Trabalho em campo busca recuperar áreas degradadas do Araguaia O que hoje é uma área de solo exposto, vegetação degradada e árvores recém-plantadas pode, daqui a dez anos, voltar a abrigar parte da biodiversidade do Cerrado. Na bacia do Rio Araguaia, em Mato Grosso, milhares de mudas nativas estão sendo plantadas em propriedades rurais para tentar reverter os impactos de décadas de ocupação da terra e recuperar a vegetação que ajuda a proteger o solo, as nascentes e os cursos d'água da região. 🔍Um levantamento feito pelo g1 com base nos indicadores do programa Todos pelo Araguaia aponta que 164.110 mudas já foram plantadas e 341 hectares foram contabilizados no processo de recuperação ambiental, iniciado em 2024. A iniciativa tem como meta restaurar 5 mil hectares de áreas degradadas em 12 municípios mato-grossenses que compõem a bacia do Rio Araguaia. O trabalho envolve identificar áreas degradadas, cercar trechos para impedir a entrada de animais, preparar o solo, controlar pragas e acompanhar o crescimento das espécies nativas durante os primeiros anos. O objetivo é criar condições para que a vegetação volte a se desenvolver e, no futuro, consiga se regenerar naturalmente, sem custo para os produtores. Propriedade rural em recuperação pelo projeto Todos pelo Araguaia Oréades Núcleo de Geoprocessamento Ao g1, o produtor rural João Bosco contou que vive na propriedade em Barra do Garças (MT) há 40 anos e que o reflorestamento ajudou a resolver problemas de erosão e de atolamento do gado em áreas de brejo. Com o cercamento para proteger as áreas, os animais deixaram de acessar esses locais, enquanto as mudas plantadas já começaram a crescer. Para ele, a recuperação da vegetação também representa um legado para os filhos. Produtor rural atendido pelo programa, João Bosco, em Barra do Garças (MT) g1 A RECUPERAÇÃO DO ARAGUAIA EM NÚMEROS O trabalho de recuperação ambiental na bacia do Araguaia ocorre em meio a um cenário preocupante para o Cerrado. Um estudo internacional liderado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), publicado na revista científica Global Change Biology, aponta que o bioma perdeu cerca de 24 bilhões de árvores desde 1985 e pode perder, até 2060, quase metade das áreas adequadas à sobrevivência de 30 espécies fundamentais para sua estrutura. O pesquisador e professor da Unemat, Ben Hur Marimon, especialista em ecologia florestal, explicou que o estudo também revelou que quase 60% da vegetação nativa remanescente está em propriedades privadas, evidenciando o papel dessas áreas na conservação do bioma. “Somente envolvendo o produtor para recuperar essas áreas é que a gente vai ter sucesso. Então o grande valor dessa iniciativa está em começar esse processo [...] Quando você tem esses problemas de degradação, é muita água indo embora e aí falta na época da seca, então a recuperação dessa vegetação é importante para que a água fique. Com isso, melhora o meio ambiente e o bolso do produtor”, explicou. O desafio de recuperar a vegetação nativa também aparece nos indicadores ambientais do programa. O levantamento aponta 2.303,20 hectares classificados com prioridade alta ou muito alta de recuperação, distribuídos entre áreas identificadas para intervenção na região (veja no gráfico acima). Para Enir Almeida, proprietária da Fazenda Cristal, localizada em Torixoréu (MT), as mudanças na paisagem do Rio Araguaia a entristeciam, especialmente pela redução da água e pelo desaparecimento dos peixes. Segundo ela, a preocupação motivou a família a aderir ao projeto, iniciado na propriedade em fevereiro. Enir Almeida, proprietária da Fazenda Cristal, localizada em Torixoréu (MT) g1 A floresta que começa pelas mudas Em Torixoréu, Guiratinga e Barra do Garças, na região leste de Mato Grosso, 22 propriedades rurais participam de uma das frentes da recuperação. Juntas, elas somam 172,09 hectares beneficiados por intervenções que buscam restabelecer a vegetação nativa em áreas de preservação permanente, reservas legais e outros trechos degradados. A recuperação dessas áreas está sob responsabilidade da ONG Oréades Núcleo de Geoprocessamento, que cuida de projetos ambientais no Cerrado e responsável pela