Protesto após desaparecimento de Bruno e Dom Reuters/Ueslei Marcelino O Ministério Público Federal (MPF) apresentou as alegações finais no processo que investiga a ocultação dos corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips à Justiça Federal em Tabatinga. Na manifestação, o órgão pediu a condenação dos acusados conforme os crimes descritos na denúncia, com base nas provas reunidas durante a instrução do processo. Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição na terra indígena Vale do Javari, que engloba os municípios de Guajará e Atalaia do Norte. Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022. O processo trata do crime de ocultação de cadáver e é diferente dos processos que apuram o homicídio de Bruno e Dom e o crime de organização criminosa. Neste, Rubén Dario Villar, conhecido como "Colômbia" e apontado como mandante das mortes, não é citado pela Justiça. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Em entrevista à Rede Amazônica, o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal explicou que o MPF solicitou a responsabilização penal de cada réu de acordo com sua participação nos fatos. Segundo ele, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira tiveram pedido de condenação pelos crimes de corrupção de menor e, por duas vezes, pelo crime de ocultação de cadáver, em concurso material. Já Francisco Conceição de Freitas teve pedido de condenação por duas ocorrências de ocultação de cadáver, também em concurso material. Por sua vez, Amarildo da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima tiveram pedido de condenação apenas pelo crime de corrupção de menor, cuja pena prevista é de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa. Sobre o sobrinho de Amarildo, que à época dos fatos era menor de idade e teria participado da ocultação dos corpos, o procurador esclareceu que ele não responde criminalmente no processo atual. Segundo Leal, eventuais medidas só poderiam ter sido adotadas na esfera do ato infracional, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. No processo em curso, ele figura como vítima. “O que vale para imputação é a idade ao tempo dos fatos. Como ele era menor, era penalmente inimputável”, explicou. Com a apresentação das alegações finais do MPF, o processo entra agora na fase de manifestações da defesa. Após essa etapa, o caso será encaminhado para sentença da Justiça Federal. "A expectativa do MPF, à luz das provas dos autos, é pela condenação integral, nos termos da denúncia", afirmou o procurador. Não há prazo definido para a decisão judicial, mas, de acordo com o procurador, o MPF seguirá atuando para que o julgamento ocorra em tempo razoável. ➡️ Caso Bruno e Dom: veja cronologia desde a morte das vítimas até o indiciamento do suposto mandante do assassinato O caso Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição para uma investigação na Amazônia. Dom escrevia o livro "How to save the Amazon?" (Como salvar a Amazônia?). O objetivo era mostrar como povos indígenas fazem para preservar a floresta e se defender de invasores. Na viagem de campo, os dois foram vistos pela última vez quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiam para Atalaia do Norte. A viagem de 72 quilômetros deveria durar apenas duas horas, mas eles nunca chegaram ao destino. Os restos mortais dos dois foram achados em 15 de junho de 2022. A polícia concluiu que eles foram mortos a tiros, e seus corpos, esquartejados, queimados e enterrados. As investigações apontam que Rubén Dário, conhecido como Côlombia, foi o mandante do crime e chefiava uma organização criminosa envolvida em pesca ilegal na região. Também foram denunciados pelo MPF os pescadores Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa Oliveira por usarem um menor de idade para ajudar a ocultar os cadáveres de Bruno Pereira e Dom Phillips. Eles também foram denunciados pelo delito de ocultação de cadáveres. Caso Bruno e Dom: Júri vai para Manaus
Bruno e Dom: Ministério Público Federal apresenta alegações finais à Justiça e pede condenação de acusados no caso
Piemonte Escrito em 26/03/2026
Protesto após desaparecimento de Bruno e Dom Reuters/Ueslei Marcelino O Ministério Público Federal (MPF) apresentou as alegações finais no processo que investiga a ocultação dos corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips à Justiça Federal em Tabatinga. Na manifestação, o órgão pediu a condenação dos acusados conforme os crimes descritos na denúncia, com base nas provas reunidas durante a instrução do processo. Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição na terra indígena Vale do Javari, que engloba os municípios de Guajará e Atalaia do Norte. Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022. O processo trata do crime de ocultação de cadáver e é diferente dos processos que apuram o homicídio de Bruno e Dom e o crime de organização criminosa. Neste, Rubén Dario Villar, conhecido como "Colômbia" e apontado como mandante das mortes, não é citado pela Justiça. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Em entrevista à Rede Amazônica, o procurador da República Guilherme Diego Rodrigues Leal explicou que o MPF solicitou a responsabilização penal de cada réu de acordo com sua participação nos fatos. Segundo ele, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira tiveram pedido de condenação pelos crimes de corrupção de menor e, por duas vezes, pelo crime de ocultação de cadáver, em concurso material. Já Francisco Conceição de Freitas teve pedido de condenação por duas ocorrências de ocultação de cadáver, também em concurso material. Por sua vez, Amarildo da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima tiveram pedido de condenação apenas pelo crime de corrupção de menor, cuja pena prevista é de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa. Sobre o sobrinho de Amarildo, que à época dos fatos era menor de idade e teria participado da ocultação dos corpos, o procurador esclareceu que ele não responde criminalmente no processo atual. Segundo Leal, eventuais medidas só poderiam ter sido adotadas na esfera do ato infracional, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. No processo em curso, ele figura como vítima. “O que vale para imputação é a idade ao tempo dos fatos. Como ele era menor, era penalmente inimputável”, explicou. Com a apresentação das alegações finais do MPF, o processo entra agora na fase de manifestações da defesa. Após essa etapa, o caso será encaminhado para sentença da Justiça Federal. "A expectativa do MPF, à luz das provas dos autos, é pela condenação integral, nos termos da denúncia", afirmou o procurador. Não há prazo definido para a decisão judicial, mas, de acordo com o procurador, o MPF seguirá atuando para que o julgamento ocorra em tempo razoável. ➡️ Caso Bruno e Dom: veja cronologia desde a morte das vítimas até o indiciamento do suposto mandante do assassinato O caso Bruno e Dom desapareceram quando faziam uma expedição para uma investigação na Amazônia. Dom escrevia o livro "How to save the Amazon?" (Como salvar a Amazônia?). O objetivo era mostrar como povos indígenas fazem para preservar a floresta e se defender de invasores. Na viagem de campo, os dois foram vistos pela última vez quando passavam em uma embarcação pela comunidade de São Rafael. De lá, seguiam para Atalaia do Norte. A viagem de 72 quilômetros deveria durar apenas duas horas, mas eles nunca chegaram ao destino. Os restos mortais dos dois foram achados em 15 de junho de 2022. A polícia concluiu que eles foram mortos a tiros, e seus corpos, esquartejados, queimados e enterrados. As investigações apontam que Rubén Dário, conhecido como Côlombia, foi o mandante do crime e chefiava uma organização criminosa envolvida em pesca ilegal na região. Também foram denunciados pelo MPF os pescadores Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa Oliveira por usarem um menor de idade para ajudar a ocultar os cadáveres de Bruno Pereira e Dom Phillips. Eles também foram denunciados pelo delito de ocultação de cadáveres. Caso Bruno e Dom: Júri vai para Manaus
