Regime venezuelano anuncia libertação de presos políticos, mas frustra ativistas e familiares de detentos A Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de presos políticos. Parecia um primeiro sinal de abertura. Sandra Cassaño conta à reportagem que não vê o filho há seis anos e sete meses. Ele completou 28 anos há dois dias. Sandra estava cozinhando o almoço quando recebeu um telefonema e descobriu que pela primeira vez desde que Nicolas Maduro foi deposto, a Venezuela soltaria presos políticos. O filho dela foi acusado de terrorismo quando foi visitar parentes do outro lado da fronteira. “Eu queria abraçar, beijar e passar o aniversário do meu filho com ele”. Miriam achou durante 10 anos que o filho dela estava morto. Descobriu um ano atrás, que na verdade seu filho estava preso na Venezuela. Histórias assim se multiplicam na fronteira. Nesta quinta-feira (8), os parentes sentiram finalmente um pouco de esperança. O presidente do congresso venezuelano, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, surpreendeu quando, mais cedo, anunciou a libertação. Disse que muitos presos políticos do país e também estrangeiros seriam soltos imediatamente. Na declaração, Rodriguez agradeceu a líderes e governos que segundo ele, sempre estiveram ao lado da Venezuela pra defender o direito do país à independência. Rodriguez citou o ex-premiê espanhol José Luis Zapatero, o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, e o Catar. Mas, no fim do dia, a esperança parecia ter sido frustrada. Nas redes sociais, familiares de ativistas e políticos presos criticaram a demora no processo e a falta de informações claras. E a principal organização que monitora detenções de presos políticos informou que apenas cinco tinham sido soltos. Entre eles, Rocío San Miguel, ativista de direitos humanos, que foi acusada sem provas de tentar assassinar Nicolás Maduro. Na lista para libertação, também estava Rafael Tudares, advogado, detido havia um ano. Ele é genro de Edmundo González, o candidato da oposição que disputou a eleição de dois 2024 contra Nicolás Maduro. Gonzalez teve a vitória reconhecida por mais de 50 países e por organizações independentes que monitoraram a votação. A perseguição a opositores começou com o mentor de Nicolas Maduro, Hugo Chavez. Em 2009, ele criou a Milícia Nacional Bolivariana, um braço armado formado por reservistas e civis. Foi aí que o regime passou a prender e exilar políticos, juízes e jornalistas críticos do governo. Em momentos críticos, a repressão aumentava, como na sequência das eleições de 2024, contestadas em protestos e pela oposição. Naquela época, o governo mandou prender centenas de pessoas. Segundo a organização Foro Penal, que monitora os abusos aos direitos humanos na Venezuela, até o início da semana, o governo venezuelano tinha 806 presos políticos. Entre eles, 175 militares, 105 mulheres e 1 adolescente. O medo da perseguição política ultrapassa as fronteiras e chega do outro lado, na Colômbia. Nubia Mise mora em Cucuta e vai todos os domingos para a fronteira com a Venezuela, protestar contra as prisões de inocentes. Ela conta que o irmão dela foi preso e torturado por três meses em 2025. Ele era moto taxista e transportou um peruano com cidadania americana para o outro lado da ponte. Para Nise, era como se toda a família estivesse sendo torturada porque não saber onde o irmão estava, mas imaginá-lo sofrendo e não poder fazer nada era muito frustrante. "Ele foi solto com fraturas nos dentes, nas costelas", disse ela. Javier Giraldo diz que seu pai, de 70 anos, é o preso político mais velho da Venezuela. E garante que mesmo depois que ele seja solto, vai continuar protestando na fronteira – até que todos sejam soltos. O governo da espanha confirmou na noite desta quinta-feira (8) que as 5 pessoas libertadas hoje têm cidadania espanhola e já estão em um voo a caminho da Espanha. Na fronteira ainda há presença de militares, segurança reforçada. E muita incerteza ainda sobre o futuro da Venezuela. Donald Trump disse em uma entrevista ao jornal The New York Times que os Estados Unidos devem comandar a Venezuela por anos. E afirmou que o governo interino de Delcy Rodriguez já está dando aos americanos tudo o que é necessário. O presidente da Colombia Gustavo Petro falou por telefone com o presidente Lula. Os dois manifestaram preocupação com o uso da força americana contra a Venezuela. E o governo venezuelano atualizou os números e disse que pelo menos 100 pessoas morreram na ofensiva. Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de presos políticos Reprodução/TV Globo
Espanha confirma que cinco presos políticos libertados na Venezuela têm cidadania espanhola
