Fila do Sisreg para diagnóstico de autismo tem 14 mil pacientes no Rio

Piemonte Escrito em 21/05/2026


Fila do Sisreg para diagnóstico de autismo tem 14 mil pacientes no Rio Cerca de 14 mil pessoas aguardam na fila do Sisreg por uma avaliação para transtorno do espectro autista no Rio de Janeiro. E, para muitas famílias que já conseguiram um diagnóstico, a dificuldade agora é garantir tratamento contínuo pela rede pública. Dona Rita de Cássia vive há anos uma peregrinação para tentar assegurar atendimento e qualidade de vida para o filho, João Paulo. O jovem está no espectro autista, tem TDAH, falha auditiva, deficiência intelectual e dislexia. Ele também enfrenta seletividade alimentar extrema e chega a passar dias sem conseguir se alimentar. “Ele fica trinta dias sem comer nada. Ele necessita e aqui só mandam ele pra nutrição”, contou Rita. Rita de Cassia e o filho João Paulo Reprodução/TV Globo João Paulo precisa de acompanhamento multidisciplinar, com psicólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapia. Mas, segundo a mãe, o tratamento nunca consegue avançar. “Até hoje eu não consigo nem um psicólogo. Só me mandam pro pediatra. E se eu precisar de um neurologista, se eu não pagar... No documento dele está dizendo o que ele é e ele recebe rejeição até nessas clínicas”, disse. Rita afirma que já são oito anos entrando e saindo da fila do Sisreg sem conseguir o atendimento necessário. “A gente fica 180 dias aguardando e quando passa os 180 dias a gente escuta que não tem”, relatou. O caso dela não é isolado. Micael, de 7 anos, também está no espectro autista e precisa de atendimento multidisciplinar. A mãe, Suele, diz que tenta garantir o tratamento adequado desde os 3 anos do filho. “Com 6 anos ele recebeu o diagnóstico e desde então ele está na fila do Sisreg. Já faz um ano”, afirmou. Suele e o filho Micael Reprodução/TV Globo Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que, entre junho e agosto de 2024, mais de 5 mil consultas com neuropediatra não aconteceram na rede pública. No mesmo período, quase 5,5 mil avaliações multiprofissionais para investigação de pacientes com suspeita de autismo foram negadas. Os dados foram requisitados em agosto do ano passado pelo então vereador Paulo Pinheiro. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. O vereador Paulo Messina, presidente da comissão especial voltada às políticas para autistas e neurodivergentes na Câmara do Rio, avalia que o número de negativas é alarmante e aponta falta de profissionais especializados para atender à demanda. “Não são 5 mil exames, são 5 mil tratamentos. É um tratamento de continuidade, ter o profissional à disposição que fique trabalhando com a criança no tempo”, afirmou. “A gente vê pelo número de rejeições que a estrutura é insuficiente”, completou. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as negativas fazem parte do processo de regulação e não alteram a posição do paciente na fila. O secretário municipal de Saúde afirmou que as devoluções podem ocorrer por falta de informações ou mudanças no fluxo de atendimento. “Quando é feita a devolução de um encaminhamento, esse encaminhamento volta pra unidade, o médico insere as informações necessárias e, quando ele volta, ele retorna para o mesmo lugar cronológico que estava. Então ele não perde lugar”, explicou. O secretário reconheceu que a fila para avaliação de autismo ainda é alta. “Hoje a gente tem, para avaliação do transtorno de autismo, mais ou menos, 14 mil pessoas aguardando. É um número alto, mas a nossa oferta tem aumentado”, disse. Segundo ele, a prefeitura ampliou a estrutura de atendimento nos últimos anos. “A prefeitura está se estruturando pra isso. Nós temos oito centros, quando há dois anos só tínhamos um. Então a gente está avançando e dando conta desse paciente”, afirmou. A Secretaria Municipal de Saúde informou que, na última consulta de João Paulo, foi definida a conduta terapêutica necessária para ele. Segundo a pasta, o jovem tem acompanhamento multiprofissional e passa por atendimentos semanais. Já Micael tem um pedido aberto no Sisreg para reabilitação intelectual, que será marcado assim que houver vaga. A secretaria não informou prazo para o atendimento.