execução de um dos lotes do programa. Até agora, 33.484 mudas de 61 espécies nativas do Cerrado foram plantadas nas propriedades atendidas pelo lote que receberam intervenções de plantio. Como funciona a recuperação de uma área degradada: Diagnóstico da propriedade e identificação das áreas degradadas; Planejamento das intervenções e seleção de espécies nativas; Preparo do solo e isolamento das áreas que precisam de proteção; Plantio das mudas e controle de plantas competidoras e formigas; Manutenção, reposição de mudas e monitoramento da regeneração. Segundo Renato Mineiros, responsável pela área de reflorestamento, um dos principais desafios é transformar não apenas a paisagem, mas a relação dos produtores rurais com o meio ambiente. Para ele, a recuperação depende de uma mudança na maneira como a terra é utilizada, especialmente em propriedades onde a vegetação nativa foi substituída por atividades agropecuárias sem planejamento ambiental adequado. “A recuperação ambiental é um processo gradual, onde os tratos culturais e condução do reflorestamento nos primeiros anos são fundamentais para garantir o estabelecimento da cobertura vegetal e podemos ver ao longo de 5 a 10 anos, resposta significativas na estrutura da vegetação do local, como também a utilização dessas áreas por espécies da fauna local, principalmente de aves e mamíferos”, explicou. Além da conscientização dos proprietários, a equipe precisa enfrentar obstáculos como a presença de plantas exóticas, a baixa fertilidade do solo, as formigas cortadeiras, a disponibilidade de água e a entrada de animais de criação nas áreas em recuperação. Mais de 31 quilômetros de cercas já foram instalados nas propriedades do Lote 3 para proteger áreas de preservação permanente, nascentes e reservas legais, segundo a instituição. A medida, conforme Renato, busca evitar que animais comprometam o desenvolvimento das mudas e a regeneração da vegetação. Galerias Relacionadas A importância das árvores para a água A recuperação da vegetação também está diretamente ligada à proteção dos recursos hídricos da bacia do Araguaia. As raízes e a cobertura vegetal ajudam a proteger o solo contra a erosão, favorecem a infiltração da água da chuva e reduzem o transporte de sedimentos para córregos e rios. Em áreas degradadas, a ausência dessa proteção pode facilitar o escoamento superficial e intensificar o assoreamento dos cursos d'água. “A cobertura vegetal contribui para reduzir o escoamento superficial, controlar processos erosivos, favorecer a infiltração da água no solo e diminuir o transporte de sedimentos para córregos e rios, tendo aspecto importante também as atividades de manutenção e prevenção contra incêndios florestais das áreas”, ressaltou Renato. O professor Ben Hur Marimon também explicou que a vegetação nativa do Cerrado desempenha um papel fundamental na manutenção desses recursos hídricos, inclusive durante os períodos de estiagem. Isso ocorre porque as raízes profundas das árvores permitem o acesso à água subterrânea, contribuindo para a regulação da temperatura e do ciclo da água. “O Cerrado tem um papel importante de recarregar a água subterrânea, de controlar a temperatura do ambiente e também de produzir chuva, porque as árvores de Cerrado têm raízes muito profundas, então elas retiram água de grandes profundidades e transpiram durante a época da seca, inclusive”, explicou. O especialista explicou ainda que o retorno da água pode ocorrer em determinadas situações, especialmente quando a redução da vazão está relacionada à degradação do solo e à perda da capacidade de infiltração. No entanto, o resultado depende de outros fatores, como o regime de chuvas, as características geológicas, a disponibilidade de água subterrânea e o uso do solo em toda a região. Por isso, segundo ele, os efeitos do reflorestamento sobre a quantidade de água disponível ainda precisam ser acompanhados ao longo dos anos. "O importante é que se esses 5 mil hectares a serem recuperados são áreas-chave, como nascentes e beira de cursos de água, então o efeito é maior", pontuou. O desafio de recuperar o que levou décadas para desaparecer Embora o plantio seja a etapa mais visível, a