Violência psicológica contra mulheres cresce 1300% em 10 anos no RJ, e Dossiê Mulher analisa ‘discurso redpill’ pela 1ª vez

Piemonte Escrito em 01/07/2026


violencia contra a mulher © Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Os casos de violência psicológica contra mulheres cresceram 1300% em 10 anos no RJ, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). A análise faz parte do Dossiê Mulher divulgado nesta quarta-feira (1º). Esta edição traz dados de 2025 e, pela 1ª vez, dedica um capítulo à análise dessas narrativas nas redes sociais e aponta como elas podem contribuir para a naturalização da violência de gênero, focando no movimento redpill. “O discurso redpill é caracterizado pelo estímulo do ódio contra mulheres a partir de falas misóginas, que reduzem as mulheres a seres submissos aos homens, reforçando hierarquias de gênero que já deveriam estar superadas. O grande ponto é que esse ‘movimento’ é uma identidade de grupo com repertório e gramática social próprios, que utiliza esse ódio como forma de existir no mundo”, explica a diretora-presidente do ISP, Bárbara Caballero. Os registros de ocorrências contabilizaram 3.417 vítimas apenas de violência psicológica no ambiente virtual em 2025 e 5.970 registros de violência psicológica e moral na internet, uma média de 16 meninas e mulheres vítimas por dia. Em 2015, quando a série histórica começou, eram 239 casos. O Dossiê também mostra que a violência psicológica segue como a forma de agressão mais recorrente contra as mulheres no estado pelo quinto ano consecutivo. Em 2025, foram 59.742 vítimas, o equivalente a cerca de 164 novos casos por dia. "A violência psicológica não deixa marcas. Na maioria das vezes, ela é sutil, mas não menos violenta. Creio que isso continua acontecendo porque a sociedade permite que essas violências aconteçam. Quantas vezes a gente não viu a culpa cair sobre a vítima e não sobre os autores?", questiona Bárbara. "É isso que queremos mostrar com o Dossiê deste ano. Mais do que aumentar o incentivo às denúncias e registros desses crimes, que são fundamentais para diminuir a subnotificação e dar visibilidade ao problema, é necessário avançar em estratégias que não foquem apenas nas vítimas, mas também na responsabilização dos autores dessas violências", conclui a diretora. LEIA TAMBÉM: Violência contra a mulher: saiba identificar os tipos de agressão e como denunciar Atlas da Violência: Brasil registrou mais de 3,6 mil homicídios de mulheres em 2024; negligência e abuso sexual lideram ocorrências Violência contra mulheres tem raízes históricas, dizem especialistas Até quando? O feminicídio é a última etapa do ciclo da violência De acordo com o estudo, essas práticas envolvem estratégias de controle, intimidação e humilhação que afetam a autoestima e a autonomia das vítimas e, muitas vezes, antecedem outras formas de violência. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Outro dado que chama atenção é o descumprimento de medidas protetivas no ambiente digital. Em 2025, quase um em cada dez casos ocorreu por meio de redes sociais, mensagens de aplicativos e até transferências via PIX utilizadas para manter contato, perseguir ou monitorar as vítimas. "Com esses dados, notamos como o machismo se reinventa e se adapta aos novos tempos, a cada avanço dos direitos relacionados à equidade de gênero, explicando o porquê do aumento", afirma Caballero. Ao todo, foram registrados 5.870 descumprimentos de medidas protetivas, o maior número da série histórica iniciada em 2018. No total, 159.041 meninas e mulheres sofreram algum tipo de violência no estado do Rio de Janeiro em 2025, uma média de 18 vítimas por hora. O perfil predominante é de mulheres negras, solteiras e jovens entre 18 e 29 anos. Os dados também revelam que 105 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado no último ano. Em mais de 80% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa e, em mais da metade, os autores eram companheiros das vítimas. Segundo o Dossiê, mais de 70% dessas mulheres já haviam sofrido algum tipo de violência doméstica antes do assassinato, mas não haviam registrado ocorrência.