Nevasca entre as maiores da história do Brasil teve mais de 1 metro de neve O inverno de 1957 foi diferente de qualquer outro vivido por Maria de Lurdes Hugen de Souza, de 82 anos. Nascida e criada em São Joaquim, cidade da Serra de Santa Catarina acostumada a ter as menores temperaturas do Brasil, a idosa testemunhou, com 14 anos, a histórica nevasca que, naquele 20 de julho, transformou a paisagem ao redor em um cenário inédito. "Era um espetáculo para a gente abrir a janela e ver aquela imensidão branca", relembra a catarinese. Os flocos de neve que caíram por cerca de 7 horas se acumularam e formaram montes de cerca de 1,30 metro de altura nas portas de casas, ruas e estradas. Os acessos foram bloqueados por uma semana e a Força Aérea Brasileira (FAB) chegou a lançar alimentos por aviões para os moradores. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Se atualmente São Joaquim é pequena, com 25 mil moradores e vastas áreas de campos, há 68 anos, quando um fenômeno severo atingiu a região, a cidade era ainda menor. Registros históricos apontam pouco mais de 10 mil habitantes espalhados pelos seus 1.888,6 km² de território. ⛄ A memória de Maria de Lurdes também remonta à rotina de interior e à surpresa com a neve. Naquela manhã, ela lembra de ter visto o céu azul ficando cinza e a temperatura caindo à medida que os flocos de neve aumentavam de intensidade. "Foi uma coisa impressionante porque não tem nenhum fenômeno que seja tão bom para contemplar a natureza quanto a neve. Ela traz, assim, uma paz interior, a vontade de quando sai abraçar todo mundo, contar que está nevando", diz. Maria de Lurdes Hugen de Souza testemunhou uma nevasca histórica em São Joaquim quando era adolescente Mycchel Legnaghi Além de isolar a cidade, a nevasca atingiu casas e estruturas inteiras com o excesso de gelo. "O pessoal do sítio contava que o estrondo dos galhos dos pinheiros das árvores era apavorante porque a neve é pesada e acaba fazendo peso", afirma. Por alguns dias, ela e a família precisaram ficar dentro de casa, sem ir à aula e ao trabalho e próximos ao fogão a lenha. Da janela, conta a moradora, o pai pegava a água para esquentar e usar na higiene, já que as baixas temperaturas e o gelo congelaram o encanamento. 🏔️❄️ Os órgãos que monitoram o clima em Santa Catarina não possuem registros das temperaturas da época, mas destacam que a neve exige condições muito específicas. Segundo Caio Guerra, meterologista da Defesa Civil catarinense, essas situações são raras no Brasil, já que o ar polar costuma ser seco. Para nevar, é preciso que o frio se combine com uma instabilidade e alta umidade. Já uma nevasca depende de uma atmosfera ainda mais instável, o que torna o fenômeno registrado em São Joaquim ainda mais incomum. Acostumada com a neve desde a infância, Maria de Lurdes também confirma que o episódio foi o mais surpreendente que viveu. Professora aposentada, a moradora divide atualmente a rotina entre a família e o resgate da história de São Joaquim. Em casa, Maria de Lurdes guarda recortes de imagens, fotos e registros da nevasca e outros momentos importantes para a cidade (veja imagens mais abaixo). Morador fez um monte de neve do tamanho da casa Bampi/Divulgação LEIA TAMBÉM: São Joaquim: Conheça reduto com mais de 100 geadas por ano Como é viver em Urupema, a Capital Nacional do Frio O episódio também foi importante para fomentar o potencial do turismo de frio na serra. O episódio também foi importante para fomentar o potencial do turismo de frio na serra. Atualmente, a Serra catarinense recebe milhares de visitantes em busca do frio. Em 2025, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio), os municípios registraram o maior gasto médio por grupo de visitantes da história. Em termos reais, o valor saltou de R$ 2.824 para R$ 3.550 por grupo de visitantes, o maior número da série histórica, iniciada em 2017. A pesquisa, divulgada em setembro do ano passado, mostrou também os municípios que se destacaram durante a temporada de inverno. Urubici, destino escolhido um dos mais acolhedores do mundo, foi o mais procurado, com 53,6% das escolhas para hospedagem, seguido por São Joaquim e Lages. São Joaquim ficou coberta pela neve em 1957 Bampi/Divulgação Imagem de 20 de julho de 1957 em São Joaquim Bampi/Divulgação Foram 7 horas ininterruptas de neve em 1957 Bampi/Divulgação Neve atingiu 1,30m e deixou a cidade isolada Bampi/Divulgação Acumulado de neve chegou a marca de 1,30m Bampi/Divulgação VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
Isolada pelo gelo e comida jogada por aviões: como foi a nevasca que isolou cidade na Serra de SC