recuperação ambiental não acontece de uma estação chuvosa para outra. Segundo Renato, os resultados mais significativos na estrutura da vegetação podem levar de cinco a dez anos para aparecer. Nesse período, as mudas precisam sobreviver à seca, às pragas e a outras condições que podem comprometer seu desenvolvimento. “A recuperação ambiental é um processo gradual, onde os tratos culturais e condução do reflorestamento nos primeiros anos são fundamentais para garantir o estabelecimento da cobertura vegetal e podemos ver ao longo de 5 a 10 anos, resposta significativas na estrutura da vegetação do local, como também a utilização dessas áreas por espécies da fauna local, principalmente de aves e mamíferos”, Os resultados já observados incluem o isolamento das áreas protegidas e o estabelecimento inicial das mudas. Entretanto, ainda não há dados apresentados pela ONG que comprovem mudanças na disponibilidade de água ou o retorno de espécies da fauna em decorrência das intervenções, pois os efeitos dependerão de monitoramentos futuros. O custo também representa um desafio. Conforme a empresa responsável pelo Lote 03, a recuperação pode variar de R$ 32 mil a R$ 62 mil por hectare, dependendo das condições da área, da metodologia utilizada e da necessidade de cercamento e manutenção. No entanto, nenhum desses custos é cobrado dos produtores. Os valores não representam necessariamente o custo médio de todo o programa, já que cada propriedade exige intervenções diferentes. Para Renato, a expectativa é que, daqui a dez ou vinte anos, as áreas atendidas apresentem uma vegetação nativa mais desenvolvida, com maior diversidade de espécies e condições para que a própria natureza continue o processo de regeneração. A recuperação também poderá contribuir para oferecer abrigo e alimento à fauna, proteger o solo e conservar os recursos hídricos da bacia do Araguaia. Mas o sucesso do trabalho dependerá da sobrevivência das mudas, da manutenção das áreas e da continuidade da proteção ambiental nas propriedades.
Da degradação à floresta: produtores plantam mudas para recuperar 5 mil hectares da bacia do Araguaia em MT
Piemonte Escrito em 03/11/2026
Trabalho em campo busca recuperar áreas degradadas do Araguaia O que hoje é uma área de solo exposto, vegetação degradada e árvores recém-plantadas pode, daqui a dez anos, voltar a abrigar parte da biodiversidade do Cerrado. Na bacia do Rio Araguaia, em Mato Grosso, milhares de mudas nativas estão sendo plantadas em propriedades rurais para tentar reverter os impactos de décadas de ocupação da terra e recuperar a vegetação que ajuda a proteger o solo, as nascentes e os cursos d'água da região. 🔍Um levantamento feito pelo g1 com base nos indicadores do programa Todos pelo Araguaia aponta que 164.110 mudas já foram plantadas e 341 hectares foram contabilizados no processo de recuperação ambiental, iniciado em 2024. A iniciativa tem como meta restaurar 5 mil hectares de áreas degradadas em 12 municípios mato-grossenses que compõem a bacia do Rio Araguaia. O trabalho envolve identificar áreas degradadas, cercar trechos para impedir a entrada de animais, preparar o solo, controlar pragas e acompanhar o crescimento das espécies nativas durante os primeiros anos. O objetivo é criar condições para que a vegetação volte a se desenvolver e, no futuro, consiga se regenerar naturalmente, sem custo para os produtores. Propriedade rural em recuperação pelo projeto Todos pelo Araguaia Oréades Núcleo de Geoprocessamento Ao g1, o produtor rural João Bosco contou que vive na propriedade em Barra do Garças (MT) há 40 anos e que o reflorestamento ajudou a resolver problemas de erosão e de atolamento do gado em áreas de brejo. Com o cercamento para proteger as áreas, os animais deixaram de acessar esses locais, enquanto as mudas plantadas já começaram a crescer. Para ele, a recuperação da vegetação também representa um legado para os filhos. Produtor rural atendido pelo programa, João Bosco, em Barra do Garças (MT) g1 A RECUPERAÇÃO DO ARAGUAIA EM NÚMEROS O trabalho de recuperação ambiental na bacia do Araguaia ocorre em meio a um cenário preocupante para o Cerrado. Um estudo internacional