Influenciador que sugeriu que Zona Franca emprega 'índios' é alvo de apuração do Ministério Público

Piemonte Escrito em 19/05/2026


Influenciador que sugeriu que Zona Franca emprega 'índios' é alvo de apuração do Ministério Público - vale este Reprodução/Redes Sociais O influenciador digital Gabriel Silva é alvo de apuração do Ministério Público do Amazonas (MPAM) após publicar vídeos em que critica a Zona Franca de Manaus e sugere que o Polo Industrial emprega apenas "índios". A informação foi confirmada pelo órgão nesta terça-feira (19). A apuração preliminar ocorre por meio de duas notícias de fato abertas pela 91ª Promotoria de Justiça de Manaus, após a Associação Comercial do Amazonas (ACA) apresentar uma denúncia contra o influenciador por possíveis crimes de xenofobia regionalista e atentado contra a ordem econômica. Em um vídeo publicado no dia 11 de maio, Gabriel Silva afirmou que a Zona Franca de Manaus "não produz nada" e disse que os produtos são montados "em fábricas tudo em cima de árvores". O conteúdo segue disponível nas redes sociais e já ultrapassa 655 mil visualizações. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp "Meu irmão, quem foi que inventou de colocar um monte de fábrica que não fabrica nada lá em Manaus?! Se estes produtos viessem da China, seria melhor. Aí vem os produtos, que eles não fabricam, eles montam. Aí eles montam os produtos em Manaus com as fábricas tudo em "cima de árvores" para depois enviar para São Paulo e daqui vender". Aí, as pessoas tem que pagar muito mais caro porque a gente tem que ficar empregando estes índios, disse. Vídeos em alta no g1 Segundo a ACA, os conteúdos publicados por Gabriel Silva contêm "ataques xenofóbicos e discriminatórios direcionados ao Estado do Amazonas". No pedido enviado à procuradora-geral do MPAM, Leda Mara Nascimento Albuquerque, a entidade afirma que o influenciador ultrapassou o limite da crítica ao usar estereótipos regionais para atacar a população amazonense e a indústria local. "O alcance digital do denunciado é vasto, o que potencializa o dano. Suas falas induzem a quase um milhão de seguidores ao preconceito contra o povo e a economia amazonense, que devem ser protegidos pela legislação penal contra o racismo", declarou a ACA em trecho do documento. A associação também afirma que as declarações podem prejudicar a imagem da Zona Franca de Manaus e do Polo Industrial. "Ao afirmar que o Polo Industrial de Manaus 'não produz nada' e são 'fábricas em cima de árvores', o denunciado induz o consumidor nacional ao erro e ao boicote discriminatório", afirmou a entidade. Medidas pedidas pela ACA Entre os pedidos feitos ao Ministério Público estão: abertura de procedimento investigatório criminal; designação de promotoria especializada; preservação dos vídeos e dados das publicações nas plataformas digitais; remoção de conteúdos considerados ofensivos; ação civil pública por danos morais coletivos. Influenciador mudou posicionamento Após a divulgação de que o MPAM havia recebido o pedido de investigação, Gabriel Silva publicou um vídeo desafiando o órgão e afirmou que rasgaria e queimaria a notificação enviada pelo Ministério Público. Dois dias depois, porém, o influenciador mudou o discurso. Em outro vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que foi orientado a gravar o conteúdo e pediu desculpas aos amazonenses pelas declarações. O g1 procurou Gabriel Silva para comentar o caso. Em resposta, o influenciador afirmou que "a opinião dele é que, quando um influenciador desconhecido gera mais revolta do que políticos que roubam o povo descaradamente, fica claro que tem algo errado". MPAM explica fase da apuração Segundo o MPAM, as notícias de fato servem para reunir informações iniciais sobre os fatos apresentados ao órgão. O Ministério Público destacou que, neste momento, não há acusação formal nem conclusão sobre possível crime. "A partir das informações reunidas nos autos, o Ministério Público poderá deliberar pelo arquivamento, adoção de medidas extrajudiciais, instauração de procedimento investigatório próprio ou eventual propositura de medidas judiciais cabíveis, conforme previsão legal", informou o órgão.