Piemonte Escrito em 07/06/2026
Nevasca entre as maiores da história do Brasil teve mais de 1 metro de neve O inverno de 1957 foi diferente de qualquer outro vivido por Maria de Lurdes Hugen de Souza, de 82 anos. Nascida e criada em São Joaquim, cidade da Serra de Santa Catarina acostumada a ter as menores temperaturas do Brasil, a idosa testemunhou, com 14 anos, a histórica nevasca que, naquele 20 de julho, transformou a paisagem ao redor em um cenário inédito. "Era um espetáculo para a gente abrir a janela e ver aquela imensidão branca", relembra a catarinese. Os flocos de neve que caíram por cerca de 7 horas se acumularam e formaram montes de cerca de 1,30 metro de altura nas portas de casas, ruas e estradas. Os acessos foram bloqueados por uma semana e a Força Aérea Brasileira (FAB) chegou a lançar alimentos por aviões para os moradores. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Se atualmente São Joaquim é pequena, com 25 mil moradores e vastas áreas de campos, há 68 anos, quando um fenômeno severo atingiu a região, a cidade era ainda menor. Registros históricos apontam pouco mais de 10 mil habitantes espalhados pelos seus 1.888,6 km² de território. ⛄ A memória de Maria de Lurdes também remonta à rotina de interior e à surpresa com a neve. Naquela manhã, ela lembra de ter visto o céu azul ficando cinza e a temperatura caindo à medida que os flocos de neve aumentavam de intensidade. "Foi uma coisa impressionante porque não tem nenhum fenômeno que seja tão bom para contemplar a natureza quanto a neve. Ela traz, assim, uma paz interior, a vontade de quando sai abraçar todo mundo, contar que está nevando", diz. Maria de Lurdes Hugen de Souza testemunhou uma nevasca histórica em São Joaquim quando era adolescente Mycchel Legnaghi Além de isolar a cidade, a nevasca atingiu casas e estruturas inteiras com o excesso de gelo. "O pessoal do sítio contava que o estrondo dos galhos dos pinheiros das árvores era apavorante porque a neve é pesada e acaba fazendo peso", afirma. Por alguns dias, ela e a família precisaram ficar dentro de casa, sem ir à aula e ao trabalho e próximos ao fogão a lenha. Da janela, conta a moradora, o pai pegava a água para esquentar e usar na higiene, já que as baixas temperaturas e o gelo congelaram o encanamento. 🏔️❄️ Os órgãos que monitoram o clima em Santa Catarina não possuem registros das temperaturas da época, mas destacam que a neve exige condições muito específicas. Segundo Caio Guerra, meterologista da Defesa Civil catarinense, essas situações são raras no Brasil, já que o ar polar costuma ser seco. Para nevar, é preciso que o frio se combine com uma instabilidade e alta umidade. Já uma nevasca depende de uma atmosfera ainda mais instável, o que torna o fenômeno registrado em São Joaquim ainda mais incomum. Acostumada com a neve desde a infância, Maria de Lurdes também confirma que o episódio foi o mais surpreendente que viveu. Professora aposentada, a moradora divide atualmente a rotina entre a família e o resgate da história de São Joaquim. Em casa, Maria de Lurdes guarda recortes de imagens, fotos e registros da nevasca e outros momentos importantes para a cidade (veja imagens mais abaixo). Morador fez um monte de neve do tamanho da casa Bampi/Divulgação LEIA TAMBÉM: São Joaquim: Conheça reduto com mais de 100 geadas por ano Como é viver em Urupema, a Capital Nacional do Frio O episódio também foi importante para fomentar o potencial do turismo de frio na serra. O episódio também foi importante para fomentar o potencial do turismo de frio na serra. Atualmente, a Serra catarinense recebe milhares de visitantes em busca do frio. Em 2025, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio), os municípios registraram o maior gasto médio por grupo de visitantes da história. Em termos reais, o valor saltou de R$ 2.824 para R$ 3.550 por grupo de visitantes, o maior número da série histórica, iniciada em 2017. A pesquisa, divulgada em setembro do ano passado, mostrou também os municípios que se destacaram durante a temporada de inverno. Urubici, destino escolhido um dos mais acolhedores do mundo, foi o mais procurado, com 53,6% das escolhas para hospedagem, seguido por São Joaquim e Lages. São Joaquim ficou coberta pela neve em 1957 Bampi/Divulgação Imagem de 20 de julho de 1957 em São Joaquim Bampi/Divulgação Foram 7 horas ininterruptas de neve em 1957 Bampi/Divulgação Neve atingiu 1,30m e deixou a cidade isolada Bampi/Divulgação Acumulado de neve chegou a marca de 1,30m Bampi/Divulgação VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