liderado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), publicado na revista científica Global Change Biology, aponta que o bioma perdeu cerca de 24 bilhões de árvores desde 1985 e pode perder, até 2060, quase metade das áreas adequadas à sobrevivência de 30 espécies fundamentais para sua estrutura. O pesquisador e professor da Unemat, Ben Hur Marimon, especialista em ecologia florestal, explicou que o estudo também revelou que quase 60% da vegetação nativa remanescente está em propriedades privadas, evidenciando o papel dessas áreas na conservação do bioma. “Somente envolvendo o produtor para recuperar essas áreas é que a gente vai ter sucesso. Então o grande valor dessa iniciativa está em começar esse processo [...] Quando você tem esses problemas de degradação, é muita água indo embora e aí falta na época da seca, então a recuperação dessa vegetação é importante para que a água fique. Com isso, melhora o meio ambiente e o bolso do produtor”, explicou. O desafio de recuperar a vegetação nativa também aparece nos indicadores ambientais do programa. O levantamento aponta 2.303,20 hectares classificados com prioridade alta ou muito alta de recuperação, distribuídos entre áreas identificadas para intervenção na região (veja no gráfico acima). Para Enir Almeida, proprietária da Fazenda Cristal, localizada em Torixoréu (MT), as mudanças na paisagem do Rio Araguaia a entristeciam, especialmente pela redução da água e pelo desaparecimento dos peixes. Segundo ela, a preocupação motivou a família a aderir ao projeto, iniciado na propriedade em fevereiro. Enir Almeida, proprietária da Fazenda Cristal, localizada em Torixoréu (MT) g1 A floresta que começa pelas mudas Em Torixoréu, Guiratinga e Barra do Garças, na região leste de Mato Grosso, 22 propriedades rurais participam de uma das frentes da recuperação. Juntas, elas somam 172,09 hectares beneficiados por intervenções que buscam restabelecer a vegetação nativa em áreas de preservação permanente, reservas legais e outros trechos degradados. A recuperação dessas áreas está sob responsabilidade da ONG Oréades Núcleo de Geoprocessamento, que cuida de projetos ambientais no Cerrado e responsável pela execução de um dos lotes do programa. Até agora, 33.484 mudas de 61 espécies nativas do Cerrado foram plantadas nas propriedades atendidas pelo lote que receberam intervenções de plantio. Como funciona a recuperação de uma área degradada: Diagnóstico da propriedade e identificação das áreas degradadas; Planejamento das intervenções e seleção de espécies nativas; Preparo do solo e isolamento das áreas que precisam de proteção; Plantio das mudas e controle de plantas competidoras e formigas; Manutenção, reposição de mudas e monitoramento da regeneração. Segundo Renato Mineiros, responsável pela área de reflorestamento, um dos principais desafios é transformar não apenas a paisagem, mas a relação dos produtores rurais com o meio ambiente. Para ele, a recuperação depende de uma mudança na maneira como a terra é utilizada, especialmente em propriedades onde a vegetação nativa foi substituída por atividades agropecuárias sem planejamento ambiental adequado. “A recuperação ambiental é um processo gradual, onde os tratos culturais e condução do reflorestamento nos primeiros anos são fundamentais para garantir o estabelecimento da cobertura vegetal e podemos ver ao longo de 5 a 10 anos, resposta significativas na estrutura da vegetação do local, como também a utilização dessas áreas por espécies da fauna local, principalmente de aves e mamíferos”, explicou. Além da conscientização dos proprietários, a equipe precisa enfrentar obstáculos como a presença de plantas exóticas, a baixa fertilidade do solo, as formigas cortadeiras, a disponibilidade de água e a entrada de animais de criação nas áreas em recuperação. Mais de 31 quilômetros de cercas já foram instalados nas propriedades do Lote 3 para proteger áreas de preservação permanente, nascentes e reservas legais, segundo a instituição. A medida, conforme Renato, busca evitar que animais comprometam o desenvolvimento das mudas e a regeneração da vegetação. Galerias Relacionadas A importância das árvores para a água A recuperação da vegetação também