Irã reabre Estreito de Ormuz à navegação O mundo voltou a ficar de olho, nesta sexta-feira (17), no Oriente Médio. Primeiro, quando o Irã anunciou a reabertura da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz e, depois, quando ameaçou fechar de novo. É um quebra-cabeça frágil. O dia foi marcado por um vai e vem de declarações de vários lados do conflito. A peça que faltava para reabrir o Estreito de Ormuz, segundo o Irã, era o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah - o grupo extremista apoiado pelos iranianos no Líbano. Depois de quase sete semanas de guerra, o mundo respirou aliviado com a possível volta do escoamento de petróleo pela via marítima. O anúncio coube ao ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, perto de 10h em Brasília: “Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta durante o período restante do cessar-fogo” . Mas não deixou claro a qual das duas tréguas se referia. A primeira pausa de agressões foi acordada entre Irã e Estados Unidos em 7 de abril, e vence na terça-feira (21). O presidente americano celebrou a notícia com uma aparente euforia. Minutos depois, publicou várias mensagens nas redes sociais. Primeiro, agradeceu ao Irã. Mas acrescentou: "O bloqueio naval americano permanecerá em vigor, exclusivamente para o Irã, até que nossa negociação esteja 100% concluída. Esse processo deve ser rápido, visto que a maior parte dos pontos já foi negociada”. Disse também que o Irã, com ajuda dos americanos, removeu ou está removendo todas as minas marítimas do estreito. Irã reabre Estreito de Ormuz após cessar-fogo no Líbano Jornal Nacional/ Reprodução O Irã não gostou da decisão de Trump de manter o bloqueio aos navios que chegam e saem do país e ameaçou retaliar e fechar novamente o estreito a petroleiros com outros destinos na região. Na prática, sites de monitoramento marítimo registraram que 20 navios se aproximaram do estreito, mas a maioria recuou. As empresas têm dito que ainda estão avaliando os riscos. Mais cedo, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reuniram cerca de 50 países em uma videoconferência - sem a presença dos Estados Unidos. Ao lado dos colegas da Itália e da Alemanha, eles anunciaram que ao menos 12 países estão dispostos a participar de uma missão internacional neutra e independente para garantir a liberdade de navegação no estreito. Os detalhes práticos serão decididos na semana que vem. De fora do grupo, Trump aproveitou para, mais uma vez, criticar o tratado militar com os aliados europeus: “Agora que a situação do Estreito de Ormuz terminou, recebi uma ligação da Otan perguntando se precisaríamos de alguma ajuda. Eu disse para ficarem longe. Eles foram inúteis quando precisávamos, um tigre de papel”. A única certeza agora é que muitas peças desse tabuleiro ainda precisam se encaixar. Trump se diz otimista e à agência de notícias Reuters explicou que os Estados Unidos pretendem entrar no Irã e trabalhar em conjunto com o governo para retirar de lá o estoque de urânio enriquecido. Mas os iranianos rebateram: disseram que transferir o urânio aos americanos nunca foi uma alternativa. A segunda rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no Paquistão é mais uma peça neste tabuleiro que o mundo aguarda. LEIA TAMBÉM Irã anuncia reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo EUA x Irã: quatro cenários possíveis do que vem pela frente no conflito Líderes europeus planejam missão para garantir que Estreito de Ormuz siga aberto; Trump alfineta EUA proibiram Israel de voltar a bombardear o Líbano, diz Trump
Irã reabre Estreito de Ormuz após cessar-fogo no Líbano
Piemonte Escrito em 18/04/2026
Irã reabre Estreito de Ormuz à navegação O mundo voltou a ficar de olho, nesta sexta-feira (17), no Oriente Médio. Primeiro, quando o Irã anunciou a reabertura da passagem de navios pelo Estreito de Ormuz e, depois, quando ameaçou fechar de novo. É um quebra-cabeça frágil. O dia foi marcado por um vai e vem de declarações de vários lados do conflito. A peça que faltava para reabrir o Estreito de Ormuz, segundo o Irã, era o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah - o grupo extremista apoiado pelos iranianos no Líbano. Depois de quase sete semanas de guerra, o mundo respirou aliviado com a possível volta do escoamento de petróleo pela via marítima. O anúncio coube ao ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, perto de 10h em Brasília: “Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta durante o período restante do cessar-fogo” . Mas não deixou claro a qual das duas tréguas se referia. A primeira pausa de agressões foi acordada entre Irã e Estados Unidos em 7 de abril, e vence na terça-feira (21). O presidente americano celebrou a notícia com uma aparente euforia. Minutos depois, publicou várias mensagens nas redes sociais. Primeiro, agradeceu ao Irã. Mas acrescentou: "O bloqueio naval americano permanecerá em vigor, exclusivamente para o Irã, até que nossa negociação esteja 100% concluída. Esse processo deve ser rápido, visto que a maior parte dos pontos já foi negociada”. Disse também que o Irã, com ajuda dos americanos, removeu ou está removendo todas as minas marítimas do estreito. Irã reabre Estreito de Ormuz após cessar-fogo no Líbano Jornal Nacional/ Reprodução O Irã não gostou da decisão de Trump de manter o bloqueio aos navios que chegam e saem do país e ameaçou retaliar e fechar novamente o estreito a petroleiros com outros destinos na região. Na prática, sites de monitoramento marítimo registraram que 20 navios se aproximaram do estreito, mas a maioria recuou. As empresas têm dito que ainda estão avaliando os riscos. Mais cedo, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reuniram cerca de 50 países em uma videoconferência - sem a presença dos Estados Unidos. Ao lado dos colegas da Itália e da Alemanha, eles anunciaram que ao menos 12 países estão dispostos a participar de uma missão internacional neutra e independente para garantir a liberdade de navegação no estreito. Os detalhes práticos serão decididos na semana que vem. De fora do grupo, Trump aproveitou para, mais uma vez, criticar o tratado militar com os aliados europeus: “Agora que a situação do Estreito de Ormuz terminou, recebi uma ligação da Otan perguntando se precisaríamos de alguma ajuda. Eu disse para ficarem longe. Eles foram inúteis quando precisávamos, um tigre de papel”. A única certeza agora é que muitas peças desse tabuleiro ainda precisam se encaixar. Trump se diz otimista e à agência de notícias Reuters explicou que os Estados Unidos pretendem entrar no Irã e trabalhar em conjunto com o governo para retirar de lá o estoque de urânio enriquecido. Mas os iranianos rebateram: disseram que transferir o urânio aos americanos nunca foi uma alternativa. A segunda rodada de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no Paquistão é mais uma peça neste tabuleiro que o mundo aguarda. LEIA TAMBÉM Irã anuncia reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo EUA x Irã: quatro cenários possíveis do que vem pela frente no conflito Líderes europeus planejam missão para garantir que Estreito de Ormuz siga aberto; Trump alfineta EUA proibiram Israel de voltar a bombardear o Líbano, diz Trump
