Prédio do antigo IML no Centro do Rio segue abandonado, alvo de invasões e preocupa moradores Abandonado há 17 anos, o antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), na Avenida Mem de Sá, no Centro do Rio, voltou a ser alvo de reclamações de moradores e comerciantes da região. O imóvel, que pertence à União e está cedido ao Estado do Rio, apresenta sinais de deterioração, é constantemente invadido e tem gerado preocupação com a segurança no entorno. O IML funcionou no local até 2008, quando foi transferido para a Avenida Francisco Bicalho, na Leopoldina. Desde então, segundo relatos de quem vive e trabalha na região, o prédio nunca passou por obras de recuperação e se tornou ponto de entrada frequente de pessoas. “Isso daqui é um entra e sai de gente. Eles quebram coisas lá dentro, já tiraram todas as janelas, tudo o que pode ser levado. Eles consomem droga e cometem roubos aqui na Lapa, porque tem muito roubo aqui”, afirma a fisioterapeuta Gisele Magalhães. Do lado de fora, é possível ver pichações nas paredes, portas e janelas quebradas. O cheiro de urina em frente ao prédio é forte. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Para Lizzia da Costa, vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança, o abandono afeta diretamente a qualidade de vida de quem mora no entorno. “É muita sujeira, um barulho horrível”, relata. Prédio do antigo IML, na região central do Rio Reprodução/ TV Globo Além das invasões, moradores dizem que o imóvel representa risco constante. O contador Marco Aragão contou que precisou acionar o Corpo de Bombeiros durante a madrugada após um incêndio no prédio. “Eles entraram no terceiro e no quarto andar para roubar toda a fiação do prédio. Estavam queimando os fios para tirar o cobre. Eles não estão nem preocupados com segurança”, disse. O RJ1 já denunciou anteriormente a situação de abandono do antigo prédio do IML. Em julho do ano passado, a equipe mostrou que o local ainda abrigava documentos históricos da época da ditadura militar, armazenados em gavetas enferrujadas, expostos ao sol e dentro de sacos de lixo. De acordo com o Ministério Público, esse material pode conter informações sobre desaparecidos políticos. Na época, a Polícia Civil informou que ainda havia documentos e materiais da corporação no prédio. Em dezembro de 2025, a Justiça determinou que o Governo do Estado garantisse a preservação do acervo documental, mantivesse ao menos dez vigilantes em tempo integral no imóvel e removesse toda a documentação em um prazo improrrogável de 30 dias. A decisão também informava que a União adotava medidas para viabilizar a reversão do prédio. No entanto, no dia 8 de janeiro, após recurso apresentado pela Polícia Civil, a juíza Geraldine Vital suspendeu a liminar. A nova decisão manteve a advertência sobre a necessidade de garantir a segurança do imóvel, mas retirou a obrigação de contratação de vigilantes, suspendeu a multa e também o prazo para retirada do acervo, que ficará condicionado à manifestação técnica dos órgãos envolvidos. Danos no prédio do antigo IML, na região central do Rio Reprodução/ TV Globo Moradores dizem que, apesar de a Polícia Civil afirmar que há segurança no local, os vigilantes são vistos apenas na entrada pela Rua dos Inválidos. Eles cobram providências urgentes para evitar novos episódios de invasão e riscos à população. A Polícia Civil informou que o plano de ação para a desocupação do prédio já foi iniciado e que a transferência do acervo documental será realizada sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal, que entrou com a ação pedindo a devolução do imóvel à União, afirmou que vai solicitar a reconsideração da decisão judicial por entender que as determinações não estão sendo cumpridas. Segundo o MPF, a multa prevista em caso de descumprimento é de R$ 100 mil. Sobre a denúncia de invasão por pessoas em situação de rua, a Prefeitura do Rio informou que não pode atuar no local sem autorização judicial para que agentes entrem no prédio.