está diretamente ligada à proteção dos recursos hídricos da bacia do Araguaia. As raízes e a cobertura vegetal ajudam a proteger o solo contra a erosão, favorecem a infiltração da água da chuva e reduzem o transporte de sedimentos para córregos e rios. Em áreas degradadas, a ausência dessa proteção pode facilitar o escoamento superficial e intensificar o assoreamento dos cursos d'água. “A cobertura vegetal contribui para reduzir o escoamento superficial, controlar processos erosivos, favorecer a infiltração da água no solo e diminuir o transporte de sedimentos para córregos e rios, tendo aspecto importante também as atividades de manutenção e prevenção contra incêndios florestais das áreas”, ressaltou Renato. O professor Ben Hur Marimon também explicou que a vegetação nativa do Cerrado desempenha um papel fundamental na manutenção desses recursos hídricos, inclusive durante os períodos de estiagem. Isso ocorre porque as raízes profundas das árvores permitem o acesso à água subterrânea, contribuindo para a regulação da temperatura e do ciclo da água. “O Cerrado tem um papel importante de recarregar a água subterrânea, de controlar a temperatura do ambiente e também de produzir chuva, porque as árvores de Cerrado têm raízes muito profundas, então elas retiram água de grandes profundidades e transpiram durante a época da seca, inclusive”, explicou. O especialista explicou ainda que o retorno da água pode ocorrer em determinadas situações, especialmente quando a redução da vazão está relacionada à degradação do solo e à perda da capacidade de infiltração. No entanto, o resultado depende de outros fatores, como o regime de chuvas, as características geológicas, a disponibilidade de água subterrânea e o uso do solo em toda a região. Por isso, segundo ele, os efeitos do reflorestamento sobre a quantidade de água disponível ainda precisam ser acompanhados ao longo dos anos. "O importante é que se esses 5 mil hectares a serem recuperados são áreas-chave, como nascentes e beira de cursos de água, então o efeito é maior", pontuou. O desafio de recuperar o que levou décadas para desaparecer Embora o plantio seja a etapa mais visível, a recuperação ambiental não acontece de uma estação chuvosa para outra. Segundo Renato, os resultados mais significativos na estrutura da vegetação podem levar de cinco a dez anos para aparecer. Nesse período, as mudas precisam sobreviver à seca, às pragas e a outras condições que podem comprometer seu desenvolvimento. “A recuperação ambiental é um processo gradual, onde os tratos culturais e condução do reflorestamento nos primeiros anos são fundamentais para garantir o estabelecimento da cobertura vegetal e podemos ver ao longo de 5 a 10 anos, resposta significativas na estrutura da vegetação do local, como também a utilização dessas áreas por espécies da fauna local, principalmente de aves e mamíferos”, Os resultados já observados incluem o isolamento das áreas protegidas e o estabelecimento inicial das mudas. Entretanto, ainda não há dados apresentados pela ONG que comprovem mudanças na disponibilidade de água ou o retorno de espécies da fauna em decorrência das intervenções, pois os efeitos dependerão de monitoramentos futuros. O custo também representa um desafio. Conforme a empresa responsável pelo Lote 03, a recuperação pode variar de R$ 32 mil a R$ 62 mil por hectare, dependendo das condições da área, da metodologia utilizada e da necessidade de cercamento e manutenção. No entanto, nenhum desses custos é cobrado dos produtores. Os valores não representam necessariamente o custo médio de todo o programa, já que cada propriedade exige intervenções diferentes. Para Renato, a expectativa é que, daqui a dez ou vinte anos, as áreas atendidas apresentem uma vegetação nativa mais desenvolvida, com maior diversidade de espécies e condições para que a própria natureza continue o processo de regeneração. A recuperação também poderá contribuir para oferecer abrigo e alimento à fauna, proteger o solo e conservar os recursos hídricos da bacia do Araguaia. Mas o sucesso do trabalho dependerá da sobrevivência das mudas, da manutenção das áreas e da continuidade da proteção ambiental nas propriedades.
