Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou o relatório oficial que mostra como foi realizada a análise que confirmou a presença de petróleo cru em um sítio de Tabuleiro do Norte, no Ceará. 👩🏽🔬 O documento apresenta os procedimentos realizados durante o processo e as características da amostra colhida no dia 11 de março deste ano na cidade de Tabuleiro do Norte. O achado do petróleo foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água, em 2024, no município cearense que fica a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza. LEIA TAMBÉM: Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP ANP abre processo para avaliar se é possível extrair petróleo no Ceará Com a confirmação do petróleo, a agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e o seu contexto geológico, de modo a estudar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. ➡️ A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente. A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Como a análise foi realizada? Equipe da ANP levou amostra colhida pelo IFCE para analisar. Divulgação/IFCE A amostra foi coletada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), em 11 de março de 2026 e cedida à equipe da ANP durante visita técnica em 12 de março de 2026. O g1 acompanhou todo o processo: O conteúdo estava acondicionado em dois frascos de um litro, com aproximadamente 80% e 40% de volume ocupado. De acordo com o relatório oficial, a amostra coletada no sítio apresentava "aspecto geral compatível com amostras de petróleo bruto, de cor preta, viscosidade elevada e odor característico". Na ANP, a amostra in natura foi submetida a procedimentos que mostraram a densidade relativa do material, a análise molecular via infravermelho e a concentração de enxofre e outros elementos químicos. Adriano Lima, engenheiro químico e professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), comenta os principais pontos do relatório. O especialista acompanha o caso desde o início, e realizou testes em um laboratório do IFCE em Tabuleiro do Norte. Os primeiros laudos já mostravam que o material poderia ser mesmo petróleo: "O laudo, de forma inequívoca e precisa, confirma que essa amostra é petróleo cru. Esse laudo foi importante porque eles conseguiram confirmar que aquele material que a gente enviou não tem possibilidade de ter contaminação com outros materiais. Muitas vezes, o órgão, quando recebe amostras, tem uma certa dúvida se aquele material é um material de origem fóssil ou ele é um material que, de repente, pode ter sido contaminado, como, por exemplo, um óleo lubrificante", explica o engenheiro. IFCE mediou contato com a ANP. Na foto, o engenheiro químico Adriano, do Campus de Tabuleiro do Norte, faz experiência com líquido colhido no sítio de Sidrônio Moreira. Gabriela Feitosa/g1 Outro ponto importante trazido no relatório da ANP é que a amostra colhida no sítio de Sidrônio tinha "indícios de degradação". Adriano explica que isso ocorre porque o material no subsolo acaba sofrendo modificações a partir do ambiente em que está inserido, como o contato com calor e umidade. ➡️ Vale lembrar que o líquido preto jorrou do chão depois que a família cearense decidiu perfurar um poço artesiano em busca de água, pois enfrentam dificuldade para acessar água encanada no sítio onde moram. Atualmente, a família está recebendo água de uma adutora nova da região, mas os animais e a plantação continuam sem abastecimento suficiente. "O petróleo tem várias substâncias dentro dele. Basicamente, ele é uma mistura de hidrocarbonetos, componentes químicos que têm na sua base carbono e hidrogênio. Por que está em um processo de degradação? Possivelmente, quando você faz a retirada desse material, há contato com calor e umidade. O poço que tem no seu Sidrônio é suscetível às questões ambientais, pode ter infiltração de água quando chove ou, eventualmente quando abre, entra oxigênio com luminosidade", detalha Adriano. Por fim, o laudo da ANP diz o seguinte: "Os resultados obtidos apontam para uma amostra de petróleo cru com indícios de degradação. O resultado de FTIR indicam uma mistura majoritária de hidrocarbonetos alifáticos. Os resultados de teor de elementos mostram a presença majoritária de Níquel e Vanádio, característicos de amostras de petróleo, e a ausência de metais de desgaste, excluindo a hipótese de óleo lubrificante usado". Quais são os próximos passos? A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve iniciar uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente. Antes da fase de exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, o leilão da área, a instalação da operação e a obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. "A partir do resultado da análise, a ANP abriu um processo administrativo com a finalidade de promover a avaliação técnica da área e de seu contexto geológico, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão (principal modalidade atual de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás)", disse a agência por meio de nota. "A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP como também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios". O agricultor poderá 'lucrar' com o petróleo? Agricultor Sidrônio Moreira furou poço em busca de água, mas encontrou óleo que pode ser petróleo Marcelo Andrade/IFCE Mesmo com a confirmação de que o líquido é petróleo, Sidrônio não será dono do material, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual. ➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia. Outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos. Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Entenda como foi feita análise que confirmou petróleo cru em sítio no interior do Ceará
