Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial

Piemonte Escrito em 17/08/2026


Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (6) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida também inclui diversas empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e renegociar dívidas, enquanto a companhia mantém suas operações em funcionamento. 🔍 A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a empresas em dificuldades financeiras renegociar suas dívidas sob supervisão da Justiça, buscando evitar a falência e garantir a continuidade das atividades. Segundo a empresa, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais. Entre as empresas incluídas no processo estão a Bartira, fabricante de móveis, além de companhias de logística, tecnologia e comércio eletrônico ligadas ao grupo. As empresas incluídas no pedido de recuperação judicial são: ASAP Log – Logística e Soluções Ltda. ASAP Log Ltda. CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda. Cntlog Express Logística e Transporte Ltda. Globex Administração e Serviços Ltda. Cnova Comércio Eletrônico S.A. Integra Soluções para Varejo Digital Ltda. Casas Bahia Tecnologia Ltda. Indústria de Móveis Bartira Ltda. Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que a recuperação judicial foi motivada pela piora do cenário econômico, marcada por juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e redução do consumo. "Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações", afirma o comunicado. A empresa também informou que não conseguiu concluir alternativas de captação de recursos que estavam em negociação. Apesar da medida, a companhia afirma que pretende manter o funcionamento de suas lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, buscando evitar impactos relevantes para os consumidores. Como a recuperação judicial foi solicitada em caráter de urgência, os acionistas ainda deverão analisar e ratificar a decisão em Assembleia Geral Extraordinária, que será convocada pela companhia. Mudanças na diretoria e no conselho No mesmo dia em que pediu recuperação judicial, a Casas Bahia também anunciou mudanças na liderança da empresa. O vice-presidente das áreas Jurídica e Tributária, Fábio Spina, deixou o cargo após atuar na companhia desde 2024. Segundo a empresa, ele continuará prestando consultoria durante o processo de reestruturação. Para substituí-lo, foi nomeada Sírley Lima, que passa a comandar as áreas Jurídica, Tributária, Compliance (responsável por garantir o cumprimento de leis e regras internas) e Controles Internos. Ela tem mais de 20 anos de experiência e já trabalhou em empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY. A empresa também informou a saída de dois integrantes do Conselho de Administração: Jackson Schneider e Rogério Calderón. Com isso, Cláudia Quintella Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário e André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças. Apesar de deixar o Conselho de Administração, Jackson Schneider continuará à frente dos comitês responsáveis por auditoria, riscos, compliance e investigações internas da companhia. Prejuízo bilionário Ainda no domingo, a Casas Bahia registrou prejuízo de mais de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, citando impacto de um plano de redimensionamento de sua operação que incluiu o fechamento de 298 lojas. *Reportagem em atualização Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada. Sarah Brito/g1