Uso de linha chilena mais que dobra em 1 ano no Estado do Rio; administrador é mais uma vítima após ser atingido no pescoço

Piemonte Escrito em 04/04/2026


Administrador de empresas morre após ser atingido por linha chilena no pescoço O número de denúncias sobre o uso de linha chilena mais que dobrou no estado do Rio de Janeiro em 1 ano, segundo dados do Disque Denúncia. Em 2024, foram 561 registros. No ano passado, o total saltou para 1.203. Já nos três primeiros meses deste ano, foram contabilizadas 110 denúncias. Na tarde de quinta-feira (2), mais um caso terminou em tragédia. Um homem morreu após ser atingido no pescoço por uma linha chilena, em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Quem pilotava a moto era o administrador de empresas Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos. Ele chegou a ser socorrido com vida e levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas sofreu uma parada cardíaca. As equipes médicas tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu aos ferimentos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Leandro morreu atingido por linha chilena no pescoço Reprodução/TV Globo O acidente aconteceu entre as ruas Cerqueira Daltro e Gaspar Viana, no momento em que Leandro voltava para casa após mais um dia de trabalho. Dono de uma empresa de higienização de sofás, ele usava a moto para facilitar o deslocamento pela cidade. Leandro pretendia descansar no feriado, mas, no meio do caminho, acabou atingido por uma linha chilena. Após o acidente, um amigo da vítima retornou ao local e encontrou a linha que pode ter causado a morte. O RJ2 também identificou outras linhas espalhadas pela região, representando risco constante para quem passa pelo local. “Preciso me locomover de um lugar pro outro. Então, a moto me facilita nesse sentido, mas a gente passa por isso todos os dias. Todos os dias eu vejo essas linhas esticadas pela rua. Já tive situações em que eu consegui me livrar, mas infelizmente ele não teve a mesma sorte”, disse o professor Carlos Eduardo Menezes. Após o acidente, Carlos Eduardo retornou ao local e encontrou a linha que pode ter causado a morte de Leandro Reprodução/TV Globo A linha chilena é considerada ainda mais perigosa que o cerol, podendo ser até quatro vezes mais cortante. O uso e a venda desse material são proibidos por lei, e quem for flagrado pode ser multado e até responder criminalmente. Apesar da proibição, é fácil encontrar ofertas do produto na internet. Em redes sociais, perfis divulgam a venda da linha chilena sem restrições. Leandro era administrador e estava prestes a se formar em Direito. Viúvo, era filho único e deixa os pais e uma filha de 15 anos. A moto usada por ele no dia do acidente não tinha antena de proteção e segue estacionada na garagem da casa da família, ainda com marcas do ocorrido. Parentes e amigos estão abalados com a perda. “Leandro era uma pessoa muito comunicativa, todos no bairro gostavam muito dele. Todo mundo tá muito chocado com o que aconteceu”, falou o amigo. Leandro era administrador de empresas Reprodução/TV Globo