Conheça o transtorno do processamento auditivo Uma criança ouve a professora, os colegas e os sons ao redor, mas não consegue compreender com clareza o que está sendo dito. Em ambientes com muito barulho, a dificuldade pode ficar ainda mais evidente. Na escola, isso pode fazer com que ela pareça distraída ou tenha problemas para acompanhar as atividades. Em alguns casos, porém, o problema não está na capacidade de ouvir, mas na forma como o cérebro processa e interpreta os sons. É o chamado transtorno do processamento auditivo central (TPAC). “Esse transtorno não é uma perda auditiva, mas, sim, uma dificuldade de interpretação dos sons”, explica a pesquisadora da Unicamp entrevistada na reportagem. Criança pode ouvir, mas ter dificuldade para entender O processamento auditivo está relacionado à maneira como o cérebro organiza e interpreta as informações sonoras que chegam aos ouvidos. Por isso, uma criança com TPAC pode escutar uma pessoa falando, mas ter dificuldade para separar aquela voz dos demais sons ao redor. Segundo os pesquisadores, entre as situações que podem ocorrer estão problemas para ouvir em locais barulhentos ou para identificar de que lado determinado som está vindo. Na prática, isso significa que dizer que uma criança “não está prestando atenção” pode não explicar o que está acontecendo. Ouve, mas tem dificuldade para entender? Conheça o transtorno do processamento auditivo Reprodução/TV Globo Como o problema pode aparecer na escola O transtorno pode interferir no desenvolvimento e na aprendizagem, principalmente quando não é identificado. Em uma escola pública que funciona dentro do campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os alunos passam regularmente por exames como audiometrias e testes cognitivos. O objetivo é fazer uma triagem e identificar crianças que apresentam risco para o transtorno. “Pelo menos 18 crianças a gente identificou com o transtorno do processamento auditivo”, afirma a pesquisadora. A partir da identificação, as crianças recebem reabilitação na própria universidade. O acompanhamento também permite observar os efeitos da intervenção no ambiente escolar. “O retorno que a gente tem tido da escola é o quanto essa intervenção, essa reabilitação das habilidades tem auxiliado as crianças no desenvolvimento, na aprendizagem e nas questões das dificuldades escolares”, diz a pesquisadora. Ouve, mas tem dificuldade para entender? Conheça o transtorno do processamento auditivo Reprodução/TV Globo Atenção aos sinais A identificação do problema depende de avaliação especializada, mas a observação da família e da escola pode ajudar a perceber que alguma coisa não está bem. Dificuldade para acompanhar uma história, compreender o que está sendo falado em um ambiente com muito ruído ou identificar de onde vem determinado som são alguns exemplos citados pelos pesquisadores. O caso de Sophia, apresentado na reportagem, mostra como a percepção pode começar em situações do cotidiano. Ela havia passado no teste da orelhinha quando nasceu. Conforme cresceu, porém, a mãe percebeu que havia algo diferente. Na creche, a professora também observou que a menina ficava “perdida” enquanto os colegas acompanhavam uma história. O episódio reforça que o acompanhamento da audição não termina no teste realizado logo após o nascimento. Teste da orelhinha não é o único cuidado O teste da orelhinha é o primeiro exame para avaliar a audição do bebê e deve ser feito, de preferência, ainda na maternidade, nas primeiras 48 horas de vida. Mas o acompanhamento precisa continuar durante a infância. A observação da família e o acompanhamento médico são importantes para perceber dificuldades de compreensão ou outras alterações que possam aparecer conforme a criança cresce. Na escola acompanhada pela reportagem, a proposta é justamente manter avaliações regulares para identificar alterações e oferecer intervenção o quanto antes. A equipe responsável pelo trabalho espera que a experiência possa servir de modelo para outras escolas e equipes pedagógicas, ampliando a atenção à saúde auditiva das crianças. Por isso, quando uma criança ouve, mas parece não entender, especialmente em ambientes barulhentos, é importante investigar. Nem sempre a dificuldade está em escutar: pode estar na maneira como o cérebro recebe, organiza e interpreta os sons. O teste da orelhinha é o primeiro exame para avaliar a audição do bebê Reprodução/TV Globo Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo: Globo Repórter: Audição - 14.08.2026 Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:
Ouve, mas tem dificuldade para entender? Conheça o transtorno do processamento auditivo