Piemonte Escrito em 30/05/2026
Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou o relatório oficial que mostra como foi realizada a análise que confirmou a presença de petróleo cru em um sítio de Tabuleiro do Norte, no Ceará. 👩🏽🔬 O documento apresenta os procedimentos realizados durante o processo e as características da amostra colhida no dia 11 de março deste ano na cidade de Tabuleiro do Norte. O achado do petróleo foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água, em 2024, no município cearense que fica a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza. LEIA TAMBÉM: Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP ANP abre processo para avaliar se é possível extrair petróleo no Ceará Com a confirmação do petróleo, a agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e o seu contexto geológico, de modo a estudar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. ➡️ A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente. A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Como a análise foi realizada? Equipe da ANP levou amostra colhida pelo IFCE para analisar. Divulgação/IFCE A amostra foi coletada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), em 11 de março de 2026 e cedida à equipe da ANP durante visita técnica em 12 de março de 2026. O g1 acompanhou todo o processo: O conteúdo estava acondicionado em dois frascos de um litro, com aproximadamente 80% e 40% de volume ocupado. De acordo com o relatório oficial, a amostra coletada no sítio apresentava "aspecto geral compatível com amostras de petróleo bruto, de cor preta, viscosidade elevada e odor característico". Na ANP, a amostra in natura foi submetida a procedimentos que mostraram a densidade relativa do material, a análise molecular via infravermelho e a concentração de enxofre e outros elementos químicos. Adriano Lima, engenheiro químico e professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), comenta os principais pontos do relatório. O especialista acompanha o caso desde o início, e realizou testes em um laboratório do IFCE em Tabuleiro do Norte. Os primeiros laudos já mostravam que o material poderia ser mesmo petróleo: "O laudo, de forma inequívoca e precisa, confirma que essa amostra é petróleo cru. Esse laudo foi importante porque eles conseguiram confirmar que aquele material que a gente enviou não tem possibilidade de ter contaminação com outros materiais. Muitas vezes, o órgão, quando recebe amostras, tem uma certa dúvida se aquele material é um material de origem fóssil ou ele é um material que, de repente, pode ter sido contaminado, como, por exemplo, um óleo lubrificante", explica o engenheiro. IFCE mediou contato com a ANP. Na foto, o engenheiro químico Adriano, do Campus de Tabuleiro do Norte, faz experiência com líquido colhido no sítio de Sidrônio Moreira. Gabriela Feitosa/g1 Outro ponto importante trazido no relatório da ANP é que a amostra colhida no sítio de Sidrônio tinha "indícios de degradação". Adriano explica que isso ocorre porque o material no subsolo acaba sofrendo modificações a partir do ambiente em que está inserido, como o contato com calor e umidade. ➡️ Vale lembrar que o líquido preto jorrou do chão depois que a família cearense decidiu perfurar um poço artesiano em busca de água, pois enfrentam dificuldade para acessar água encanada no sítio onde moram. Atualmente, a família está recebendo água de uma adutora nova da região, mas os animais e a plantação continuam sem abastecimento suficiente. "O petróleo tem várias substâncias dentro dele. Basicamente, ele é uma mistura de hidrocarbonetos, componentes químicos que têm na sua base carbono e hidrogênio. Por que está em um processo de degradação? Possivelmente, quando você faz a retirada desse material, há contato com calor e umidade. O poço que tem no seu Sidrônio é suscetível às questões ambientais, pode ter infiltração de água quando chove ou, eventualmente quando abre, entra oxigênio com luminosidade", detalha Adriano. Por fim, o laudo da ANP diz o seguinte: "Os resultados obtidos apontam para uma amostra de petróleo cru com indícios de degradação. O resultado de FTIR indicam uma mistura majoritária de hidrocarbonetos alifáticos. Os resultados de teor de elementos mostram a presença majoritária de Níquel e Vanádio, característicos de amostras de petróleo, e a ausência de metais de desgaste, excluindo a hipótese de óleo lubrificante usado". Quais são os próximos passos? A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve iniciar uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente. Antes da fase de exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, o leilão da área, a instalação da operação e a obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. "A partir do resultado da análise, a ANP abriu um processo administrativo com a finalidade de promover a avaliação técnica da área e de seu contexto geológico, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão (principal modalidade atual de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás)", disse a agência por meio de nota. "A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP como também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios". O agricultor poderá 'lucrar' com o petróleo? Agricultor Sidrônio Moreira furou poço em busca de água, mas encontrou óleo que pode ser petróleo Marcelo Andrade/IFCE Mesmo com a confirmação de que o líquido é petróleo, Sidrônio não será dono do material, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual. ➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia. Outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos. Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
