Chance de um jovem de baixa renda cursar ensino superior no AM é de apenas 1,4%, aponta estudo

Piemonte Escrito em 02/08/2026


Cursinho de vestibular em Manaus Divulgação Apenas 1,43% dos jovens amazonenses criados nas famílias de menor renda conseguem concluir o ensino superior na vida adulta. O dado faz parte do Atlas da Mobilidade Social Brasil e expõe uma das principais barreiras para a ascensão econômica no estado. O levantamento, realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab, mostra que o gargalo educacional no Amazonas começa ainda na educação básica: a probabilidade de um jovem vindo de família de baixa renda concluir o ensino médio é de apenas 51,25%. Essa baixa escolaridade reflete diretamente na perpetuação da pobreza entre gerações. Segundo o estudo, apenas 19,8% dos filhos de famílias da metade de menor renda no AM conseguem alcançar a metade mais rica da população na vida adulta. De acordo com estudo, que significa que 80,2% continuam retidos na metade inferior de rendimento. O índice é consideravelmente pior do que a média nacional, onde a taxa de permanência na baixa renda é de 66,6%. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp No ranking de mobilidade social entre as 27 unidades da federação, o Amazonas aparece à frente apenas do Acre e do Amapá. Conforme a plataforma, sem a formação acadêmica, a distância entre a base e o topo da pirâmide socioeconômica se torna quase insuperável. O levantamento mostra como a falta de oportunidades limita o futuro dos jovens amazonenses: Raros no topo: Apenas 1,15% dos filhos de famílias vulneráveis no AM chegam ao grupo dos 10% mais ricos do país. Quando analisada a fatia dos 25% mais ricos, o acesso é de somente 5,82%. Presos à pobreza: A imensa maioria (82,19%) continua na metade de menor renda. Além disso, 56,97% permanecem retidos entre os 25% mais pobres e 26,13% continuam na faixa extrema dos 10% mais pobres. Superação limitada: A probabilidade de o filho ter um rendimento relativo pelo menos 10% superior ao dos pais é de apenas 31,68%." 🔍 Estudo aponta que Amazonas tem desempenho abaixo da média nacional no Índice de Progresso Social O que o Brasil fez, e o que ainda falta fazer Desigualdade de gênero e raça agrava cenário ‼️ Ainda segundo a atlas, o abismo da mobilidade social fica ainda mais evidente quando recortado por gênero e raça, mostrando que as oportunidades educacionais e de renda são assimétricas. Entre as pessoas com maior probabilidade de permanecer na metade mais pobre da população no Amazonas, 89% são mulheres, enquanto entre os homens o percentual é de 70,8%. Quando analisada a situação das mulheres não brancas (pretas, pardas e indígenas), o índice de permanência na metade de menor renda sobe para 89,5%, indicando uma sobreposição de vulnerabilidades que dificulta o avanço social. Como a pesquisa foi feita ❓ O Atlas da Mobilidade Social Brasil acompanhou a trajetória econômica de famílias brasileiras em dois momentos distintos: Primeira fase (2006 a 2010): Pesquisadores identificaram famílias posicionadas na metade de menor renda per capita que possuíam filhos crianças ou adolescentes. Segunda fase (2015 a 2019): O estudo acompanhou esses mesmos filhos, já na vida adulta, para comparar seu rendimento com a condição original de seus pais. De acordo com os autores da pesquisa, quanto maior for a influência da renda dos pais sobre o rendimento futuro dos filhos, menor é o nível de mobilidade social do estado. Saiba mais Com desmatamento e invasão de garimpo, Amazônia Legal tem as cidades com pior índice de qualidade de vida Estudo aponta que Amazonas tem desempenho abaixo da média nacional no Índice de Progresso Social Facções criminosas atuam em ao menos 25 municípios do Amazonas, aponta estudo