Piemonte Escrito em 09/01/2026
Regime venezuelano anuncia libertação de presos políticos, mas frustra ativistas e familiares de detentos A Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de presos políticos. Parecia um primeiro sinal de abertura. Sandra Cassaño conta à reportagem que não vê o filho há seis anos e sete meses. Ele completou 28 anos há dois dias. Sandra estava cozinhando o almoço quando recebeu um telefonema e descobriu que pela primeira vez desde que Nicolas Maduro foi deposto, a Venezuela soltaria presos políticos. O filho dela foi acusado de terrorismo quando foi visitar parentes do outro lado da fronteira. “Eu queria abraçar, beijar e passar o aniversário do meu filho com ele”. Miriam achou durante 10 anos que o filho dela estava morto. Descobriu um ano atrás, que na verdade seu filho estava preso na Venezuela. Histórias assim se multiplicam na fronteira. Nesta quinta-feira (8), os parentes sentiram finalmente um pouco de esperança. O presidente do congresso venezuelano, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, surpreendeu quando, mais cedo, anunciou a libertação. Disse que muitos presos políticos do país e também estrangeiros seriam soltos imediatamente. Na declaração, Rodriguez agradeceu a líderes e governos que segundo ele, sempre estiveram ao lado da Venezuela pra defender o direito do país à independência. Rodriguez citou o ex-premiê espanhol José Luis Zapatero, o presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, e o Catar. Mas, no fim do dia, a esperança parecia ter sido frustrada. Nas redes sociais, familiares de ativistas e políticos presos criticaram a demora no processo e a falta de informações claras. E a principal organização que monitora detenções de presos políticos informou que apenas cinco tinham sido soltos. Entre eles, Rocío San Miguel, ativista de direitos humanos, que foi acusada sem provas de tentar assassinar Nicolás Maduro. Na lista para libertação, também estava Rafael Tudares, advogado, detido havia um ano. Ele é genro de Edmundo González, o candidato da oposição que disputou a eleição de dois 2024 contra Nicolás Maduro. Gonzalez teve a vitória reconhecida por mais de 50 países e por organizações independentes que monitoraram a votação. A perseguição a opositores começou com o mentor de Nicolas Maduro, Hugo Chavez. Em 2009, ele criou a Milícia Nacional Bolivariana, um braço armado formado por reservistas e civis. Foi aí que o regime passou a prender e exilar políticos, juízes e jornalistas críticos do governo. Em momentos críticos, a repressão aumentava, como na sequência das eleições de 2024, contestadas em protestos e pela oposição. Naquela época, o governo mandou prender centenas de pessoas. Segundo a organização Foro Penal, que monitora os abusos aos direitos humanos na Venezuela, até o início da semana, o governo venezuelano tinha 806 presos políticos. Entre eles, 175 militares, 105 mulheres e 1 adolescente. O medo da perseguição política ultrapassa as fronteiras e chega do outro lado, na Colômbia. Nubia Mise mora em Cucuta e vai todos os domingos para a fronteira com a Venezuela, protestar contra as prisões de inocentes. Ela conta que o irmão dela foi preso e torturado por três meses em 2025. Ele era moto taxista e transportou um peruano com cidadania americana para o outro lado da ponte. Para Nise, era como se toda a família estivesse sendo torturada porque não saber onde o irmão estava, mas imaginá-lo sofrendo e não poder fazer nada era muito frustrante. "Ele foi solto com fraturas nos dentes, nas costelas", disse ela. Javier Giraldo diz que seu pai, de 70 anos, é o preso político mais velho da Venezuela. E garante que mesmo depois que ele seja solto, vai continuar protestando na fronteira – até que todos sejam soltos. O governo da espanha confirmou na noite desta quinta-feira (8) que as 5 pessoas libertadas hoje têm cidadania espanhola e já estão em um voo a caminho da Espanha. Na fronteira ainda há presença de militares, segurança reforçada. E muita incerteza ainda sobre o futuro da Venezuela. Donald Trump disse em uma entrevista ao jornal The New York Times que os Estados Unidos devem comandar a Venezuela por anos. E afirmou que o governo interino de Delcy Rodriguez já está dando aos americanos tudo o que é necessário. O presidente da Colombia Gustavo Petro falou por telefone com o presidente Lula. Os dois manifestaram preocupação com o uso da força americana contra a Venezuela. E o governo venezuelano atualizou os números e disse que pelo menos 100 pessoas morreram na ofensiva. Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de presos políticos Reprodução/TV Globo