Prédio do antigo IML no Centro do Rio segue abandonado, alvo de invasões e preocupa moradores
Piemonte Escrito em 19/01/2026
Prédio do antigo IML no Centro do Rio segue abandonado, alvo de invasões e preocupa moradores Abandonado há 17 anos, o antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), na Avenida Mem de Sá, no Centro do Rio, voltou a ser alvo de reclamações de moradores e comerciantes da região. O imóvel, que pertence à União e está cedido ao Estado do Rio, apresenta sinais de deterioração, é constantemente invadido e tem gerado preocupação com a segurança no entorno. O IML funcionou no local até 2008, quando foi transferido para a Avenida Francisco Bicalho, na Leopoldina. Desde então, segundo relatos de quem vive e trabalha na região, o prédio nunca passou por obras de recuperação e se tornou ponto de entrada frequente de pessoas. “Isso daqui é um entra e sai de gente. Eles quebram coisas lá dentro, já tiraram todas as janelas, tudo o que pode ser levado. Eles consomem droga e cometem roubos aqui na Lapa, porque tem muito roubo aqui”, afirma a fisioterapeuta Gisele Magalhães. Do lado de fora, é possível ver pichações nas paredes, portas e janelas quebradas. O cheiro de urina em frente ao prédio é forte. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Para Lizzia da Costa, vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança, o abandono afeta diretamente a qualidade de vida de quem mora no entorno. “É muita sujeira, um barulho horrível”, relata. Prédio do antigo IML, na região central do Rio Reprodução/ TV Globo Além das invasões, moradores dizem que o imóvel representa risco constante. O contador Marco Aragão contou que precisou acionar o Corpo de Bombeiros durante a madrugada após um incêndio no prédio. “Eles entraram no terceiro e no quarto andar para roubar toda a fiação do prédio. Estavam queimando os fios para tirar o cobre. Eles não estão nem preocupados com segurança”, disse. O RJ1 já denunciou anteriormente a situação de abandono do antigo prédio do IML. Em julho do ano passado, a equipe mostrou que o local ainda abrigava documentos históricos da época da ditadura militar, armazenados em gavetas enferrujadas, expostos ao sol e dentro de sacos de lixo. De acordo com o Ministério Público, esse material pode conter informações sobre desaparecidos políticos. Na época, a Polícia Civil informou que ainda havia documentos e materiais da corporação no prédio. Em dezembro de 2025, a Justiça determinou que o Governo do Estado garantisse a preservação do acervo documental, mantivesse ao menos dez vigilantes em tempo integral no imóvel e removesse toda a documentação em um prazo improrrogável de 30 dias. A decisão também informava que a União adotava medidas para viabilizar a reversão do prédio. No entanto, no dia 8 de janeiro, após recurso apresentado pela Polícia Civil, a juíza Geraldine Vital suspendeu a liminar. A nova decisão manteve a advertência sobre a necessidade de garantir a segurança do imóvel, mas retirou a obrigação de contratação de vigilantes, suspendeu a multa e também o prazo para retirada do acervo, que ficará condicionado à manifestação técnica dos órgãos envolvidos. Danos no prédio do antigo IML, na região central do Rio Reprodução/ TV Globo Moradores dizem que, apesar de a Polícia Civil afirmar que há segurança no local, os vigilantes são vistos apenas na entrada pela Rua dos Inválidos. Eles cobram providências urgentes para evitar novos episódios de invasão e riscos à população. A Polícia Civil informou que o plano de ação para a desocupação do prédio já foi iniciado e que a transferência do acervo documental será realizada sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal, que entrou com a ação pedindo a devolução do imóvel à União, afirmou que vai solicitar a reconsideração da decisão judicial por entender que as determinações não estão sendo cumpridas. Segundo o MPF, a multa prevista em caso de descumprimento é de R$ 100 mil. Sobre a denúncia de invasão por pessoas em situação de rua, a Prefeitura do Rio informou que não pode atuar no local sem autorização judicial para que agentes entrem no prédio.