Piemonte Escrito em 17/08/2026
Conheça o transtorno do processamento auditivo Uma criança ouve a professora, os colegas e os sons ao redor, mas não consegue compreender com clareza o que está sendo dito. Em ambientes com muito barulho, a dificuldade pode ficar ainda mais evidente. Na escola, isso pode fazer com que ela pareça distraída ou tenha problemas para acompanhar as atividades. Em alguns casos, porém, o problema não está na capacidade de ouvir, mas na forma como o cérebro processa e interpreta os sons. É o chamado transtorno do processamento auditivo central (TPAC). “Esse transtorno não é uma perda auditiva, mas, sim, uma dificuldade de interpretação dos sons”, explica a pesquisadora da Unicamp entrevistada na reportagem. Criança pode ouvir, mas ter dificuldade para entender O processamento auditivo está relacionado à maneira como o cérebro organiza e interpreta as informações sonoras que chegam aos ouvidos. Por isso, uma criança com TPAC pode escutar uma pessoa falando, mas ter dificuldade para separar aquela voz dos demais sons ao redor. Segundo os pesquisadores, entre as situações que podem ocorrer estão problemas para ouvir em locais barulhentos ou para identificar de que lado determinado som está vindo. Na prática, isso significa que dizer que uma criança “não está prestando atenção” pode não explicar o que está acontecendo. Ouve, mas tem dificuldade para entender? Conheça o transtorno do processamento auditivo Reprodução/TV Globo Como o problema pode aparecer na escola O transtorno pode interferir no desenvolvimento e na aprendizagem, principalmente quando não é identificado. Em uma escola pública que funciona dentro do campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os alunos passam regularmente por exames como audiometrias e testes cognitivos. O objetivo é fazer uma triagem e identificar crianças que apresentam risco para o transtorno. “Pelo menos 18 crianças a gente identificou com o transtorno do processamento auditivo”, afirma a pesquisadora. A partir da identificação, as crianças recebem reabilitação na própria universidade. O acompanhamento também permite observar os efeitos da intervenção no ambiente escolar. “O retorno que a gente tem tido da escola é o quanto essa intervenção, essa reabilitação das habilidades tem auxiliado as crianças no desenvolvimento, na aprendizagem e nas questões das dificuldades escolares”, diz a pesquisadora. Ouve, mas tem dificuldade para entender? Conheça o transtorno do processamento auditivo Reprodução/TV Globo Atenção aos sinais A identificação do problema depende de avaliação especializada, mas a observação da família e da escola pode ajudar a perceber que alguma coisa não está bem. Dificuldade para acompanhar uma história, compreender o que está sendo falado em um ambiente com muito ruído ou identificar de onde vem determinado som são alguns exemplos citados pelos pesquisadores. O caso de Sophia, apresentado na reportagem, mostra como a percepção pode começar em situações do cotidiano. Ela havia passado no teste da orelhinha quando nasceu. Conforme cresceu, porém, a mãe percebeu que havia algo diferente. Na creche, a professora também observou que a menina ficava “perdida” enquanto os colegas acompanhavam uma história. O episódio reforça que o acompanhamento da audição não termina no teste realizado logo após o nascimento. Teste da orelhinha não é o único cuidado O teste da orelhinha é o primeiro exame para avaliar a audição do bebê e deve ser feito, de preferência, ainda na maternidade, nas primeiras 48 horas de vida. Mas o acompanhamento precisa continuar durante a infância. A observação da família e o acompanhamento médico são importantes para perceber dificuldades de compreensão ou outras alterações que possam aparecer conforme a criança cresce. Na escola acompanhada pela reportagem, a proposta é justamente manter avaliações regulares para identificar alterações e oferecer intervenção o quanto antes. A equipe responsável pelo trabalho espera que a experiência possa servir de modelo para outras escolas e equipes pedagógicas, ampliando a atenção à saúde auditiva das crianças. Por isso, quando uma criança ouve, mas parece não entender, especialmente em ambientes barulhentos, é importante investigar. Nem sempre a dificuldade está em escutar: pode estar na maneira como o cérebro recebe, organiza e interpreta os sons. O teste da orelhinha é o primeiro exame para avaliar a audição do bebê Reprodução/TV Globo Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo: Globo Repórter: Audição - 14.08.2026 Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:
