Viúva de piloto de helicóptero baleado em operação presta homenagem: ‘O Felipe lutou como sempre viveu, com coragem, dignidade e fé’

Piemonte Escrito em 18/05/2026


Mulher de piloto da polícia morto no Rio presta homenagem ao marido. Keidna Marques, viúva do piloto de helicóptero Felipe Marques Monteiro, prestou nesta segunda-feira (18) uma homenagem ao marido. Ele morreu neste domingo (17), pouco mais de 1 ano depois de ser baleado durante uma operação na Zona Oeste do Rio de Janeiro. “O Felipe lutou como sempre viveu, com coragem, dignidade e fé”, escreveu. Nota de pesar pela morte do piloto Felipe Medeiros Marques Reprodução Como é a mensagem A homenagem é composta por um vídeo de momentos do piloto em ação, antes da operação em que foi alvejado, e de quando recebeu alta. Em meio às cenas, é lido um poema. “Há uma tempestade dentro de nós. Uma chama, um rio, uma determinação. Um desejo implacável de se superar e ir além do que qualquer um acreditava ser possível. Nos superando em cantos frios e sombrios, onde vivem coisas ruins. Queríamos essa luta com todas as nossas forças. Uma luta intensa, a mais intensa, mais fria, mais sombria, e mais desagradável de todas as lutas. Uma parte minha estará sempre naquela montanha morta, como meus irmãos morreram. Mas uma parte minha sobreviveu, graças aos meus irmãos. Graças a eles ainda estou vivo. Eu nunca poderei esquecer que não importa a dor, a escuridão, nem a altura de onde você cai. Você nunca sai da luta.” Na legenda da postagem, Keidna escreveu: “Ainda me lembro do dia em que pedi um milagre. Confesso… com pouca fé, eu temi. Quando aquele tiro mudou tudo, começou uma luta que ninguém está preparado para viver. Foram dias, meses e anos dentro de um hospital. Dias longos. Noites silenciosas. Desafios que só quem esteve ali conhece. Houve fases. Primeiro, sobreviver. Depois, resistir. E então, acreditar. O Felipe lutou como sempre viveu. Com coragem. Com dignidade. Com fé. Eu vi de perto cada batalha. Do homem que voava para salvar vidas… ao guerreiro que lutava, dia após dia, pela própria. E ele nunca esteve sozinho. Nossa família, nossos amigos, seus irmãos de farda e tantas pessoas que, mesmo sem nos conhecer, estiveram conosco em oração, em mensagens, em gestos. Cada palavra. Cada apoio. Fez diferença. Aquele momento em que saímos do hospital… não foi um fim. Foi um símbolo. De amor. De união. De esperança. Mas a vida seguiu seu próprio caminho. E, mesmo com toda a luta… Deus o chamou. Hoje, a dor é imensa. Mas maior que a dor… é o legado. Felipe não foi apenas um policial. Foi um homem que honrou sua missão até o fim. Um guerreiro. Do início ao fim. Seguimos juntos. Na fé. Na memória. E no amor que nunca se apaga. ‘Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé’ — 2 Timóteo 4:7” Relembre o caso Piloto de helicóptero da polícia baleado em operação morre no Rio Nos últimos dias, o policial vinha apresentando um quadro de saúde grave com uma infecção após complicações de uma cirurgia de prótese craniana realizada no dia 20 de abril. Na sexta-feira (15), Keidna disse que era “um momento muito difícil de lidar”. No início de maio, Felipe precisou de alguns procedimentos para retirada de hematomas e sangramentos na cabeça e depois para a inserção de um dreno. A esposa lembrou que desde janeiro o piloto já tinha tido complicações semelhantes. Felipe tinha recebido alta médica do Hospital São Lucas em dezembro após 9 meses internado e seguiu para um centro de reabilitação. Ele foi baleado durante uma operação na Vila Aliança, em Bangu, em março de 2025. Segundo o gerente da Clínica Médica do Hospital São Lucas Copacabana, Renato Ribeiro, o paciente ficou mais de sete meses sob cuidados intensivos, passou por diversas neurocirurgias e outros procedimentos – ele teve comprometimento da calota craniana -, além de permanecer em coma por um longo período. O ataque ocorreu em 20 de março de 2025, quando Felipe sobrevoava a Vila Aliança a bordo de um helicóptero do Serviço Aeropolicial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A aeronave foi alvejada por criminosos, e o copiloto foi atingido por um tiro de fuzil na região da testa, que perfurou o crânio. Um dos suspeitos de participar do ataque foi preso em maio. Outros criminosos seguem foragidos. O que disse o governo Em nota, o governo em exercício do Rio de Janeiro divulgou uma nota pela morte do piloto: "O Governo do Estado do Rio de Janeiro lamenta a morte do policial civil e piloto da CORE, Felipe Marques Monteiro, que foi ferido em março de 2025, durante uma operação da Polícia Civil na Vila Aliança, quando o helicóptero em que atuava como copiloto foi alvo de disparos de criminosos com fuzis. Desde então, ele travou uma longa, difícil e corajosa batalha pela vida, marcada pela força, fé e dedicação da família, especialmente de sua esposa, mobilizando colegas de profissão, amigos e todos os que torciam por sua recuperação. Neste momento de dor, o Governo do Estado presta solidariedade aos familiares, amigos e companheiros da Polícia Civil, e reconhece a bravura, o compromisso e a entrega do comandante Felipe Marques Monteiro no exercício da missão de proteger a população fluminense. Sua coragem e seu legado permanecerão na memória da segurança pública do nosso estado".