Baianas da Viradouro Marco Terranova/Riotur Três títulos em seis anos. Liderança no ranking da década da Liesa, com 77 pontos desde 2021. Presença garantida no Desfile das Campeãs desde que retornou ao Grupo Especial. Com a vitória em 2026, com o enredo Pra Cima, Ciça!, a Unidos do Viradouro conquistou seu quarto título na elite do carnaval carioca e consolidou uma sequência rara na Sapucaí. Desde o retorno à primeira divisão, em 2019, a escola nunca ficou fora das campeãs — e a pior colocação foi um quarto lugar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O cenário é bem diferente do vivido há dez anos. Em 2016, a Viradouro estava na Série Ouro e enfrentava dificuldades financeiras. O carnaval de 2017 precisou ser montado em meio a mudanças no comando da escola. Foi naquele período que começou uma reorganização interna que mudaria o rumo da agremiação. Viradouro é campeã com exaltação ao Mestre Ciça Diretor geral de Harmonia da Viradouro, Dudu Falcão acompanhou essa transição. Ele afirma que a virada começou nos bastidores, com mudança de postura e alinhamento interno. “Saímos de um cenário bem ruim no fim de 2016. A escola estava no acesso, o carnaval foi feito correndo. A partir dali, foi muito trabalho e muita sintonia entre presidência, direção e segmentos”, disse. Segundo ele, o respeito aos profissionais passou a ser prioridade dentro da estrutura da escola. “Hoje a gestão respeita muito o trabalhador do carnaval. A gente é incansável no trabalho”, comentou. Os efeitos começaram a aparecer rapidamente. Em 2018, a Viradouro foi campeã da Série Ouro com 'Vira a Cabeça, Pira o Coração – Loucos Gênios da Criação' e garantiu o retorno ao Grupo Especial. No ano seguinte, já voltou como vice-campeã com 'Viraviradouro!'. Dirigentes da Viradouro erguem o troféu de campeão da série A Fernanda Rouvenat/G1 O jornalista e jurado do Estandarte de Ouro Leonardo Bruno destacou que a escola já subiu pensando grande. “A Viradouro não sobe com o desejo de ficar. Ela já sobe pensando em chegar lá no alto. Em 2019, já é vice-campeã. Não é comum uma escola recém-promovida voltar tão forte”, relembrou Bruno. Segundo ele, a estratégia começou ainda antes do retorno. A escola contratou nomes de peso e montou uma equipe considerada de elite. “Ela já chega ao Grupo Especial com uma equipe de ponta. Já tinha Julinho e Rute, trouxe nomes fortes para o carnaval. Ela já chega chegando”, disse. Passista da Viradouro no desfile de 2018 Alexandre Durão/G1 Leonardo também aponta a estrutura administrativa como diferencial. “Se você vai ao barracão da Viradouro, percebe a diferença. É organizado, limpo, com cronograma, com gestão. Não deixa nada resvalar no amadorismo”, afirma Leonardo Bruno. Profissionalismo e títulos A sequência de resultados positivos confirma esse planejamento da escola de Niterói. Em 2020, venceu com 'Viradouro de Alma Lavada'. Em 2022, ficou em terceiro lugar com 'Não Há Tristeza que Possa Suportar Tanta Alegria'. Viradouro leva sereia dentro de aquário para a Sapucaí Em 2023, foi vice com 'Rosa Maria Egipcíaca'. Em 2024, conquistou o título com 'Arroboboi, Dangbé'. Em 2025, terminou em quarto lugar com 'Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos'. Agora, em 2026, voltou ao topo com 'Pra Cima, Ciça!'