Irã impõe restrições sobre Estreito de Ormuz, e movimento de navios é praticamente nulo; incerteza faz preço do petróleo oscilar

Piemonte Escrito em 09/04/2026


Irã fecha Estreito de Ormuz novamente e deixa 800 navios parados Após anunciar uma "nova fase" para o Estreito de Ormuz, o Irã tem mantido a passagem efetivamente fechada para o tráfego marítimo nesta quinta-feira (9). Nesta quarta-feira (8), a Guarda Revolucionária do Irã havia anunciado rotas alternativas para evitar minas navais na região. Na prática, ela praticamente não tem concedido autorização a nenhuma embarcação para atravessar o estreito. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra As incertezas em torno de Ormuz têm feito o preço do petróleo oscilar no mercado internacional. Os preços do petróleo bruto reduziram parte dos seus ganhos ao longo do pregão desta quinta, mas, mesmo assim, mantiveram-se em alta durante o dia, devido à incerteza contínua sobre quando os petroleiros poderão retomar a plena circulação. Cada barril estava sendo negociado a cerca de US$ 100 ao longo da tarde desta quinta. Estreito de Ormuz Jornal Nacional/ Reprodução O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que a gestão do Estreito de Ormuz entrará em uma "nova fase" após a guerra com os Estados Unidos, segundo a TV estatal iraniana. A declaração atribuída ao aiatolá sugere a cobrança de pedágio dos navios que entram e saem do Golfo Pérsico, a título de "reparação" pelos danos provocados pelos ataques de EUA e Israel. ▶️ Contexto: o Estreito de Ormuz é uma rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A região é considerada estratégica e o controle do seu funcionamento tem sido usado pelo Irã na guerra contra os EUA e Israel. O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece bem abaixo de 10% do volume normal. Apenas seis navios passaram pelo estreito nas últimas 24 horas, contra cerca de 140 normalmente, mostraram dados de rastreamento de navios divulgados pela Reuters nesta quinta. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Rota de Larak A Guarda Revolucionária do Irã quer que as embarcações naveguem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim nesta quinta. As embarcações devem entrar no estreito ao norte da Ilha de Larak e sair ao sul dela até segunda ordem, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária, segundo a Tasnim. "Há uma possibilidade real de risco contínuo para trânsitos não autorizados pelo Estreito de Ormuz, bem como para embarcações ligadas a Israel e aos EUA que tentam transitar", disse a empresa britânica de segurança marítima Ambrey em um comunicado divulgado pela Reuters. "Mesmo embarcações com autorização aparente foram impedidas de passar nas últimas semanas durante o trânsito", acrescentou. Pouco tráfego Dos seis navios que passaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, estavam um petroleiro e cinco graneleiros, segundo dados de Kpler, Lloyd’s List Intelligence e Signal Ocean e divulgados pela Reuters. Um navio-tanque químico estava prestes a cruzar o Golfo com destino à Índia, conforme dados de rastreamento de navios nas plataformas MarineTraffic e Pole Star Global, divulgados na quinta-feira. "A maioria das companhias de navegação provavelmente permanecerá cautelosa, e duas semanas não serão suficientes para eliminar o acúmulo de navios, mesmo que haja um aumento significativo no tráfego", afirmou Torbjorn Soltvedt, da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, de acordo com a Reuters. Mais de 180 petroleiros, transportando aproximadamente 172 milhões de barris de petróleo e derivados, permanecem retidos no Golfo, de acordo com a empresa de rastreamento de navios Kpler, segundo divulgado pela Reuters. O que são minas navais Mina naval da Alemanha instalada na Segunda Guerra Mundial sendo detonada em maio de 2014 David Krigbaum/US Navy Minas navais são explosivos que ficam submersos ou à deriva e podem ser acionados automaticamente por contato ou quando detectam a passagem da embarcação. 💥 Poder do Irã: Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais. As armas são explosivos posicionados no mar para atingir embarcações. Existem diferentes modelos de minas navais. Algumas ficam presas ao fundo do mar, enquanto outras permanecem ancoradas a certa profundidade ou, em alguns casos, podem ficar à deriva. Modelos mais simples explodem a partir do impacto com o casco do navio. Versões mais modernas utilizam sensores que detectam alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores. Ainda de acordo com o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte, como um petroleiro. O navio, no entanto, poderia sofrer danos. Entenda os tipos de minas navais Alberto Correa/g1