MPF denuncia influenciador Buzeira e empresários por lavagem de dinheiro em nova fase da Operação Narco Bet

Piemonte Escrito em 15/06/2026


Quem é Buzeira, influencer preso pela PF em operação contra lavagem de dinheiro O Ministério Público Federal (MPF) denunciou cinco pessoas à Justiça Federal de Santos, no litoral de São Paulo, por suposta participação em uma organização criminosa investigada na Operação Narco Bet. Entre os denunciados está o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira. Com 28 anos e nascido em Itaquera (SP), Buzeira ganhou notoriedade nas redes sociais promovendo rifas e sorteios de carros, artigos de luxo e ações promocionais. Ele também é conhecido por ostentar carros de luxo, joias e relógios caros e até helicópteros. Ele já tinha sido alvo de uma operação da Polícia Civil em fevereiro. Ele estava numa mansão em Igaratá (SP) quando foi preso pela PF, em outubro de 2025. Atualmente, o influencer está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá (SP). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF, em São Paulo, e atribui aos investigados os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica. Além de Buzeira, outras quatro pessoas foram denunciadas. Confira abaixo a lista: Bruno Alexssander Souza Silva (Buzeira) Rodrigo De Paula Morgado Abelardo Dantas Alvares Gustavo Afonso Ribeiro E Lacerda Nickolas Tadeu Ribeiro De Campos Inicialmente, a acusação foi distribuída à 5ª Vara Federal de Santos. Em razão das regras do Juízo das Garantias, o processo foi posteriormente redistribuído à 6ª Vara Federal, que ficará responsável pela análise do recebimento da denúncia e pelo eventual andamento da ação penal. O influencer Buzeira, alvo da PF e do Ministério Público de São Paulo por causa de lavagem de dinheiro. Reprodução/Instagram Segunda denúncia Esta é a segunda denúncia apresentada pelo MPF no âmbito da Operação Narco Bet (veja o vídeo abaixo). A primeira foi oferecida em novembro de 2025 contra 11 investigados suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro associado a rifas ilegais, apostas irregulares e tráfico internacional de drogas. Segundo o MPF, os investigados integrariam uma estrutura organizada e com divisão de tarefas voltada à ocultação e dissimulação da origem de recursos por meio de empresas do setor de apostas esportivas, operações financeiras internacionais, estruturas offshore e movimentações com criptomoedas. Os procuradores afirmam que os recursos movimentados pela organização teriam ligação com infrações penais antecedentes e correlatas, entre elas fatos investigados em procedimentos relacionados ao tráfico internacional de drogas, rifas não regulamentadas, exploração irregular de apostas e movimentações financeiras por criptoativos. De acordo com a denúncia, a investigação identificou indícios da utilização de pessoas interpostas, conhecidas como "testas de ferro", para ocultar os verdadeiros controladores das empresas, além da criação de estruturas empresariais destinadas a conferir aparência de legalidade à circulação dos valores. Relatório da PF detalha esquema de lavagem de dinheiro de Buzeira e Rodrigo Morgado Buzeira como controlador oculto No documento, Buzeira é apontado como financiador, controlador oculto e beneficiário econômico final das marcas BRXBET e RICOBET. Apesar de não figurar formalmente nos quadros societários das empresas, o influenciador teria, segundo o MPF, participação direta nas decisões estratégicas e na condução das operações ligadas às plataformas de apostas. A acusação sustenta que a ausência do nome do influenciador nos registros societários fazia parte da estratégia para ocultar o controle econômico das operações e reduzir a exposição perante órgãos reguladores e de fiscalização. Buzeira (à esq.) e Rodrigo Morgado (à dir.) foram presos durante Operação Narco Bet, da PF Redes sociais Empresas de apostas, criptomoedas e operações internacionais A denúncia também cita empresas e outras três marcas ligadas ao mercado de apostas, além das empresas de Buzeira. Segundo os procuradores, essas estruturas teriam sido utilizadas para dissociar a titularidade formal do controle econômico real dos negócios. Outro ponto destacado pelo MPF envolve o uso de criptomoedas para movimentação de recursos. A acusação aponta que valores provenientes de rifas não regulamentadas eram recebidos em carteiras digitais, convertidos em moeda tradicional e repassados aos beneficiários finais das operações. Os procuradores também apontam a existência de operações financeiras internacionais, utilização de empresas offshore, emissão de documentos para justificar remessas ao exterior e contratos considerados simulados para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos investigados. Entre os elementos citados na denúncia estão movimentações por criptoativos, estruturas empresariais em diferentes países, operações de câmbio informal e contratos que, segundo a acusação, teriam sido utilizados para conferir aparência de legalidade à circulação dos valores. Buzeira (à esq.) e Rodrigo Morgado (à dir.) foram presos durante Operação Narco Bet, da PF Reprodução/Instagram O que é a Operação Narco Bet A Operação Narco Bet foi deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da Operação Narco Vela, investigação que apura uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas por rotas marítimas entre a América do Sul e a Europa. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, o grupo investigado utilizaria empresas, plataformas ligadas ao mercado de apostas esportivas, criptomoedas e operações financeiras nacionais e internacionais para ocultar a origem dos recursos e promover a lavagem de dinheiro. Desde o início das investigações, a Justiça determinou bloqueios milionários de bens e valores dos investigados. A denúncia apresentada agora representa uma nova etapa da apuração e mira um núcleo apontado pelos investigadores como responsável pela estruturação financeira, empresarial e tecnológica do esquema. Próximos passos A denúncia ainda será analisada pela Justiça Federal. Caso seja recebida, os investigados passarão à condição de réus e responderão ao processo criminal, podendo apresentar defesa ao longo da tramitação da ação penal.