental. O instituto abriu um processo administrativo disciplinar contra Renatinho Medeiros e integrantes de sua equipe. Entre as acusações investigadas estão emissão de licenças consideradas fraudulentas, recebimento de propina em dinheiro e imóveis, apropriação e uso indevido de viatura do Inea e atribuição de funções de Estado a funcionários terceirizados. Ex-superintendente foi chamado para apresentar defesa Segundo o Inea, Renatinho Medeiros foi convocado três vezes por meio de publicações no Diário Oficial do Estado para apresentar defesa no processo administrativo. De acordo com o instituto, ele não compareceu às convocações nem enviou representante. Técnicos do Inea também tentaram localizá-lo na Companhia Docas do Rio de Janeiro, onde ele ocupa o cargo de gerente de acesso terrestre. Segundo o instituto, funcionários informaram que não o conheciam e que ele não possuía cadastro de acesso ao local. O salário informado para a função é de aproximadamente R$ 14 mil. Mais de 100 licenças foram canceladas Um grupo de trabalho criado pelo Inea para revisar a atuação da Superintendência Regional de Dois Rios está reavaliando todas as licenças ambientais concedidas na região entre 2019 e 2024. Segundo o instituto, mais de 100 licenças já foram canceladas por apresentarem indícios de irregularidades. Outras cerca de 900 licenças ainda estão em análise.Operação do Ministério Público investigou venda de licenças A atuação da antiga Superintendência Regional de Dois Rios também foi alvo de uma operação do Ministério Público há cerca de dois anos. A investigação apurou a suspeita de venda de aproximadamente 500 licenças ambientais em quatro municípios da região atendida pela unidade do Inea. Segundo as investigações, os pagamentos de vantagens indevidas poderiam chegar a R$ 20 milhões. As suspeitas envolvendo as licenças e o processo administrativo contra o ex-superintendente ainda são objeto de apuração pelas autoridades competentes. O RJ2 procurou Renatinho Medeiros e o ex-secretário Thiago Pampolha, mas não recebemos resposta até a publicação desta reportagem. O ex-governador Cláudio Castro informou que não vai se manifestar.
