Investigação revela rede que vendia vídeos de violência sexual contra mulheres; brasileiras estão entre as vítimas

Piemonte Escrito em 03/08/2026


Mulheres brasileiras são dopadas e vítimas de abuso sexual por parte de pessoas bem próximas Uma investigação internacional revelou uma rede de homens, incluindo brasileiros, que dopava mulheres da própria família para cometer abusos sexuais e vender os vídeos dos crimes. As vítimas eram drogadas com medicamentos, muitas vezes de prescrição restrita, para deixá-las incapazes de resistir, segundo Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal. A partir desse momento, elas se tornavam alvos de abusos sexuais. As cenas dos crimes eram gravadas e posteriormente vendidas em sites na internet ou em aplicativos de mensagens. É um caso bem parecido com o da francesa Gisele Pelicot, que foi dopada pelo próprio marido e depois abusada por ele e por outros homens. "A vítima não espera que a agressão venha daquela pessoa. Ela é colocada, na verdade, em uma absoluta incapacidade de resistir e de tomar conhecimento de que ela foi vítima daquele crime", diz Rolim. A investigação da Polícia Federal começou no ano passado, depois de um alerta da Europol, a agência da União Europeia para cooperação policial. A polícia alemã foi a primeira a descobrir as atividades dos abusadores e percebeu que o grupo atuava em mais 8 países, incluindo o Brasil. ➡️ A identidade dos suspeitos não será revelada para evitar a exposição das vítimas, que tinham ligações públicas com os criminosos. "Existia um brasileiro que desenvolvia uma espécie de manual a respeito de como essas medicações deveriam ser ministradas, quais eram as medicações que tinham um efeito mais contundente na vítima", explica Rolim. O suspeito de ser um dos chefes do esquema e de abusar de pessoas da própria família foi preso em fevereiro. Foi a partir de mensagens trocadas com ele que a polícia descobriu a participação de outros brasileiros (veja abaixo). Marido: "É raro ela beber muito. Qual antidepressivo tu recomenda?". Suspeito: "Mas ele dá um trabalho pra triturar, e tem que misturar em outra coisa além de cerveja". "Eu não sabia que tomava bebidas alcoólica com medicamentos controlados", afirmou a vítima. O marido dela foi preso nesta semana e, no depoimento, confessou os crimes. Questionado sobre o uso de medicamentos com a esposa, respondeu: "Peguei quatro [medicamentos], triturei, misturei em um copo com água e dei pra ela tomar". As conversas ainda mostram como o vídeo dos abusos eram negociados. Em algumas, o suspeito de ser chefe do esquema aparece negociando o valor dos vídeos: Suspeito: "Queria saber os preços?" Participante: "A partir de 59". Suspeito: "59, é um vídeo?" Participante: "Até 5 vídeos e fotos". Segundo a polícia, esse homem, que também foi preso, dopava e abusava da atual e da ex-companheira. "Eu sempre via calmantes nos pertences do meu namorado. Ele afirmava que tinha dificuldade pra dormir e que os medicamentos eram dados pela mãe", diz a vítima. Até este momento, cinco homens foram identificados: quatro estão presos e um responde em liberdade. Eles são dos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. Com o material apreendido, a Polícia Federal já sabe que existem outros abusadores brasileiros que fazem parte desse esquema internacional. "É um crime novo que se está praticando e que tá deixando até mesmo os policiais que estão acostumados com crimes chocados", aponta Davi Jacobs de Souza, chefe da Delegacia de Crimes Cibernéticos da PF/RS. Brasileiros são investigados por integrar rede internacional de vídeos de abusos contra mulheres da própria família Fantástico GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.