. A sequência desde o retorno ao Grupo Especial: 2019 – Viraviradouro! – 2º lugar 2020 – Viradouro de Alma Lavada – 1º lugar 2022 – Não Há Tristeza que Possa Suportar Tanta Alegria – 3º lugar 2023 – Rosa Maria Egipcíaca – 2º lugar 2024 – Arroboboi, Dangbé – 1º lugar 2025 – Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos – 4º lugar 2026 – Pra Cima, Ciça! – 1º lugar A porta-bandeira Rute Alves vive essa trajetória desde o acesso. Ela subiu com a escola e permanece no primeiro casal, acumulando três títulos do Grupo Especial nesse período. Para Rute, o sucesso recente passa por dois pilares. “Eu penso que isso se deve a dois fatores: administração e profissionais”, afirmou. Mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro em desfile nesta terça (17) Ricardo Moraes/Reuters Segundo ela, a Viradouro conseguiu reunir uma equipe que não precisa ser cobrada diariamente para entregar resultados. “Aqui ninguém precisa mandar ensaiar ou cobrar o que foi contratado para fazer. Cada profissional sabe a sua responsabilidade”, disse. Leonardo Bruno também destaca a ousadia artística como marca da escola. “É uma escola que não tem medo de arriscar”, afirmou. Ele citou ainda como exemplo o samba em formato de carta apresentado em 2022 e o enredo em homenagem a Ciça. “Foi uma decisão muito corajosa homenagear um sambista que estava ali disputando o quesito na avenida. O enredo teve um efeito mobilizador”, avaliou. Presidente e carnavalescos da Viradouro celebram o título na quadra da escola em 2020. Raoni Alves/G1 Para o jornalista e pesquisador Aydano André Motta, o sucesso recente passa pela estrutura montada ao longo dos últimos anos. “A Viradouro tem como grande trunfo a estrutura que montou. Reuniu uma equipe muito competente e foi agregando profissionais experientes”, disse o especialista. Ele também destacou a mobilização interna. “O enredo do Ciça foi um elemento de união. Ele é muito querido no universo do carnaval. Foi a junção dessa estrutura com essa mobilização", concluiu. Mestre Ciça durante desfile da Viradouro com enredo em sua homenagem Rafael Catarcione/Riotur
Viradouro sai do acesso e conquista 2 vices e 3 campeonatos do especial em 9 anos; qual é o segredo do sucesso?
Piemonte Escrito em 21/02/2026
Baianas da Viradouro Marco Terranova/Riotur Três títulos em seis anos. Liderança no ranking da década da Liesa, com 77 pontos desde 2021. Presença garantida no Desfile das Campeãs desde que retornou ao Grupo Especial. Com a vitória em 2026, com o enredo Pra Cima, Ciça!, a Unidos do Viradouro conquistou seu quarto título na elite do carnaval carioca e consolidou uma sequência rara na Sapucaí. Desde o retorno à primeira divisão, em 2019, a escola nunca ficou fora das campeãs — e a pior colocação foi um quarto lugar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O cenário é bem diferente do vivido há dez anos. Em 2016, a Viradouro estava na Série Ouro e enfrentava dificuldades financeiras. O carnaval de 2017 precisou ser montado em meio a mudanças no comando da escola. Foi naquele período que começou uma reorganização interna que mudaria o rumo da agremiação. Viradouro é campeã com exaltação ao Mestre Ciça Diretor geral de Harmonia da Viradouro, Dudu Falcão acompanhou essa transição. Ele afirma que a virada começou nos bastidores, com mudança de postura e alinhamento interno. “Saímos de um cenário bem ruim no fim de 2016. A escola estava no acesso, o carnaval foi feito correndo. A partir dali, foi muito trabalho e muita sintonia entre presidência, direção e segmentos”, disse. Segundo ele, o respeito aos profissionais passou a ser prioridade dentro da estrutura da escola. “Hoje a gestão respeita muito o trabalhador do carnaval. A gente é incansável no trabalho”, comentou. Os efeitos começaram a aparecer rapidamente. Em 2018, a Viradouro foi campeã da Série Ouro com 'Vira a Cabeça, Pira o Coração – Loucos Gênios da Criação' e garantiu o retorno ao Grupo Especial. No ano seguinte, já voltou como vice-campeã com 'Viraviradouro!'