25 dias de buscas: falta de indícios desafia força-tarefa no caso das crianças desaparecidas no MA

Piemonte Escrito em 28/01/2026


Crianças vistas em hotel em São Paulo não são os irmãos desaparecidos no MA As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam 25 dias nesta quarta-feira (28) sem qualquer vestígio do paradeiro deles. A força-tarefa segue atuando em áreas de mata e na outra margem do Rio Mearim, onde cães farejadores chegaram a identificar cheiro compatível com o dos irmãos. Mesmo após varreduras minuciosas por terra, água e ar, as equipes não encontraram novos indícios. Diante da falta de pistas, a força-tarefa foi reduzida, enquanto a investigação policial foi intensificada. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, disse ao g1 que “enquanto não tiver localização de mais indícios, tudo pode ter acontecido”. Segundo ele, a principal a principal linha de investigação é de que os meninos se perderam na mata. A Polícia Civil de São Paulo descartou a hipótese de que Ágatha e Allan teriam sido vistos em um hotel no Centro da capital paulista. De acordo com a polícia, equipes foram até o endereço apontado na denúncia e constataram que as crianças encontradas não são os irmãos desaparecidos. As crianças estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. O que você vai ver nesta reportagem (clique para navegar): O que já foi feito em 25 dias Principal linha de investigação Como funciona Protocolo Amber Alert, alerta internacional usado na força-tarefa Como as crianças se perderam, segundo relato do primo O que foi feito em 25 dias Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão seguem com força-tarefa menor Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso. A Marinha informou que foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados de forma minuciosa. As equipes realizaram buscas subaquáticas, mas nenhum vestígio relacionado ao desaparecimento das crianças foi encontrado. A varredura conta com apoio do equipamento side scan sonar, utilizado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. Na última sexta (23), as buscas entram em uma nova etapa, passando a ser conduzidas de forma direcionada e focada na investigação policial. ➡️ A mudança ocorreu após as equipes concluírem a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas, sem a localização de vestígios ou pistas que indiquem o paradeiro das crianças. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações. As equipes continuam atuando em áreas de mata fechada, rios e lagos, com participação de investigadores da Polícia Civil, agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, do Centro Tático Aéreo (CTA), do Batalhão de Choque da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros Militar. A força-tarefa segue concentrada na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez. Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão completam 15 dias com reforço da Marinha Corpo de Bombeiros do Maranhão Principal linha de investigação O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso, falou ao g1 que nenhuma linha de investigação é descartada, porém, a principal delas é a de que os meninos, de fato, se perderam na mata. “A principal [linha de investigação] desde o início é das crianças realmente terem se perdido na mata”, afirmou. Uma comissão especial criada pela Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas. Em uma postagem nas redes sociais, circulou o boato de que R$ 35 mil teriam sido encontrados em uma conta ligada à mãe das crianças e de que ela e o companheiro teriam sido indiciados como suspeitos no inquérito. A informação foi desmentida pelas autoridades. O delegado disse que informações falsas sobre o caso estão colocando em risco a vida dos familiares das crianças. Segundo ele, a mãe e o padrasto das crianças não são foco da investigação, pois não há, até o momento, nada que indique que eles praticaram crimes contra os meninos. “Essa informação (que as crianças foram vendidas) não procede, infelizmente com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco”, afirmou o delegado. No último sábado (24), o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou que todas as pessoas ouvidas até momento, durante a investigação do desaparecimento, foram na condição de testemunhas e que “qualquer informação diferente disso é falsa”. Ele também afirmou que detalhes do inquérito não estão sendo divulgados para não comprometer o trabalho policial. LEIA TAMBÉM: Crianças desaparecidas no MA: Forças de segurança intensificam buscas no rio Mearim com uso de sonar e restringem acesso à área Uma das três crianças que estavam desaparecidas é encontrada com vida no Maranhão Como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA Crianças desaparecidas no Maranhão: veja cronologia do caso Protocolo Amber Alert A força-tarefa adotou também o protocolo Amber Alert, alerta internacional em caso de desaparecimento de crianças. ➡️ O sistema Amber Alert emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. Informações divulgadas de Ágatha Isabelly e Allan Michael no sistema Amber Alert do Ministério da Justiça Reprodução ⚠️ O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece ativo no feed de usuários da região. As notificações incluem dados como nome, características físicas e contato para envio de informações (veja na imagem acima). Segundo o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave. Como as crianças se perderam, segundo relato do primo Veja como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA O menino de 8 anos, primo das crianças e que ficou desaparecido por cerca de três dias na mata, recebeu autorização judicial para participar das buscas e contou como o grupo se perdeu. ➡️ As informações dadas por ele ajudaram a reconstruir o trajeto. Segundo o menino, eles saíram para buscar maracujá perto da casa do pai dele e, para não serem vistos por um tio, decidiu entrar por outro caminho da mata. Um dos locais citados por ele foi chamado de "casa caída", onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. Segundo os bombeiros, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, de onde as crianças desapareceram. Mas considerando obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km. A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. O menino afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar. No sábado (24), ele retornou ao quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, onde vive com a família. Eles, que antes viviam em uma casa simples feita de barro e madeira, ganharam uma nova casa no povoado. INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão Arte/g1