. Dirigentes da Viradouro erguem o troféu de campeão da série A Fernanda Rouvenat/G1 O jornalista e jurado do Estandarte de Ouro Leonardo Bruno destacou que a escola já subiu pensando grande. “A Viradouro não sobe com o desejo de ficar. Ela já sobe pensando em chegar lá no alto. Em 2019, já é vice-campeã. Não é comum uma escola recém-promovida voltar tão forte”, relembrou Bruno. Segundo ele, a estratégia começou ainda antes do retorno. A escola contratou nomes de peso e montou uma equipe considerada de elite. “Ela já chega ao Grupo Especial com uma equipe de ponta. Já tinha Julinho e Rute, trouxe nomes fortes para o carnaval. Ela já chega chegando”, disse. Passista da Viradouro no desfile de 2018 Alexandre Durão/G1 Leonardo também aponta a estrutura administrativa como diferencial. “Se você vai ao barracão da Viradouro, percebe a diferença. É organizado, limpo, com cronograma, com gestão. Não deixa nada resvalar no amadorismo”, afirma Leonardo Bruno. Profissionalismo e títulos A sequência de resultados positivos confirma esse planejamento da escola de Niterói. Em 2020, venceu com 'Viradouro de Alma Lavada'. Em 2022, ficou em terceiro lugar com 'Não Há Tristeza que Possa Suportar Tanta Alegria'. Viradouro leva sereia dentro de aquário para a Sapucaí Em 2023, foi vice com 'Rosa Maria Egipcíaca'. Em 2024, conquistou o título com 'Arroboboi, Dangbé'. Em 2025, terminou em quarto lugar com 'Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos'. Agora, em 2026, voltou ao topo com 'Pra Cima, Ciça!'. A sequência desde o retorno ao Grupo Especial: 2019 – Viraviradouro! – 2º lugar 2020 – Viradouro de Alma Lavada – 1º lugar 2022 – Não Há Tristeza que Possa Suportar Tanta Alegria – 3º lugar 2023 – Rosa Maria Egipcíaca – 2º lugar 2024 – Arroboboi, Dangbé – 1º lugar 2025 – Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos – 4º lugar 2026 – Pra Cima, Ciça! – 1º lugar A porta-bandeira Rute Alves vive essa trajetória desde o acesso. Ela subiu com a escola e permanece no primeiro casal, acumulando três títulos do Grupo Especial nesse período. Para Rute, o sucesso recente passa por dois pilares. “Eu penso que isso se deve a dois fatores: administração e profissionais”, afirmou. Mestre-sala e porta-bandeira da Viradouro em desfile nesta terça (17) Ricardo Moraes/Reuters Segundo ela, a Viradouro conseguiu reunir uma equipe que não precisa ser cobrada diariamente para entregar resultados. “Aqui ninguém precisa mandar ensaiar ou cobrar o que foi contratado para fazer. Cada profissional sabe a sua responsabilidade”, disse. Leonardo Bruno também destaca a ousadia artística como marca da escola. “É uma escola que não tem medo de arriscar”, afirmou. Ele citou ainda como exemplo o samba em formato de carta apresentado em 2022 e o enredo em homenagem a Ciça. “Foi uma decisão muito corajosa homenagear um sambista que estava ali disputando o quesito na avenida. O enredo teve um efeito mobilizador”, avaliou. Presidente e carnavalescos da Viradouro celebram o título na quadra da escola em 2020. Raoni Alves/G1 Para o jornalista e pesquisador Aydano André Motta, o sucesso recente passa pela estrutura montada ao longo dos últimos anos. “A Viradouro tem como grande trunfo a estrutura que montou. Reuniu uma equipe muito competente e foi agregando profissionais experientes”, disse o especialista. Ele também destacou a mobilização interna. “O enredo do Ciça foi um elemento de união. Ele é muito querido no universo do carnaval. Foi a junção dessa estrutura com essa mobilização", concluiu. Mestre Ciça durante desfile da Viradouro com enredo em sua homenagem Rafael Catarcione/Riotur
